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Vice-governadora entrega reforma e ampliação de Espaço de Atenção à Crise no Complexo Juliano Moreira

quinta-feira, 18 de agosto de 2016 - 16:36 - Fotos: 

A vice-governadora Lígia Feliciano entregou, na manhã desta quinta-feira (18), as obras de reforma e ampliação do Espaço de Atenção à Crise (EAC) do Complexo Psiquiátrico Juliano Moreira, que vai receber pessoas com sofrimento psíquico e dependentes químicos de todos os municípios do Estado. A nova estrutura de atendimento é um protótipo de pronto-atendimento psiquiátrico dentro do processo de mudanças e adaptação de práticas de humanização e cuidado ao paciente.

Na ocasião, a vice-governadora salientou que o momento é de extrema importância para a conscientização da mudança no modo de tratar o paciente com transtornos psíquicos. “Estamos sempre trabalhando em prol da saúde do paraibano. Este espaço renovado, ampliado e humanizado tem tudo de melhor em atendimento psiquiátrico. Além do espaço físico, o EAC tem o mais importante: a preparação dos profissionais que lidam diretamente com os pacientes que precisam de cuidado e carinho”, disse.

Também presente na solenidade de entrega da reforma e ampliação do EAC, a secretária de Saúde, Roberta Abath, comentou que o novo espaço faz parte da reforma psiquiátrica proposta pelo Governo do Estado. “Trata-se da continuação da mudança no perfil de atendimento e conscientização de profissionais e parentes de pacientes no que diz respeito à condução do tratamento. É um novo olhar para quem sofre de transtornos mentais, que merecem cuidado igualitário e humanizado”, disse ela.

Roberta Abath pontuou, ainda, que o novo espaço eliminou grades e contenção física de camas. “As grades foram retiradas para nunca mais voltarem e os pacientes jamais serão vistos amarrados em momentos críticos de crise. Este novo espaço eliminou todas as grades, acrescentou cores e musicoterapia, permitindo condições físicas mais dignas para que os profissionais cuidem melhor daqueles que passam por momentos tão difíceis e precisam, sobretudo, de atenção e amor”, explicou.

Entre as mudanças, nota-se que nas enfermarias as grades foram substituídas por portas de madeira; todo o ambiente recebeu decoração com peças artesanais produzidas pelos pacientes. Foi criado, ainda, um espaço de convivência numa área aberta; espalhadas caixas de som, por todo o prédio, com músicas instrumentais; foram implantadas a sala de acompanhamento para familiares e acompanhantes dos usuários e a sala multiprofissional para psicólogos e assistentes sociais para familiares dos pacientes internados.

Além das mudanças na estrutura física, o lugar passou por uma reformulação no modelo de atendimento e reorganização das equipes multiprofissionais, com o objetivo de atender a proposta de humanização no cuidado da saúde mental. O espaço favorece o bem estar dos usuários e servidores, sendo mais um passo de fundamental importância na reforma psiquiátrica.

“Entendemos que um usuário com sofrimento psíquico gera clima de estresse na família e neste espaço a equipe receberá os familiares de forma acolhedora e humanizada. Vale ressaltar que a demanda do Juliano Moreira não diminuiu, continuamos atendendo pacientes de toda a Paraíba. Diminuiu, entretanto, o tempo de internação – que antes ultrapassava a marca de seis meses”, destacou o diretor geral do Complexo, Walter Franco.

Walter salientou, ainda, que os medicamentos psiquiátricos são, sim, necessários, mas sozinhos não surtem efeito. “Não temos a ilusão de que só os psicotrópicos (medicamentos) são a solução no auxílio aos pacientes. O cuidado presente, as atividades terapêuticas, as oficinas, o carinho e amor a essas pessoas que se distanciaram da razão de si próprias, a presença lúcida e amorosa dos cuidadores fazem toda diferença no tratamento e na reinserção dos pacientes ao convívio familiar e social”, pontuou o diretor do Complexo.

O diretor explicou que o Juliano vem buscando diminuir cada vez mais o tempo de hospitalização dos pacientes. Por isso, a equipe vem desenvolvendo um trabalho conjunto para que o usuário possa se recuperar e restabelecer sua saúde emocional e psíquica num menor tempo possível e, dessa forma, ser encaminhado aos serviços substitutivos – Centro de Atenção Psicossocial (Caps).

“A nossa Rede de Atenção Psicossocial possui a maior cobertura de Caps por número de habitantes do Brasil. Numa luta coletiva, temos acolhido os pacientes num atendimento mais humanizado e antimanicomial”, disse.

O momento marca mais uma modificação efetiva nos cuidados com o paciente acolhido pelo Juliano Moreira, exigindo de toda a equipe de técnicos, enfermeiros, assistentes sociais, psicólogos e cuidadores maior um acompanhamento intensivo, corpo a corpo, para auxiliar os pacientes a sair da crise e retornar à estabilidade emocional.

“O espaço traz uma mudança significativa no cuidado ao paciente com crise, especialmente quando se trata de tempo de internação. As famílias dos usuários também recebem orientações para se adaptarem à nova realidade – antes, o tempo de internação podia chegar até a seis meses e, atualmente, foi reduzido a até, no máximo, dez dias”, informou a médica psiquiátrica e diretora técnica do EAC, Marinalva Brandão.

Marinalva observou, também, que é preciso mudar a consciência de que um paciente psiquiátrico precisa ficar muito tempo internado. “Essa mudança de mentalidade tem que acontecer não só com os profissionais, mas também com a família do paciente. Cada usuário passa diariamente por uma equipe multiprofissional capacitada e preparada para atender cada necessidade – são psicólogos, psiquiatras, enfermeiros, técnicos em enfermagem, assistentes sociais – e isso traz resultados positivos, eficazes e cada vez mais rapidamente”, informou.

A proposta de tempo do internamento no EAC é de três a 10 dias, mas, dependendo da situação clínica do paciente, este período será prolongado (até, no máximo, 22 dias). O Espaço pode receber até 16 pacientes (oito leitos masculinos e oito femininos). Se o usuário for de João Pessoa, deve ser atendido no Pronto Atendimento em Saúde Mental (Pasm), que fica no Trauminha, em Mangabeira. Caso haja necessidade, é feita a regulação para o EAC.