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Usuários do Juliano Moreira participam de ‘Sarau Poético’

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012 - 16:55 - Fotos:  Vanivaldo Ferreira/Secom-PB

Foto: Vanivaldo Ferreira/Secom-PB

Muita música e poesia marcaram o Sarau “Poesia no Hospício” da última quinta-feira (16), que serviu também como festa de despedida da diretora geral do Complexo Psiquiátrico Juliano Moreira, Flávia Fernando, que se mudará para outro Estado. O evento, promovido todas as quintas-feiras, a partir das 19h, reuniu usuários, trabalhadores de saúde, amigos, familiares e conhecidos,

“Eu acho que o paciente se valoriza mais, se entrosa mais com os servidores e mostra o que sabe fazer”, declarou Josicleide Rufino da Silva, de 21 anos, paciente do Complexo Psiquiátrico Juliano Moreira, ao comentar sobre o sarau, que começou em novembro de 2011 como uma das ferramentas da luta antimanicomial.  O objetivo é trazer a arte para dentro do hospício, de forma livre, onde cada um pode expressar o seu sentimento.

Os pacientes do Espaço Inocêncio Poggi, unidade do Complexo para pessoas em sofrimento psíquico pelo uso abusivo das drogas, por exemplo, aproveitaram para cantar raps com letras que retratam o cotidiano das comunidades onde moram e a vontade de seguirem frente. Os servidores também apresentam suas performances artístico-culturais, como o advogado Ramon Bronzeado, um dos grandes incentivadores do sarau, que cantou a ciranda “Balaio de Feira”, composta por ele: “Nem todo negro é escravo; Nem toda descida é ladeira; Nem todo doido é maluco prá morar num balaio de feira…”

O arteterapeuta Diego Bamboocha, participante assíduo das ações culturais do Juliano Moreira, declamou um poema que faz referência ao trabalho desenvolvido no Complexo durante um ano da gestão de Flávia Fernando. “Um caroço incrustado com cem mentes de revolução. Cavado o buraco no chão do hospício, regado a choros e risos, há de crescer a árvore frondosa com grossos galhos capazes de envergar grades e frutos doces chamados: liberdade.”
Emocionada, a psiquiatra Flávia Fernando agradeceu as homenagens e se despediu fazendo um apelo: “Que sigam cultivando as sementes que semeamos juntos!”.