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Umbandistas de jurema lutavam há mais de 35 anos pelo tombamento

sexta-feira, 13 de novembro de 2009 - 14:52 - Fotos: 

O Conselho Deliberativo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico da Paraíba (Iphaep) aprovou este ano o tombamento do Sítio de Acais, localizado no município de Alhandra – Litoral Sul do Estado. Por conta disso, o presidente do órgão, professor Damião Ramos Cavalcanti, recebeu em reunião, na manhã desta sexta-feira (13), em seu gabinete, o presidente Nacional da Sociedade Yurobana Teológica de Cultura Afro-Brasileira – sede no Rio de Janeiro, Eduardo Fonseca Júnior, e comitiva; o presidente da Federação Cultura Paraibana de Umbanda, Candomblé e Jurema, Pai Beto, além de outras representações do Umbandismo do Estado.

De acordo com o professor Damião Ramos, a comitiva veio agradecer a iniciativa  do governador José Maranhão, através do IPHAEP, em realizar o tombamento do “Sítio Acais” – primeiro tombamento em solo paraibano sob a guarda das religiões de matriz afro-indígena-brasileira e que há muito tempo era solicitado por essas religiões. “Quando o governador me nomeiou para o órgão percebi que alguns processos estavam com um certo retardo e, dentre eles, o tombamento do sítio o qual os umbandistas de jurema lutavam há mais de 35 anos para que tivesse esse destaque. E esse ato do governador teve repercussão em várias cidades do Brasil, onde recebemos diversos elogios”.

Para o presidente Nacional da Sociedade Yurobana Teológica de Cultura Afro-Brasileira – sede no Rio de Janeiro, Eduardo Fonseca Júnior, o tombamento do sítio é importante não só para a Paraíba, mas para o Brasil e que muitos seguidores do Rio de Janeiro vivem em torno de mestres de Alhandra. Para ele, o tombamento será uma homenagem a Maria do Acais, Damiana Guimarães e Mestre Flósculo Guimarães e todos os personagens que viveram no sítio.

“Estamos há 35 anos tentando tombar o sítio e o IPHAEP em cinco meses conseguiu isso”, disse Eduardo, explicando ainda que na próxima terça-feira (17), o grupo será recebido em audiência pelo o governador José Maranhão, no Palácio da Redenção. “Na ocasião vamos expor a importância do tombamento e agradecer  por essa iniciativa, porque para algums milhares de juremeiro que cultiva a jurema vê tudo isso oficializado e sacramentado legalmente é mais importante do que qualquer outra coisa.”

Já o Pai Beto destacou que a importância do tombamento é fundamental para todo os juremeiros. “A Jurema é uma religião que avançou a fronteira de todo Brasil e o Acais é um solo sagrado onde viveram mestres e mestres que curavam e prestaram um serviço social, através da força espiritual e, ao morrerem, o solo foi considerando sagrado.” explicou Pai Beto, que este ano recebeu o título de Guardião da Jurema Sagrada. Ele disse ainda que a inciativa do governador foi muito importante. “Nossa religião vem vivendo um momento único, estamos sendo assistidos pelos poderes e o apoio do Governo do Estado é de extema importância para nós”.

O Sítio – Sítio Acais, nos trinta anos, foi habitado por antigos benzedores e juremeiros, Maria do Acais, Zezinho do Acais, Mestre Flósculo, além de visitados e solicitados por pessoas de todas as partes do mundo para realizarem trabalhos de cura. O tombamento desse sítio é considerado histórico em função de ser uma luta travada por umbandistas, juremeiros e juremaeiras de todo Brasil, desde a década de 70, e por ser também o primeiro tombamento em solo paraibano sob a guarda das religiões de matriz afro-indígena-brasileira. As terras foram passando de geração em geração, na família, até que foram vendidas. Desde então, o sítio tem sido alvo de destruição da memória dos juremeiros e da cultura paraibana em sua essência e hoje se encontra em estado lamentável.

Mônica Nóbrega, com fotos de Walter Rafael, da Secom PB