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UEPB é marcada por grandes obras de arquitetos de renome

sexta-feira, 13 de novembro de 2009 - 09:31 - Fotos: 

Excelência, beleza e funcionalidade. A união destes três elementos é uma das prerrogativas da Universidade Estadual da Paraíba, quando se trata da execução de novos empreendimentos. Marcada por grandes obras advindas da genialidade de arquitetos aclamados em todo o Brasil e também no exterior, a Instituição pode destacar a construção do Museu de Arte da UEPB – localizado no Catolé – e a do Museu de Arte Popular da Paraíba, que estará brevemente situado às margens do Açude Velho. O primeiro é resultado da inventividade de Acácio Gil Borsoi e Janete Costa e, o segundo, é fruto da mente criativa de Oscar Niemeyer.

As duas obras, que estão sendo construídas com recursos próprios, vêm demonstrar o empenho da UEPB em promover o fazer artístico e a cultura do Estado, fomentando para, além disso, o desenvolvimento humano. A reitora Marlene Alves apontou que as obras permitem, ainda, a consolidação e ampliação da política cultural da Universidade Estadual da Paraíba.

"O valor de ambos os museus é inestimável para a UEPB. Não somente por serem criação de arquitetos reconhecidos pela estética de suas obras, mas por se configurarem como um local privilegiado para toda a comunidade. Com estas ações, fortalecemos a relação cultural que já existe entre a UEPB e toda a população paraibana", explicou. Marlene acredita que a arte é essencial para a formação de uma sociedade mais sensível e consciente de seus valores e responsabilidades. "Tudo que é relacionado à cultura também faz parte da educação. Ao construir espaços culturais, a Universidade pretende contribuir para uma sociedade mais humanitária através do favorecimento da arte", acrescentou.
 
As obras do Museu de Arte estão em ritmo acelerado, dispondo de cerca de 50 operários trabalhando de maneira contínua. Assim, brevemente, a população paraibana conhecerá uma das últimas obras realizadas por Borsoi e Janete. Serão mais de 1.500 m² de área construída, composta por dois salões grandes, destinados a exposições permanentes, um salão para exposições temporárias, mezanino, sala de reuniões e biblioteca, tudo em um ambiente climatizado e com sistema de combate a incêndios para proteção das exposições e acervos.

Além disso, haverá amplo estacionamento, sala de recepção, auditório com capacidade para 132 pessoas, lanchonete, livraria, sala de aulas e oficinas. O local também possui a preocupação de fornecer fácil acesso aos portadores de necessidades especiais.

Segundo Albini Brandão, engenheiro da Engemat, empresa responsável pela construção do Museu, as obras estão em bom andamento e acompanham o cronograma previsto. “Toda parte de estrutura, a exemplo da cobertura, concreto estrutural e piso, já foi finalizada, faltando apenas os acabamentos e instalações, que já começaram a ser feitos, mas requerem um pouco mais de tempo”, disse. Assim, o Museu de Arte possibilitará o fortalecimento do turismo cultural e o desenvolvimento do potencial artístico das comunidades campinense e paraibana.

Já o Museu de Arte Popular da Paraíba, conhecido como Museu dos Três Pandeiros, por homenagear grandes estrelas da música paraibana, a exemplo de Sivuca, Marinês e Jackson do Pandeiro já teve sua execução licitada. Em breve, as construções devem ser iniciadas. O projeto museológico prossegue em andamento, mas a idéia é que cada uma das três estruturas circulares, que recordam as formas dos pandeiros, exponha um determinado gênero artístico.
 
Sobre Acácio Gil Borsoi, Janete Costa e Oscar Niemeyer

Acácio Gil Borsoi nasceu no Rio de Janeiro, em 1924, e se envolveu com a arquitetura ainda muito cedo, observando o pai, o desenhista Antônio Borsoi, trabalhar no escritório de marcenaria. Em 1949, ele se formou arquiteto pela Faculdade Nacional de Arquitetura da Universidade do Brasil. Borsoi atuou como consultor do Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Sphan, atual Iphan) por 15 anos. Mudou-se para o Recife em 1951, quando foi convidado a assumir a cadeira da Escola de Belas Artes de Pernambuco. Na oportunidade, foi um dos responsáveis pela reformulação do curso de arquitetura do Estado. Em 2005, recebeu o Colar de Ouro do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), na Bienal Internacional de Arquitetura, em São Paulo, prêmio máximo da arquitetura brasileira. Faleceu no dia 04 deste mês, em São Paulo, vítima de câncer. Entre suas inúmeras obras de destaque figura o Palácio da Guanabara, no Rio de Janeiro.

Janete Ferreira da Costa nasceu na cidade de Garanhuns, em 1932. Formou-se arquiteta pela Faculdade Nacional de Arquitetura (RJ), além de estudar Planejamento de Interiores no Instituto Joaquim Nabuco, no Recife. A decoradora foi responsável por centenas de projetos de arquitetura de interiores e ambientação de residências, prédios públicos, escritórios de empresas e hotéis, tendo projetos executados em todo o Brasil e para além das fronteiras do país. Desde cedo, manifestou a sua preocupação com os artistas populares e com a sua inserção no mercado de trabalho. O ideal de Costa foi o de fazer com que a arte, a arquitetura e o design no Brasil expressassem as identidades culturais locais. A sua ação foi decisiva na valorização da arte popular brasileira e dos artistas, visando a inclusão social e a geração de renda através de seus projetos. Faleceu em 28 de novembro de 2008, deixando viúvo Acácio Gil Borsoi, com quem foi casada por mais de 40 anos.

Oscar Niemeyer Ribeiro Soares Filho nasceu em 15 de dezembro de 1907, na cidade do Rio de Janeiro. Em 1955, durante o governo de Juscelino Kubitschek, assumiu a chefia do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Novacap (Companhia Urbanizadora da Nova Capital), responsável pela construção de Brasília. Entre os edifícios residenciais, comerciais e administrativos que Niemeyer projetou para a capital, estão a Catedral de Brasília, o Palácio do Planalto, o Palácio da Alvorada (residência do presidente da República), os prédios dos ministérios e o Congresso Nacional. Suas obras – prédios-esculturas – estão presentes não somente no Brasil, mas também nos Estados Unidos, França, Alemanha, Argélia, Itália e Israel, entre outros países. Corajoso, Niemeyer não hesitou em desprezar honrarias em prol de suas idéias, tendo se desligado da Academia Americana de Artes e Ciências em protesto contra a guerra do Vietnã. Além disso, fez diversos projetos gratuitamente, em benefício das causas que inspiravam sua construção.

Ascom/UEPB