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Técnicas de plantio, adubagem e comercialização melhoram vida e renda de pequenos produtores de citros

sexta-feira, 21 de julho de 2017 - 12:04 - Fotos:  Secom-PB

Setenta pequenos agricultores tiveram acesso a técnicas de produção, adubagem e orientações sobre comercialização durante o ‘Dia Especial do Manejo Agroecológico de Citros e Hortaliças’, realizado por técnicos da Emepa, Interpa e Emater na Estação Experimental e no Sítio Pau Ferro, no município de Lagoa Seca.

A atividade integrou o projeto de transferência de tecnologia do cultivo agroecológico de citros na região do agreste. O objetivo é incrementar essa atividade produtiva e gerar renda para as famílias agricultoras. O projeto tem parceria da Universidade Federal da Paraíba e a Cooperativa de Projetos e Assistência Técnica e Capacitação do Nordeste.
Foi uma oportunidade para refletir o processo de transição agroecológica já vivenciado no Território da Borborema e que agora está sendo implantado na Estação Experimental de Lagoa Seca.

Adubagem e uso do solo – Durante o evento os agricultores puderam avaliar resultados alcançados com uso do pó de rocha MB4 como fonte alternativa de fertilizante e o correto uso do solo.
Segundo a coordenadora do projeto, a pesquisadora Ivonete Berto Menino, a agricultura agroecológica visa, entre outros fatores, a produção de alimentos livres de insumos industrializados e, para isso, busca um manejo adequado do solo, com diversidade de culturas, controle de pragas pelo próprio cultivo e períodos para descanso da terra, a fim de que ela se refaça em termos de equilíbrio biológico e nutricional.
O pesquisador da Emepa Ivanildo Cavalcanti de Albuquerque explicou e demonstrou tecnologias que permitem o cultivo agroecológico do citros no agreste. Ele ressaltou a importância da qualidade das mudas de laranja e detalhou aspectos sobre a seleção da variedade copa e porta-enxerto, escolha da área e fertilidade do solo, lembrando os cuidados com a prática do plantio e tutoramento, adubação verde, usando pó de rocha e compostos orgânicos, e cobertura morta. Também destacou a poda, identificação, combate e manejo de pragas e doenças, defensivos orgânicos, produção/raleamento dos frutos.
A pesquisadora Ivonete Berto Menino lembrou que na região do Agreste, em especial o município de Matinhas, o maior produtor de citros do Estado, é fundamental incentivar o cultivo agroecológico e manejo adequado para proporcionar alimentos saudáveis e o desenvolvimento da cadeia produtiva.
Hortaliças – Outro momento do dia especial foi dedicado à produção de hortaliças, com palestras dos pesquisadores Luciano de Medeiros Pereira e João Felinto dos Santos, da Unidade de Validação Tecnológica do Sítio Pau Ferro, localizada no distrito de Alvinho, em Lagoa Seca.

Foram apresentados os resultados de pesquisas na escolha das culturas, as espécies de acordo com o sistema e o mercado, aquisição de sementes, escolha e preparo da área, adubação com pó de rocha, adubação orgânica, adubação verde, mucana preta e feijão-de-porco. Também com o uso de biofertilizantes, produção de mudas em bandejas, o controle alternativo de pragas e doenças e, por fim, o sistema de irrigação por meio de painel solar fotovoltáico. Entre outros assuntos, discutiram a comercialização, com venda aos restaurantes, diretamente às famílias e por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

O agricultor Adalberto Alves de Oliveira, que há três anos disponibiliza seu imóvel rural para a realização das pesquisas da Emepa-GU, deu testemunho sobre os excelentes resultados até agora obtidos com os experimentos realizados em sua propriedade. O evento serviu para demonstrar a viabilidade econômica, social e ambiental do sistema agroecológico em hortaliças.

Adalberto trabalha em dois hectares, empregando 36 pessoas entre familiares e vizinhos, permanentes e diaristas. “Nosso propósito é obter produtos agrícolas dentro dos padrões exigidos pelo mercado, apesar da contínua exploração da área”, comentou.
Consumidor pode colher – Os produtos são comercializados nas feiras agroecológicas familiar de Lagoa Seca e Campina Grande, além da comercialização vinculada ao PAA e PNAE e diretamente ao consumidor no próprio local, podendo este fazer a própria colheita de suas hortaliças.

O agricultor tem alcançado sucesso nas suas terras, porque segue rigorosamente as orientações dos técnicos, no sentido de manter o equilíbrio agroecológico do sistema. Seu pomar é utilizado para a realização de oficina e dias especiais sobre os métodos de trabalho.