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Teatro Santa Roza: casa de espetáculos e guardião da história da Paraíba ganhará reforma

quarta-feira, 10 de outubro de 2012 - 14:30 - Fotos:  Francisco França/Secom-PB

O Teatro Santa Roza, tradicional casa de espetáculos e construção histórica da capital paraibana, irá passar por uma revitalização. A reforma faz parte do pacote de obras previsto pelo Governo do Estado para João Pessoa. Pela beleza de sua arquitetura e herança cultural que carrega, o Santa Roza pode ser considerado um dos mais importantes monumentos do Estado, bem como um guardião da história paraibana. No próximo dia 03 de novembro, o monumento completa 123 anos de fundação.

De acordo com a Superintendência de Obras do Plano de Desenvolvimento do Estado da Paraíba (Suplan), a reforma inclui: recuperação na coberta do teatro; polimento no piso em taco de madeira; recuperação nos lambris, recuperação e/ou substituição de janelas e portas, inclusive nos camarins; restauração da fonte lateral; revisão na rede elétrica com especial atenção aos lustres do salão; revisão na rede hidro-sanitária; recuperação dos banheiros; retirada com substituição da coberta em telha canal do palco externo e pintura interna e externa de todo o teatro. Os investimentos são da ordem de R$ 745.497,58.

Por se tratar de um prédio tombado, as obras serão executadas com extremo cuidado e sob o monitoramento do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (Iphaep), como explicaram a diretora técnica da Suplan, Simone Guimarães e o atual diretor administrativo do Teatro, Max Ítalo.

O teatrólogo Roberto Cartaxo, chefe da divisão de teatro da Funesc e ex-diretor do Santa Roza, destacou que reformas anteriores no equipamento aconteceram em 1917, 1955, 1971, 1979 e 1989. Ele conta que ao longo dos 123 anos de existência, o teatro recebeu peças e atores de grande importância, e lembra que na inauguração as peças em cartaz foram “O órfão e o Mendigo” e “Tão bom e o pai como o filho”, da Sociedade Santa Cruz. “Todos os espetáculos e seus atores estão registrados no livro ‘Santa Rosa 120 anos’, de Fátima Araújo”, revela o teatrólogo.

História – O velho Teatro, além de espetáculos, histórias de atores e atrizes grandiosos, guarda história, literalmente. Não teve apenas apresentações teatrais, mas também de dança e musicais. O Santa Roza foi cinema de 1911 a 1941 e a exibição do primeiro filme falado na Paraíba aconteceu lá, em 1932. O espaço também abrigou a Assembleia Legislativa, entre os anos de 1929 e 1930. Neste período, se deu a mudança do nome da capital (chamada então Parahyba) para João Pessoa, bem como a mudança da bandeira oficial do Estado para vermelho e preto, em homenagem ao ex-governador João Pessoa, assassinado em 1930.

O Teatro Santa Roza foi inaugurado em 03 de novembro de 1889, ano da proclamação da República do Brasil. Tem estilo arquitetônico neoclássico, com influência greco-romana, possuindo colunas gregas com capitéis na fachada e esquadrias em arco pleno. Tem linhas influenciadas pelo barroco italiano e entre os materiais de construção empregados há pedras calcárias e pinho de Riga.

A obra foi concluída na administração de Francisco Luís da Gama Rosa – último presidente do Império na Paraíba – e o nome do teatro é homenagem ao seu empenho em concluir as obras, que se arrastavam por mais de 15 anos. Foi acrescentado o vocábulo ‘Santa’ por pura influência religiosa.

Grafia – Sobre a confusão da grafia original – Santa Rosa ou Santa Roza – Roberto Cartaxo diz que, segundo a escritora Fátima Araújo, houve erro de grafia. “Ela alega isso baseada em cartazes e anúncios para a imprensa da época, bem como em documentos do Palácio do Governo guardados no arquivo público”, diz.

De fato, o nome do homenageado, Gama Rosa, é escrito com ‘s’. Na fachada do prédio essa palavra foi impressa com ‘z’, numa transposição fonética por força do som e grafia utilizada em épocas antigas. Uma votação no Iphaep, em 1989, optou pela permanência do ‘z’, por ter virado tradição incorporada.