Fale Conosco

18 de setembro de 2012

Situação da mulher vítima do narcotráfico é tema de discussão na SEMDH



A Secretaria de Estado da Mulher e da Diversidade Humana (SEMDH) reuniu, na tarde de segunda-feira (17), representantes da Rede Estadual de Atenção às Mulheres Vítimas de Violência, para discutir sobre o envolvimento de mulheres com o narcotráfico. A reunião aconteceu no auditório da Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba (Aesa), na avenida Epitácio Pessoa, na capital.

Segundo a gerente operacional de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, da SEMDH, Cândida Magalhães, a reunião teve o objetivo de discutir a real situação das mulheres que sofrem violência pelo envolvimento com o tráfico e também o de planejar medidas de combate a essa problemática.

“O envolvimento de mulheres no narcotráfico é um problema complexo. Nós precisamos discutir e construir coletivamente estratégias de enfrentamento e combate à violência contra as mulheres”, disse Cândida Magalhães. Ela falou que muitas mulheres abandonam o lar, o trabalho e até a própria família para viver no tráfico. “Existe um grande número de mulheres que entram no tráfico por influência do marido ou companheiro, e muitas são ameaçadas. Algumas são, inclusive, obrigadas a se prostituir”,relatou.

A violência contra a mulher na Paraíba, associada ao narcotráfico, tem crescido numa velocidade incontrolável. O envolvimento da mulher no espaço da contravenção e crime é motivado por uma variedade de pressões socioculturais e econômicas onde ela desempenha funções subalternas na escala hierárquica do crime.

“A dívida no tráfico é imperdoável e muitas mulheres são vítimas, sendo usadas até como moedas do tráfico. Quando um traficante é preso e não tem como pagar as dívidas, automaticamente a sua companheira é alvo de ameaças e até de morte”, disse Cândida Magalhães.

Como definição de estratégia de combate aos crimes de mulheres pelo narcotráfico na Paraíba, ficou decidido que é preciso aumentar e dar maior visibilidade aos serviços de atendimento às mulheres, com a implantação de outros equipamentos e ampliação dos já existentes, além da criação de campanhas educativas e envolvimento de outros estados.

A reunião teve a participação de representantes da Ouvidoria da Secretaria de Segurança do Estado, do Conselho Estadual dos Direitos Humanos, Delegacia de Repressão a Entorpecentes, Ortotrauma de Mangabeira, Fazenda Nossa Senhora da Guia (Fazenda Esperança Feminina) e da Comissão de Políticas de Segurança, da Organização dos Advogados do Brasil (OAB/PB).

A próxima reunião da Rede Estadual de Atenção às Mulheres Vítimas de Violência está programada para acontecer no dia 15 de outubro, às 14 horas, no mesmo local.

Dados – Segundo dados da Secretaria de Segurança do Estado, no primeiro semestre deste ano, 31% das motivações de crimes contra mulheres no Estado estão relacionadas ao envolvimento com o tráfico, superando inclusive o de mulheres vítimas de violência doméstica que é de 29%. Esses dados mostram ainda que 16% desses homicídios estão ligados à vingança, 3% ao estupro seguido de morte e 19% com envolvimento em outros crimes.

Serviços – As mulheres em situação de violência podem encontrar ajuda em quaisquer serviços disponíveis no Estado, como os Centros de Referências da Assistência Social (Creas), os Centros de Referência da Mulher e Delegacias.