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22 de novembro de 2011

SES lança campanha contra a raiva animal e faz o ‘Dia D’ da vacinação no sábado



A Secretaria de Estado da Saúde (SES) lançará nesta quarta-feira (23) a campanha contra a raiva animal, no Hotel Ouro Branco, em João Pessoa. Durante o lançamento, técnicos e funcionários da saúde receberão treinamento para que conscientizem a população sobre a necessidade de vacinação dos animais.

“É importante esclarecer as pessoas de que elas não precisam ter medo da vacina, porque o Ministério da Saúde fez modificações e os óbitos de animais registrados no ano passado em consequência da vacina não voltarão a acontecer. Vamos explicar no lançamento o que mudou e porque a vacina do ano passado ocasionou a morte de alguns animais”, enfatizou o chefe do Núcleo de Controle de Zoonoses, Francisco de Assis Azevêdo.

Neste ano, eventuais casos desse tipo serão notificados através do portal do DataSUS (www.datasus.com.br), do Ministério da Saúde.

A campanha já foi iniciada esta semana em todos os municípios paraibanos com a vacinação dos animais da zona rural e de locais de difícil acesso. Até setembro deste ano, foram registrados nove casos de raiva animal, sendo um caso em morcego e oito em bovinos. No ano passado, foram registrados um caso de raiva canina e 13 casos em bovinos. Na Paraíba, o último caso de raiva humana registrada aconteceu no ano de 1999.

A SES já distribuiu para as Gerências Regionais de Saúde 656 mil doses de vacina e igual número de seringas e agulhas para utilização durante a campanha de vacinação contra a raiva animal. A meta da Paraíba é imunizar 589.461 animais, sendo 398.925 cães e 190.536 gatos.

No sábado (26) será o “Dia D” da campanha, quando a imunização será concentrada na zona urbana. No período das 8h às 17h, mais de 800 postos de vacinação estarão abertos nos 223 municípios do Estado, mobilizando aproximadamente seis mil profissionais de saúde.

Segundo Francisco de Assis Azevedo, serão utilizadas seringas e agulhas descartáveis na proporção de uma seringa e uma agulha para cada animal vacinado. O objetivo é proporcionar mais qualidade ao serviço e evitar contaminações.

Azevedo explicou que, pelo terceiro ano consecutivo, será utilizada a vacina de cultivo celular em cães. O imunizante faz parte de um protocolo assinado entre os países latinoamericanos e a Organização Mundial de Saúde (OMS), que pretende eliminar até o ano de 2012 a raiva humana transmitida por cães, principal fonte de infecção no ciclo urbano. “Esse tipo de vacina tem melhor resposta imunológica e apresenta ação mais duradoura”, ressaltou.

Vigilância da raiva em morcegos – A gerente executiva de Vigilância em Saúde, Júlia Vaz, também informou que a Secretaria de Estado da Saúde (SES) trabalha em conjunto com a Secretaria Municipal de São José do Egito (PE), a Secretaria de Saúde e Agricultura do Estado de Pernambuco e a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) para monitorar a raiva em quirópteros (morcegos).

O monitoramento da doença é feito em nove municípios que se unem à divisa pernambucana: Água Branca, Amparo, Imaculada, Juru, Matureia, Ouro Velho, Princesa Isabel, Tavares e Teixeira. São realizadas análises do material encefálico dos animais encontrados mortos na região para que seja feito controle da doença entre os morcegos e evitar que eles possam transmiti-la para outros animais através de mordidas ou arranhaduras.

A doença – A raiva é uma doença infecciosa aguda, de etiologia viral, transmitida ao homen por mordedura, arranhadura, lambedura de mucosas ou pele lesionada por animais raivosos, provocando uma encefalite viral aguda. A transmissão ocorre quando o vírus rábico existente na saliva do animal infectado penetra no organismo.

A doença acomete o sistema nervoso central, levando ao óbito após curta evolução. É letal em aproximadamente 100% dos casos, por ser causada por um vírus mortal, tanto para os homens quanto para os animais, e a única forma de evitá-la é pela vacinação anual, que não tem contraindicação.

A raiva apresenta quatro ciclos de transmissão: no ciclo rural, os bovinos, ovinos, caprinos, suínos e equídeos são os principais elementos transmissores; no ciclo silvestre, as raposas, guaxinins, macacos e roedores têm maior destaque na transmissão da doença; no ciclo aéreo, os morcegos representam o maior perigo; e no ciclo urbano os principais elementos responsáveis pela manutenção do vírus rábico são os cães e gatos.