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SES desenvolve ações e implanta serviços para reduzir mortalidade materna

quinta-feira, 27 de maio de 2010 - 15:23 - Fotos: 
Nos últimos cinco anos, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde (SES), 109 paraibanas morreram na gestação ou em até 42 dias após o término da gravidez. Nesta sexta-feira (28), comemora-se o Dia Nacional de Luta pela Redução da Mortalidade Materna. A Gerência Executiva de Ações Programáticas e Estratégicas (Geape/SES) e o Comitê Estadual de Redução e Controle da Morte Materna aproveitam a ocasião para fazer um balanço das ações e serviços implementados no Estado para a redução dos óbitos maternos. A falta de assistência ainda é apontada como a principal causa das mortes. Para mudar isso, a SES está incentivando a qualificação do pré-natal, do parto e puerpério.

Outras estratégias também estão sendo adotadas, como a educação em saúde voltada para profissionais, a qualificação dos registros e investigações de óbitos e a mobilização social no combate à mortalidade materna e neonatal. Como parte da programação estadual para a redução dos óbitos maternos, no próximo dia 10 de junho, no Quality Hotel Faraó, no bairro Cabo Branco, em João Pessoa, a Geape promoverá o Fórum Estadual de Atenção Humanizada Materna e Neonatal, com a participação de representantes de 21 municípios do Estado.  

“O objetivo desse fórum é trazer os gestores para a construção de uma carta de responsabilização de prefeitos e secretários de saúde, com objetivo de monitorar, em parceria com o Ministério Público, a ações desenvolvidas nos 21 municípios prioritários para a redução da mortalidade infantil: Alhandra, Bayeux, Cabedelo, Guarabira, Itabaiana, João Pessoa, Mamanguape, Santa Rita, Sapé, Alagoa Grande, Areia, Campina Grande, Esperança, Juazeirinho, Monteiro, Queimadas, Taperoá, Patos, Princesa Isabel, Cajazeiras e Sousa.”, afirma Juliana Soares, gerente-executiva de Ações Programáticas e Estratégicas.

De acordo com Juliana Soares, existem três principais causas de morte materna: infecção materna no momento do parto, antes e depois; hemorragia evoluindo com choque hemorrágico e, por último, a doença hipertensiva específica da gravidez. “Esta última é a mais frequente e pode levar à falência de múltiplos órgãos. O pior é que cerca de 90% dessas mortes poderiam ter sido evitadas”, alertou.

Dias melhores – Para o presidente do Comitê Estadual de Redução e Controle da Morte Materna, Eduardo Sérgio, o número de mortes maternas, no Brasil, ainda é muito alto. Ele destacou que a taxa dos países desenvolvidos é em torno de 8 a 10 para cada 100 mil nascidos vivos. “No Nordeste e Paraíba, aproximadamente, os números são de 120 para cada 100 mil nascidos vivos. O principal motivo para o aumento das mortes é a falta de assistência às gestantes (do pré-natal ao parto), que agora começa a ser melhorado com as ações educativas e implantação da UTI materna, na Maternidade Frei Damião (a primeira da Paraíba)”, acrescentou.

Ele ressaltou que a maioria das vítimas de morte materna são mulheres carentes e sem informação. “O perfil destas mulheres corresponde às mulheres excluídas da sociedade. São mulheres com baixa escolaridade, baixo nível sócio-econômico, de cor parda ou negra e cuja gravidez não foi aceita socialmente. Neste contexto, o companheiro, a família e outros membros da sociedade não colaboram quando a intercorrência aparece, levando-as à morte, na maioria das vezes, sem assistência ou com assistência tardia”, disse.  

De acordo com Eduardo Sérgio, o Comitê e o Governo do Estado da Paraíba identificaram entre os 223 municípios, 21 cujas mortes maternas e neonatais correspondem a 50% das ocorridas no Estado. Para entender os fatores que influenciam os óbitos, o Comitê está analisando em parceria com o Estado e municípios, a morte materna e neonatal 2009. A conclusão do estudo está prevista para o próximo mês. E a partir deste ano, estão sendo investigadas e analisadas as mortes das mulheres grávidas na perspectiva dos familiares.

“A análise deste material pode revelar que as ocorrências das mortes maternas e neonatais possuem outras implicações que vão muito além dos motivos médicos relacionados às mesmas. Talvez com estes dados, haja necessidade de um novo direcionamento das ações que tem como finalidade reduzir a mortalidade materna e neonatal”, frisou.

Implantação de UTI materna – Atendendo a uma das ações prioritárias para redução da mortalidade materna, a SES implantou a primeira Unidade de Terapia Intensiva (UTI) materna da Paraíba, com seis leitos, que está funcionando na Maternidade Frei Damião, em João Pessoa. “A iniciativa é um grande passo para a redução da mortalidade materna. Esta UTI já deveria ter sido implantada há mais tempo. Com isso, a Frei Damião vai poder atender os casos de gravidez de risco não só de João Pessoa, mas dos demais municípios da Paraíba”, frisou Eduardo Sérgio, presidente do Comitê Estadual de Redução e Controle da Morte Materna.

Ainda, na Frei Damião, também, está funcionando a Unidade de Cuidados Intermediários (UCI), com quatro leitos. Com os novos serviços, a maternidade se torna referência na Paraíba para gestantes de alto risco. O complexo de saúde é composto ainda por um Banco de Leite Materno, a Unidade de Patologia Cervical e o Centro de Diagnóstico. No local, por mês, são realizados uma média de 300 partos.

Da Assessoria de Imprensa da SES-PB