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19 de maio de 2009

SES cria núcleo para cuidar e expandir política de saúde bucal



Coordenadores de saúde bucal dos 223 municípios paraibanos participaram, na manhã desta terça-feira (19), de um seminário que discutiu estratégias e diretrizes no âmbito da assistência do Programa Brasil Sorridente. A Secretaria Estadual da Saúde (SES) criou um núcleo específico para cuidar da política de expansão da saúde bucal. Segundo o coordenador nacional de Saúde Bucal do Ministério da Saúde, Gilberto Pucca, até o final deste semestre o Estado será contemplado com laboratórios de próteses dentárias e quatro novos centros de especialidades odontológicas (CEOs), nos municípios do Conde, Mulungu, Alagoa Grande e Santa Cruz.
        
A Paraíba conta atualmente com 37 serviços especializados em odontologia. Para manter esses novos centros, cada município receberá mensalmente R$ 6,6 mil para custeio, além de R$ 40 mil em parcela única, correspondentes a custos com reforma, ampliação ou construção do espaço físico. O CEO oferece à população cirurgia oral, tratamento de canal (endodontia) e de doenças da gengiva (periodontia) e atende pessoas com necessidades especiais.
De acordo com Gilberto Pucca, a Paraíba é o segundo Estado do País que mais avançou na cobertura do Programa Brasil Sorridente, com um percentual de 94,3% de sua população assistida em 1.267 equipes de saúde bucal, distribuídas em 212 municípios. O primeiro é o Piauí.

“Até o lançamento do Brasil Sorridente, em março de 2004, apenas 3,3% dos atendimentos odontológicos feitos no Sistema Único de Saúde (SUS) correspondiam a tratamentos especializados. Na Paraíba, como no restante do Brasil, a quase totalidade dos procedimentos era de tratamento básico, como extração dentária, restauração, aplicação de flúor e resina. Agora, com a expansão dessas ações, principalmente pela cobertura dos CEOs, o Estado está dando as condições necessárias de um atendimento eficaz e digno”, disse.

Núcleo – A secretária-executiva da Saúde, Lourdinha Aragão, disse que a atual gestão criou um núcleo de saúde bucal, com a missão de acompanhar tecnicamente os municípios, oferecendo cooperação e promovendo um mapeamento da assistência no Estado. “Teremos um técnico desse núcleo em cada regional de saúde, dando o suporte necessário aos coordenadores de saúde bucal das secretarias municipais de Saúde”, revelou.

Niedja Rodrigues, gerente-executiva de Atenção Básica em Saúde da SES, acredita que o Estado pode avançar mais, começando pela integração das ações na atenção primária, passando pela qualificação do profissional que atua nas equipes, buscando sempre a melhoria do atendimento à população. “A ampliação e qualificação da atenção básica, possibilitando o acesso a todas as faixas etárias e a oferta de mais serviços, assegurando atendimento nos níveis secundário e terciário de modo a buscar a integralidade da atenção, além da equidade e a universalização do acesso às ações e serviços públicos de saúde bucal”, destacou.

A gerente-executiva de Atenção Básica em Saúde da SES explica que, além do atendimento nos CEOs, o aumento das Equipes de Saúde Bucal (ESBs) integradas ao Programa Saúde da Família (PSF) é outra prioridade da política estadual de saúde bucal. Niedja Rodrigues anunciou a realização de um curso para gestores de atenção básica e de saúde para o segundo semestre do ano. “Vamos unir esforços, pois o caminho do nosso sucesso passa pela qualidade dos serviços que prestamos à população”, justificou.

Números – Todos os cidadãos têm direito aos serviços oferecidos pelos CEOs, mas, para isso, precisam ser atendidos previamente pelas equipes de atenção básica, postos de saúde e unidades básicas de saúde. Dados SB Brasil 2003, o mais completo levantamento sobre saúde bucal no país, mostram que no Brasil, menos de 22% da população adulta e menos de 8% dos idosos apresentam as gengivas sadias.

Quase 27% das crianças de 18 a 36 meses apresentam pelo menos um dente decíduo com experiência de cárie dentária, sendo que a proporção chega a quase 60% das crianças de 5 anos de idade. Quanto à cárie dentária na dentição permanente, quase 70% das crianças brasileiras de 12 anos e cerca de 90% dos adolescentes de 15 a 19 apresentam pelo menos um dente permanente com experiência de cárie dentária. Em média, uma criança brasileira de 3 anos ou menos já possui, pelo menos, um dente com experiência de cárie dentária.