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SES capacita profissionais de saúde para o diagnóstico da tuberculose

segunda-feira, 2 de junho de 2014 - 17:56 - Fotos:  Antonio David / Secom-PB

A Secretaria de Estado da Saúde (SES), em parceria com o Ministério da Saúde e o Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen-PB), promoveu nesta segunda-feira (2), no auditório do Complexo Hospitalar Clementino Fraga, uma capacitação para o diagnóstico da tuberculose. A intenção é qualificar profissionais de saúde de vários municípios, descentralizando o serviço da capital, para que possam realizar o diagnóstico da tuberculose com excelência – através da cultura pelo método Ogawa-Kudoh (OK), que consegue a maioria das espécies de micobactérias e tem as vantagens do baixo custo e rapidez nos resultados.

Estiveram presentes no evento profissionais que já atuam no diagnóstico laboratorial da tuberculose em oito municípios: João Pessoa, Campina Grande, Santa Rita, Cabedelo, Patos, Cajazeiras, Sousa e Baía da Traição. “O município de Cabedelo, por exemplo, já tem atuado muito bem com o método OK. Convidamos os profissionais de lá para dar depoimentos e mostrar aos demais que é simples implantar e facilita o trabalho, além de ser mais seguro”, disse a coordenadora geral do Núcleo de Controle da Qualidade (NUCQL), do Lacen-PB, Lúcia Cristina de Aguiar Correa.

De acordo com o analista químico do Lacen-PB, Bergson Vasconcelos, a meta do Estado é descentralizar, completamente, e em curto prazo – especialmente, do Hospital Clementino Fraga – o diagnóstico de tuberculose. “Nossa tentativa é fazer com que o maior número possível de profissionais, em toda a Paraíba, tenha conhecimento do método de Ogawa-Kudoh, que é simples, rápido e barato. Capacitando esses profissionais, não só João Pessoa ,mas toda a Paraíba estará apta a receber possíveis pacientes”, afirmou.

Ainda segundo Bergson, o objetivo dessa capacitação é melhorar a qualidade de vida dos pacientes. “Precisamos tirar a cultura da ‘ambulancioterapia’ e fazer com que o paciente não necessite se deslocar para capital para fazer uma coleta de escarro, por exemplo. A tuberculose tem cura e atualmente já tem uma rede segura e precisa de um diagnóstico de ponta. Futuramente, quando o método Ogawa já estiver difundido, nós queremos implantar os testes de sensibilidade e identificação de todas as classes da microbactéria que causa a doença”, alertou.

Para Solange Alves Vinhas, professora da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e funcionária da Secretaria da Saúde daquele estado, a população só tem a ganhar com a difusão do método OK. “Na região metropolitana de Vitória-ES, já constatamos um aumento de 25% na detecção de casos de tuberculose. E, a partir do momento em que a doença é diagnosticada, inicia-se o tratamento e, consequentemente, a transmissão é atenuada”, exemplificou.

O farmacêutico e bioquímico na Unidade Básica de Saúde de Mandacaru, Ronil Vilarim, foi um dos participantes da capacitação. “Nós começamos a trabalhar há 30 dias com o método Ogawa em Mandacaru, mas existiam muitas divergências. Lá nós recebemos, por dia, cerca de 15 amostras vindas de presídios pessoenses e, para facilitar nosso trabalho, aqui vamos tirar as dúvidas e agilizar os resultados com segurança”, disse.

Método Ogawa-Kudoh – O método Ogawa-Kudoh (OK) é destinado ao cultivo e isolamento de diferentes espécies de Mycobacterium ­– gênero de actinobactérias, altamente patogênicas, associadas a doenças comuns como a própria tuberculose e até lepra – em amostras clínicas diversas. Esse método consegue a maioria das espécies de microbactérias e tem as vantagens do baixo custo e rapidez nos resultados. O OK baseia-se na cultura (considerada o padrão ouro para o diagnóstico da tuberculose) e sua formulação foi modificada focando otimizar a descontaminação.

A metodologia OK apresenta as seguintes vantagens:

- Fácil execução;

- Baixo risco de contaminação para o manipulador, bem como do cultivo;

- Boa sensibilidade para detecção de M. tuberculosis em amostras de escarros.