João Pessoa
Feed de Notícias

SEDH vai abrir edital para contratar organizações da sociedade civil para a construção

terça-feira, 1 de dezembro de 2009 - 10:04 - Fotos: 

A Secretaria de Desenvolvimento Humano (SEDH) envia nesta terça-feira (01) ao Ministério de Desenvolvimento Social e de Combate à Fome o Projeto ‘Cisternas Água para Todos’ – Segunda Etapa, que prevê a construção  de seis mil cisternas na região do Semi-árido paraibano em cerca de 100 cidades. As cisternas de placas serão construídas na zona rural e vão beneficiar mais de seis mil famílias. As obras estão previstas para início de 2010.
        
O déficit de cisternas no semi-árido brasileiro chega a mais de um milhão e meio de cisternas, de acordo com o Ministério de Desenvolvimento. Diante deste quadro, o Governo federal vem priorizando a construção do equipamento para melhorar a cobertura de segurança alimentar na região.
       
O projeto do governo do Estado está orçado em R$ 8 milhões e a SEDH vai abrir edital para contratar organizações da sociedade civil, que deverão construir as cisternas. Caberá também à Secretaria a fiscalização da construção de cada cisterna de placas de 16 mil litros.
Cadastramento de famílias
         
Segundo a secretária de Desenvolvimento Humano, Giucélia Figueiredo, terão acesso às cisternas às famílias que vivem abaixo da linha de pobreza, isto é, que ganham menos de um salário mínimo. Para selecioná-las, a SEDH fará parceria com os Conselhos Municipais  de Segurança Alimentar para cadastramento das famílias.

Os conselhos farão os levantamentos das famílias que precisam do equipamento e através de critérios que serão estabelecidos por edital. “De forma paralela à construção das cisternas, as famílias participam de capacitações em gerenciamento de recursos hídricos. É o momento da discussão sobre como é possível a convivência com o Semi-árido e de como cuidar da cisterna para que ela ofereça água de qualidade o tempo todo”, disse.
        
As cisternas serão construídas em áreas de difícil acesso e carentes de água boa para beber. O custo de uma cisterna é de R$ 1.329,26. Segundo a assessora de Projetos Técnicos da SEDH, Edna Nascimento, o  principal objetivo é fornecer água de boa qualidade para famílias, que vão deixar de consumir água salobra e dividi-las com animais durante o período normal de estiagem. As cisternas de placas são familiares e atende até cinco pessoas.

Capacitação para uso racional da água
       
Segundo Edna Nascimento, além da construção da cisterna as famílias receberão capacitação para fazer uso racional da água e ter acesso a informação sobre noções de higiene e cuidados com a saúde. O governo do Estado também vai capacitar 300 pedreiros dos municípios onde serão construídas as cisternas para que eles aprendam a dominar a técnica de cisternas de placas, inventada pelo pedreiro Neu, de Sergipe. O projeto prevê também a capacitação para 300 agentes comunitários de saúde. Como os agentes estão mais perto das famílias, repassarão informações sobre cuidados com a cisterna e higiene coletiva.
       
A secretária explica que um dos segmentos da população mais beneficiados  com a construção das cisternas são as crianças. “Uma das principais causas da mortalidade infantil no Semi-árido são as doenças de veiculação hídrica, causadas pela ingestão de água imprópria para o consumo”, afirma.
        
Na busca de água para beber, as crianças também são utilizadas como mão-de-obra, enquanto pais e mães vão para a lavoura, incentivando o trabalho infantil. Quando são muito pequenas, as crianças ficam em casa sob os cuidados de algum irmão mais velho, enquanto os outros vão buscar água a grandes distâncias. Isso aumenta a probabilidade de acidentes domésticos, acentuando a vulnerabilidade infantil.
 
Cisternas   

A cisterna é uma tecnologia popular para a captação e armazenamento de água da chuva e representa solução de acesso a recursos hídricos para a população rural do Semi-árido brasileiro, que sofre com os efeitos das secas prolongadas, que chegam a durar oito meses do ano. É chamada também de primeira água, pois é a que serve para o consumo das famílias, principalmente, para beber e preparar os alimentos.

Janaína Araújo, da Secretaria de Desenvolvimento Humano