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Sedh prestigia lançamento de documentário na UFPB

terça-feira, 14 de novembro de 2017 - 13:03 - Fotos:  Alberto Machado

A secretaria de Estado de Desenvolvimento Humano (SEDH), em parceria com a Universidade Federal da Paraíba e NEPPS, participou na segunda-feira (13), no Cine Aruanda da UFPB, do lançamento do documentário ‘La Manuela’ sobre exílio e auto reinvenção, com a presença da protagonista Manuela Picq Lavinas, franco-brasileira, jornalista e professora universitária. A ocasião foi marcada com a participação de alunos, professores de vários centros e convidados.

‘La Manuela’ é um documentário sobre uma experiência de exílio e reinvenção, contada de forma íntima e afetuosa, pela diretora Clara Linhart, amiga de infância da ativista franco-brasileira Manuela Picq Lavinas.

Após a exibição do filme foi realizado uma rodada de conversa sobre a temática dos Direitos Humanos com a professora Cida Ramos, do Programa de Pós-Graduação em Serviço Social da UFPB e Secretária de Estado do Desenvolvimento Humano, e com o professor Estevão Palitot, coordenador do Programa de Educação Tutorial Indígena Potiguara e do Programa de Pós-Graduação em Antropologia da UFPB.

Para Manuela, o filme nasceu de uma casualidade quando participava de uma manifestação que marcava o fim da marcha da Confederação de Nacionalidades Indígenas em Quito, no Equador, onde foi pressa por ser tratada como imigrante ilegal.

“Foi uma sensação muito ruim, me vi sozinha sem chão. Minha mãe ao saber que eu estava detida em outro país começou a mobilizar grupos e pessoas para me tirar de lá.  Daí quando cheguei ao Brasil em 2015, no Rio de Janeiro, encontrei uma amiga de infância ativista e cineasta Clara Linhart, começamos a fazer registros e decidimos construir um documentário sobre a exploração do ser humano em exílio, devido às inquietações e desconfortos que estavam acontecendo comigo, assim surgiu essa história de luta e resistência, a experiência de exílio e minha reinvenção de vida”, conta.

Ela ressalta ainda que sua prisão foi uma retaliação política, devido seu companheiro ser o líder indígena Carlos Perez Guartambél. “Fui espancada e pressa por cinco dias, depois deportada. Retiraram de mim toda minha vida, meu companheiro, trabalho, perdi todo meu ambiente social depois de dez anos. É muito violento. Foram arrancados todos os meus direitos humanos de integridade física e emocional. Tudo isso é uma degradação de direitos. Tem muita solidão e tristeza, mas a vida continua”.

Cida Ramos considerou um presente participar de um momento tão importante como esse, com a presença impar da protagonista. “Não é todo dia que encontramos uma ativista que defende as causas e direitos dos povos indígenas, uma história que merece ecoar em toda sociedade da América Latina, especialmente a brasileira, já que vivemos tempos difíceis de retrocesso. Um filme que conta uma trajetória de luta admirável e com muita identidade”, avaliou a secretária.