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Secretaria sugere emergência em municípios produtores, para facilitar a adoção de medidas

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010 - 16:49 - Fotos: 

O Governo do Estado vai tomar todas as precauções para evitar que a incidência da mosca negra dos citros (laranjais) se alastre, trazendo prejuízos para o produtor rural e sugere que os municípios decretem estado de emergência para que facilitar a adoção de ações de controle da praga, segundo informou na manhã desta quinta-feira (11) o secretário do Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap), Ruy Bezerra Cavalcanti, durante reunião com representantes de entidades e de agricultores, na sede da Federação dos Trabalhadores da Agricultura do Estado da Paraíba (Fetag).

Uma comissão que está analisando a extensão da praga vai apresentar nesta sexta-feira (12), em Campina Grande, as medidas a serem adotadas e que podem variar entre o uso de defensivo químico e o combate através do método biológico. O secretário ressaltou que a determinação do governador José Maranhão é a aplicação de medidas urgentes no controle da doença.

Emergência – Informou ter enviado comunicado aos prefeitos dos municípios atingidos, sugerindo decretar a situação de emergência. Com isso, será possível a aquisição de produtos para iniciar o controle. Lembrou que o governo trabalha em três vertentes: evitar a propagação, o combate biológico, usar defensivo químico e a convivência pacífica com a praga. O secretário garantiu que não há risco à saúde em caso de consumo dos produtos citros.

Outra ação que começa a ser colocada em prática é a instalação de 10 barreiras de defesa sanitária, para evitar a saída de produtos dessas áreas infestadas. “Quero alertar o produtor para que somente utilize produtos químicos com a devida cautela, receitada por um engenheiro agrônomo”, disse. Segundo revelou, o Governo do Estado já tem toda estratégia montada para o combate a doença.

Sem riscos – Também ressaltou que a praga não causa nenhum perigo a saúde humana. “É necessário que se faça um registro, porque temos conhecimento de uma grande preocupação do consumo de hortifrutigranjeiros e deixo bem claro que não há nenhum risco para a saúde humana”, garantiu.
 
O superintendente da Delegacia Federal da Agricultura (DFA), Hermes Barbosa, disse que o Ministério da Agricultura está disposto a colaborar com o Governo da Paraíba nas ações de combate da mosca-negra.

Os Estados Pernambuco e Rio Grande do Norte proibiram a entrada de frutas produzidas na Paraíba nos seus mercados, o que aumenta ainda mais a preocupação devido a queda desta fonte de renda para os agricultores.

Os municípios – A praga da mosca negra dos citros, que ataca uma área de 600 hectares em 14 municípios paraibanos, onde trabalham 1.800 produtores, deve proporcionar um prejuízo em torno de R$ 9 milhões à Paraíba se concretizar sua incidência nas lavouras. A preocupação é que se alastre por mais 300 outras culturas, a exemplo do abacate, carambola, graviola e caju. São mais de mil produtores rurais prejudicados.

Para se ter uma dimensão do problema causado pela mosca, o município de Matinhas, maior produtor de tangerina no Nordeste, aparece com perdas de R$ 3 milhões. “Para os técnicos é algo preocupante”, observa o secretário de Agricultura do município, Marcos Rosselen.

Brejo, Agreste e Litoral – O inseto foi encontrado nas plantações de laranja tangerina e limão no município de Alagoa Nova, de onde se espalhou pelas regiões do Brejo e Agreste, e agora chega ao Litoral.

O superintendente da DFA, Hermes Barbosa, havia sugerido que a Secretaria do Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca do Estado decretasse estado de emergência nesses municípios afetados, como forma de credenciá-los a receberem inseticidas.

O inseto tem a capacidade de se espalhar muito rápido na fase adulta, se deslocando até 187 metros por dia. Ele suga a seiva da fruta, formando uma camada escura que reveste folhas, frutos e ramos. Em altas infestações, a planta se torna totalmente enegrecida. Depois de instalada, a mosca destrói até 80% da produção dos cítricos.  

Os municípios em que a praga foi constatada são os seguintes: Campina Grande, Lagoa Seca, São Sebastião de Lagoa Seca, Matinhas, Alagoa Grande, Esperança, Remígio, Massaranduba, Serra Redonda, Areia, Alagoa Grande, Juarez Távora, Ingá e Lucena. 

José Nunes, com fotos de Walter Rafael, da Secom-PB