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Saúde realiza seminário sobre estratégias de vigilância da Peste Bubônica

quarta-feira, 2 de outubro de 2013 - 18:20 - Fotos:  Ricardo Puppe

A Secretaria de Estado da Saúde (SES), por meio das Gerências de Vigilância em Saúde e Ambiental, realizou, nesta quarta-feira (2), o “Seminário sobre Estratégias da Vigilância da Peste em Áreas de Foco Naturais”. O evento foi realizado no Centro de Referência Estadual de Saúde do Trabalhador (Cerest), destinado aos apoiadores das 2ª, 3ª, 4ª, 11ª e 12ª Gerências Regionais de Saúde, além de coordenadores de Vigilância Epidemiológica e Ambiental dos municípios endêmicos.

De acordo com a palestrante convidada, a pesquisadora e coordenadora do Serviço de Referência Nacional em Peste Bubônica do Centro de Pesquisas Ageu Magalhães/Fiocruz, Alzira Almeida, o evento foi destinado a sensibilizar os gestores sobre a importância da vigilância da peste, em todas as suas formas. “Abordamos aqui os aspectos epidemiológicos da peste, tanto no Brasil quanto em nível mundial, além da importância da doença no mundo dentro da situação atual, e a necessidade de manter a vigilância nos focos de peste no Brasil”, explicou.

Os municípios endêmicos que participaram do evento foram: na 2ª GRS (Araruna; Cacimba de Dentro; Borborema; Casserengue; Solânea; Serraria, Pilões e Bananeiras); na 3ª GRS (Alcantil; Lagoa Seca; Remígio;Algodão de Jandaíra; Massaranduba; Santa Cecília; Arara; Matinhas; Serra Redonda; Areia; Montadas; Soledade;Areial; Natuba; Umbuzeiro; Aroeiras; Olivedos; Campina Grande; Pocinhos; Esperança; Puxinanã; Fagundes; Queimadas;Gado Bravo; São Sebastião de Lagoa de Roça); da 4ª GRS (Barra de Santa Rosa; Baraúna; Cubati; Cuité; Damião; Frei Martinho; Nova Floresta; Nova Palmeira; Pedra Lavrada; Picuí; Seridó; 11ª GRS (Manaíra e São José de Princesa) e 12ª GRS (Salgado de São Félix).

Alzira Almeida ressaltou que, mesmo a doença estando em um período de silêncio no Brasil, é importante que ela não seja esquecida, pois a peste bubônica é uma doença cíclica. “Atualmente aqui no Brasil, nós estamos passando por um silêncio da doença, mas isso não deve ser considerado como uma extinção ou erradicação da doença. Nenhum país do mundo conseguiu erradicar a peste. A doença passa por esses períodos de inatividade, mas em qualquer momento, por razões ainda desconhecidas, ela pode reativar. O que acontece depois de um período desses é que geralmente quando ela recomeça já é com óbito, porque as pessoas adoecem, os sintomas não são reconhecidos, a doença não é tratada a tempo, então o paciente vai a óbito”, disse.

A palestrante convidada enfatizou a importância de uma vigilância constante quanto à peste, com trabalhos de conscientização, para que as pessoas não esqueçam os sintomas da doença, procurando, assim, atendimento médico imediato. “A peste bubônica é uma doença de evolução muito rápida e que se não for tratada a tempo o paciente morre. É importante que todos conheçam os sintomas da doença, não só os médicos, mas também a população das áreas vulneráveis. Ela deve conhecer a doença, os sintomas e as medidas que devem ser tomadas em caso de aparecimento deste”, explicou.

Dados - O último surto da doença na Paraíba aconteceu de setembro de 1986 a dezembro de 1987. Nesse período, 41 municípios foram atingidos, com o número de 500 casos e seis óbitos. Alzira lembrou que, por orientação do Ministério da Saúde, atualmente os agravos devem ser trabalhados em conjunto, e não separadamente como era feito anteriormente.

Agora a gente está trabalhando agravos que tenham alguma coisa em comum, como o hospedeiro ou o vetor, por exemplo. Então, nesse caso, a gente tem trabalhado os agravos transmitidos por roedores, como a peste, retroviroses, febre maculosa, leptospirose, em conjunto”, disse Alzira.

Programa de Controle da Peste – O Programa de Controle da Peste (PCP) da SES desenvolve rotineiramente ações de vigilância epidemiológica nos 47 municípios endêmicos, que fazem parte do foco natural de peste da chapada da Borborema, realizando também intervenções eventuais de ataque, de acordo com os índices de alarme sugestivo de possibilidade de ocorrências, tanto em animais quanto em humanos. O Programa de Controle da Peste (PCP) é composto de quatro atividades de campo: busca ativa de casos humanos; captura de roedores e pulgas; sorologia de carnívoros domésticos e desinsetização de domicílio.

A doença - A peste bubônica é uma doença grave e, muitas vezes, fatal, causada pela bactéria Yersínia pestis, que é transmitida aos seres humanos por animais roedores, especialmente os ratos. A maioria dos indivíduos quando não recebe tratamento, morre nas 48 horas que sucedem o início dos sintomas (aumento dos linfonodos, que deixam a pele enegrecida nas axilas, virilhas e/ou pescoço; febre alta; intolerância à luz; apatia; tremores pelo corpo; vertigens; cefaleia; cansaço; aumento da frequência cardíaca e tosse inicialmente seca e depois com sangue).

A pulga que infesta alguns tipos de ratos após levá-los à morte pode migrar para outros corpos atrás do seu alimento, o sangue. Após picar a pele do ser humano a bactéria da pulga instala-se no nódulo linfático mais próximo e multiplica-se ali gerando todos os sintomas relacionados a esta doença.