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21 de novembro de 2013

Saúde realiza pesquisa para identificar casos de tracoma em Bananeiras e Riachão



A Secretaria de Estado da Saúde, por meio da Gerência Operacional de Vigilância Ambiental, realizou uma pesquisa, mediante busca ativa, para identificar casos suspeitos de tracoma – doença que pode levar à cegueira – em alunos de ensino público fundamental dos municípios de Bananeiras e Riachão.

Durante o estudo, realizado no período de 7 a 10 e 17 a 29 de outubro passado, em seis escolas desses dois municípios foram realizadas palestras educativas incluindo corpo docente  e exames específicos em alunos do 1º ao 5º ano nas escolas públicas.  Ao todo foram realizados 525 exames, sendo  340 em  Bananeiras e 185 em Riachão. Desse total, apenas três casos, dois da cidade de Bananeiras e um de Riachão, deram positivos.

Após a realização dos exames, os técnicos realizaram visitas domiciliares aos casos positivos dando assim maior assistência para o aluno e seus comunicantes. Nessas visitas foram prestadas informações mais precisas para cada família, esclarecendo todo processo da doença e tratamento. Os casos positivos foram encaminhados à rede de atenção oftalmológica de referência para diagnóstico confirmatório.

De acordo com a Portaria Nº 2.556, de 28 de outubro de 2011 do Ministério da Saúde, esses dois municípios paraibanos são considerados prioritários com prevalência da doença em 10% da população. Segundo o técnico da Gerência Operacional de Vigilância Ambiental, Flávio Pinto de Oliveira, o estudo teve como objetivos eliminar o tracoma como causa de cegueira enquanto problema de saúde pública, diagnosticar e tratar precocemente os casos de escolares na faixa etária de 5 a 14 anos com diagnóstico de tracoma, conforme as especificidades de cada município, monitorando por um período de três anos os casos submetidos a tratamento de tracoma.   

Sobre  doença – Tracoma é uma doença inflamatória dos olhos que afeta a córnea e a conjuntiva, provocada pela bactéria Chlamydia trachomatis, sorotipos A, B, Ba e C. Esse micro-organismo é responsável também por outros quadros infecciosos, como a conjuntivite de inclusão (sorotipos D e K) e algumas doenças sexualmente transmissíveis.

A transmissão pode ocorrer sempre que houver lesões ativas na conjuntiva pelo contato direto entre as pessoas, ou por contato indireto com mãos ou objetos contaminados (toalhas, lenços, produtos de maquiagem, etc.). Alguns gêneros de moscas, especialmente as domésticas e as conhecidas como lambe-olhos, podem transmitir a bactéria para uma pessoa sem a enfermidade, mecanicamente, se pousarem sobre olhos infectados de um doente.

Crianças, mesmo as assintomáticas, e os portadores de infecção ativa representam o principal reservatório dessa bactéria.

HISTÓRICO – O tracoma não existia nas Américas. Os focos da doença surgiram no Brasil em dois momentos e lugares diferentes: no Nordeste, durante a colonização portuguesa e, em meados do século 19, trazidos pelos imigrantes europeus que se dirigiram para o Sul e o Sudeste. Atualmente, apesar das medidas de controle, o tracoma é considerado uma enfermidade endêmica em grande parte do território nacional.

SINAIS E SINTOMAS – O período de incubação varia entre cinco e doze dias. Os principais sintomas são sensação de corpo estranho nos olhos, prurido (coceira), lacrimejamento, irritação, ardor, secreção mucopurulenta, hiperemia (olhos vermelhos) e edema palpebral (inchaço).

A repetição das infecções provoca cicatrizes especialmente na conjuntiva que reveste a pálpebra superior, que a deformam. A evolução do quadro é marcada por complicações como o entrópio (margem da pálpebra voltada para dentro do olho), a triquíase (inversão dos cílios que tocam o globo ocular), a opacificação da córnea e a obstrução lacrimal.

O atrito provocado por essas deformações pode produzir úlceras na córnea responsáveis pela perda progressiva da visão e cegueira.

DIAGNÓSTICO – O diagnóstico é clínico baseado nos sinais e sintomas. Deve ser levado em conta também se os locais onde vivem os pacientes são considerados áreas de risco para a doença.

Existem, no entanto, alguns exames laboratoriais úteis para identificar o agente infeccioso. Mais do que estabelecer o diagnóstico diferencial, porém, eles são importantes para orientar o tratamento e, quando necessário, para implementar as medidas epidemiológicas na comunidade para evitar que novos casos da doença ocorram.

TRATAMENTO – O tratamento com antibióticos de uso local (colírios e pomadas oftálmicas), ou por via oral, deve ser introduzido tão logo tenha sido feito o diagnóstico clínico, antes mesmo de saírem os resultados dos exames laboratoriais.

Sob nenhum pretexto, o acompanhamento médico pode ser suspenso sem autorização expressa do profissional que acompanha o caso. Ele deve ser mantido durante a fase ativa da doença e depois periodicamente até que seja constatada a cura definitiva do tracoma.

Tais cuidados são indispensáveis por dois motivos: 1) evitar as recorrências que podem levar à cegueira e 2) controlar/interromper a  cadeia de transmissão da bactéria. Nesse sentido, as medidas profiláticas devem estender-se a todas as pessoas que entraram em contato com o portador da enfermidade, na própria casa ou nos ambientes que costumam frequentar.

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