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19 de novembro de 2013

Saúde realiza mais uma capacitação sobre Profilaxia da Raiva Humana e Acidentes por Animais Peçonhentos



A Secretaria de Estado da Saúde, por meio da Gerência Executiva de Vigilância em Saúde e do Núcleo de Controle de Zoonoses, realiza nesta quarta (20) e quinta-feira (21) mais uma qualificação em “Normas Técnicas de Profilaxia da Raiva Humana” e “Diagnóstico e Tratamento dos Acidentes por Animais Peçonhentos”. O evento acontecerá durante todo o dia no Centro Formador de Recursos Humanos (Cefor-RH). Esta mesma capacitação já foi realizada na cidade de Cajazeiras nos dias 5 e 6 com a participação de 42 profissionais de saúde da 4ª Macrorregional de Saúde e em Campina Grande, nos dias 12 e 13, sede da 2ª Macro, quando foram capacitados 53 profissionais.

De acordo com o chefe do Núcleo de Controle de Zoonoses, Francisco de Assis Azevedo, nesta qualificação que acontecerá em João Pessoa, com início previsto para as 8h30, a meta é capacitar cerca de 60 profissionais entre médicos e enfermeiros na 1ª Macrorregional de Saúde. Ele explica que a qualificação tem como objetivo capacitar profissionais de saúde (médicos e enfermeiros) na condução destes agravos, levando em consideração a importância médica dos acidentes por animais peçonhentos para a saúde pública que pode ser expressa pelos milhares destes acidentes e dezenas de óbitos registrados por ano decorrentes dos diferentes tipos de envenenamento. “Destes, o escorpionismo vem adquirindo magnitude crescente, correspondendo em aproximadamente 35% das notificações, e superando em números absolutos os casos de ofidismo”, explicou.

Assis afirmou que esse mesmo grupo será capacitado na profilaxia da raiva humana. Durante a capacitação, os profissionais receberão informações de como a doença se manifesta nas diversas espécies animais, situação epidemiológica e, principalmente, as condutas a serem adotadas naquelas pessoas que são agredidas por animais transmissores da raiva.

Mais informações – Animais peçonhentos são aqueles que produzem ou modificam algum veneno e possuem algum aparato para injetá-lo na sua presa ou predador. Os principais animais peçonhentos que causam acidentes no Brasil são algumas espécies de serpentes, de escorpiões, de aranhas, de lepidópteros (mariposas e suas larvas), de himenópteros (abelhas, formigas e vespas), de coleópteros (besouros), de quilópodes (lacraias), de peixes, de cnidários (águas-vivas e caravelas), entre outros. Os animais peçonhentos de interesse em saúde pública podem ser definidos como aqueles que causam acidentes classificados pelos médicos como moderados ou graves.

De acordo com Francisco de Assis, em todo o Brasil aumentou muito o número de ataques desses animais devido a problemas ambientais e de controle urbano, além da falta de medidas preventivas que devem ser tomadas com manter limpos quintais e terrenos baldios e as condições precárias de moradias o que favorece o aparecimento principalmente de escorpiões e roedores e outros animais. Na Paraíba, nos últimos três anos, foram registrados 9.091 ataques desses tipos de animais.

Os acidentes por animais peçonhentos e, em particular, os acidentes ofídicos foram incluídos, pela Organização Mundial da Saúde, na lista das doenças tropicais negligenciadas que acometem, na maioria dos casos, populações pobres que vivem em áreas rurais. Em agosto de 2010, o agravo foi incluído na Lista de Notificação de Compulsória (LNC) do Brasil, publicada na Portaria Nº 2.472 de 31 de agosto de 2010 (ratificada na Portaria Nº 104, de 25 de janeiro de 2011). Essa importância se dá pelo alto número de notificações registras no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), sendo acidentes por animais peçonhentos um dos agravos mais notificados.

A partir das análises dos dados do SINAN, a vigilância epidemiológica é capaz de identificar o quantitativo de soros antivenenos a serem distribuídos às Unidades Federadas, além de determinar pontos estratégicos de vigilância, estruturar as unidades de atendimento aos acidentados, elaborar estratégias de controle desses animais, entre outros.

No caso da raiva humana o último caso registrado na Paraíba foi em 1999. Ela é uma doença transmitida pelo cão e está controlada na Região Sul e em alguns Estados da Região Sudeste, havendo a perspectiva de sua eliminação nesta década. Para cumprir esse objetivo foram reforçados o monitoramento da circulação viral e a intensificação da vacinação antirrábica canina com a realização de campanhas anuais e de outras ações de caráter educativo e preventivo como acontece na Paraíba.

A raiva é uma doença infecciosa aguda, de etiologia viral, transmitida por mamíferos, que apresenta dois ciclos principais de transmissão: urbano e silvestre. É uma zoonose de grande importância na saúde pública por apresentar letalidade de 100%. É uma doença passível de ser eliminada no ciclo urbano pela existência e disponibilidade de medidas eficientes de prevenção tanto em relação ao homem quanto à fonte de infecção. As principais fontes de infecção no ciclo urbano são o cão e o gato. No Brasil, o morcego hematófago é o principal responsável pela manutenção da cadeia silvestre.