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Saúde realiza ações para reduzir prevalência da esquistossomose

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009 - 16:25 - Fotos: 
Na Paraíba, 71 municípios formam a área endêmica de esquistossomose, segundo a Gerência Operacional de Vigilância Ambiental da Secretaria de Estado da Saúde (Gova-SES). Em 2008, 3.799 pessoas foram diagnosticadas com a doença nessas localidades e, segundo dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), repassados pela SES, ocorreram 11 mortes no mesmo ano.

Com o objetivo de atualizar a área endêmica da Paraíba, a SES vai enviar técnicos para participar nos dias 14 e 15 deste mês, em Brasília (DF), de uma reunião preparatória para o Inquérito Nacional de Prevalência da Esquistossomose Mansoni, que será realizado em todo o País no próximo ano.

Segundo o gerente operacional da Vigilância Ambiental, Nilton Guedes, a SES vem realizando uma pesquisa nas coleções hídricas que são utilizadas para atividades de lazer e necessidades domésticas no Estado para identificar o caramujo hospedeiro. “Para reduzir a prevalência da esquistossomose, a SES vem adotando outras iniciativas, como a realização de exames parasitológicos (foram feitos 59.720 este ano) e do tratamento dos doentes com a distribuição de medicamentos e ações educativas para prevenir a doença”, lembrou.

Caramujo – A coordenadora do Núcleo de Entomologia e Pesquisa Operacional da Gova/SES, Laura Ney, disse que a pesquisa já atingiu 55 municípios dos 71 localizados na área endêmica, dos quais 50 apresentaram pelo menos uma das espécies do caramujo que abriga o agente causador da doença. “Em 13 municípios foram encontrados o caramujo infectado com o agente causador da esquistossomose”, disse.

De acordo com Nilton Guedes, no próximo ano a SES vai concluir a pesquisa nos municípios da área endêmica e outros, realizar o inquérito, orientar os profissionais das secretarias de saúde de 71 municípios, desenvolver um trabalho educativo de prevenção da doença, principalmente nas escolas da área endêmica, disponibilizar os exames parasitológicos também na área de transmissão da doença e ainda disponibilizar os medicamentos para o tratamento da esquistossomose.

Transmissão – Conforme o médico sanitarista da Gova/SES, Antônio Bernardo Filho, para que haja a doença é preciso que existam três fatores: reservatório de água doce, caramujo hospedeiro e o doente. “Na Paraíba, existem duas, das três espécies de caramujos que são hospedeiros intermediários do verme que provoca a doença: Biomphalaria glabrata e a Biomphalaria straminea”, informou.

Ciclo de contaminação – Ele explicou que o ciclo de contaminação do Schistosoma mansoni, verme que provoca a doença no homem e no caramujo, tem início quando o indivíduo portador elimina seus ovos através das fezes, que em contato com a água eclode e libera uma larva por nome de miracídeo que infecta o caramujo onde vai sofrer evolução ou reprodução e dá origem a outra larva por nome de cercária. A cercária do caramujo é quem vai contaminar o ser humano em contato com a água.

O médico sanitarista informou, ainda, que a cercária após infectar o homem dá origem ao esquistossomo que, após 30 dias da infecção, terá atingido maturação, originando os vermes adultos denominados de Schistosoma. “Eles de preferência se alojam no fígado e no intestino, e é através do intestino que os ovos são eliminados, reiniciando um novo ciclo de contaminação. O contágio mais comum é através da pele”, adiantou.

Barriga d’água – No local da penetração da cercária ocorre vermelhidão, coceira ou prurido que pode ser confundida com uma picada de mosquito ou reação alérgica. “Após o processo infeccioso, em torno de três dias, o verme alcança os pulmões e o coração e o ser humano pode apresentar sintomas como dor de cabeça, febre, indisposição, falta de apetite e tosse. Nos casos graves, o indivíduo apresenta ascite, popularmente conhecida como barriga d’água, vômitos com sangue e sangue nas fezes. Se não for tratado, pode ir a óbito”, informou Antônio Bernardo.  

Nilton Guedes lembrou que a liberação da cercária pelo caramujo ocorre de preferência quando a água dos reservatórios está mais aquecida. Por isso, ele faz um alerta para que a população evite os banhos nos rios, açudes, lagoas e outros reservatórios, de preferência das 9h às 16h.
 

Da Assessoria de Imprensa da SES-PB