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Saúde participa de sessão especial na Assembleia Legislativa alusiva ao Dia Mundial de Luta contra a Aids

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015 - 18:00 - Fotos:  ALPB

A Secretaria de Estado da Saúde (SES-PB) participou, na manhã desta quinta-feira (3), de uma sessão especial na Assembleia Legislativa da Paraíba alusiva ao Dia Mundial de Luta contra a Aids. A sessão foi proposta pela deputada estadual Estela Bezerra e contou com a presença de autoridades políticas, profissionais de saúde, representantes de serviços de saúde referência no tratamento da Aids no Estado, além de movimentos sociais.

“Nós temos no Brasil um dos melhores modelos de política estruturada que, com a ajuda e a mobilização da sociedade civil, reduziu as metas de contaminação e aumentou a capacidade de detectar a contaminação pelo vírus HIV”, afirmou a deputada estadual Estela Bezerra. Ela comentou, ainda, que atualmente o país enfrenta vários desafios com relação à temática HIV/Aids: “Entre eles está o aumento do número de casos na população jovem e também entre as mulheres. O debate sobre este tema é sempre muito valioso, é uma prática extremamente positiva para a sociedade em todas as épocas do ano. É preciso desconstruir o estigma do preconceito na epidemia de Aids e reforçar o respeito à pessoa humana sem discriminação”.

A gerente operacional de DST/Aids e Hepatites Virais da SES-PB, Ivoneide Lucena, disse que a sessão era uma oportunidade da Assembleia Legislativa ter um olhar diferenciado para a Aids na Paraíba. “Fomos convidados para participar dessa sessão especial para apresentar o que a SES-PB vem fazendo nos últimos anos no enfrentamento deste agravo. Com este debate, a partir do momento que a Assembleia tem conhecimento mais a fundo do agravo Aids e como ele está se dando no Estado como um todo, surge um olhar diferenciado e, consequentemente, podendo até nascer ações alusivas voltadas ao público jovem, ao público vulnerável ao vírus HIV e às pessoas diagnosticadas com Aids”, destacou Ivoneide.

Adriano Passarela é servidor público e convive com o vírus HIV há três anos. Ele descobriu que tinha vírus num exame feito no Complexo Clementino Fraga, que integra a rede hospitalar estadual. Passarela comentou que passou cerca de um mês em choque com a notícia, mas resolveu dar a volta por cima. Atualmente é secretário de comunicação da Rede Nacional de Jovens e Adolescentes Vivendo com HIV/Aids.

“Nada acontece por acaso, tudo serve como aprendizado. No debate promovido hoje tratamos principalmente sobre ações de prevenção da Aids, ressaltando o cuidado e a vigilância que a população deve ter com relação à doença. Atualmente, no Brasil, são mais de 730 mil pessoas vivendo com HIV/Aids e é necessário discutir esse tema durante todo o ano e não porque a infecção pelo vírus acontece o ano inteiro”, disse ele. Adriano alertou, também, que a infecção entre os jovens cresce em níveis alarmantes (de 60 a 70%) e a cada um minuto, um jovem é infectado pelo vírus HIV no mundo.

Rosy Farias faz parte da instituição Cordel Vida e é executiva do Fórum de ONG Aids da Paraíba. Para ela, os avanços no Estado com relação à Aids são muitos, mas ainda é preciso mudar mais. “Temos ganhos como a descentralização dos testes rápidos, uma política de Aids com trabalho efetivo, mas precisamos ampliar ainda mais. Apesar das conquistas no tratamento aos portadores do HIV, ainda temos muitos desafios, principalmente no que diz respeito à prevenção e a juvenização do agravo”, afirmou.

A diretora geral do Hospital Clementino Fraga, que integra a rede hospitalar do Estado, Adriana Teixeira, por sua vez destacou que a prevenção é hoje a principal arma contra a AIDS. “Ressalto a importância da prevenção. Para os soropositivos, o Governo do Estado e o Clementino Fraga estão aí para atender, cuidar e tratar, mas estamos aqui hoje focando na prevenção. Não se pode banalizar a AIDS. Claro que houve grandes avanços, mas a doença ainda continua matando, ainda é uma doença sem cura, por isso a prevenção é sempre o melhor remédio”, declarou.

Dados – Entre os anos de 2007 e 2015 foram notificados 4.018 casos de Aids em adultos na Paraíba. Destes 2.696 casos em homens e 1.322 em mulheres. No mesmo período foram notificados 1.059 óbitos por Aids.

Ivoneide explicou que quem passou por uma situação de risco (fez sexo sem camisinha) e ficou com a dúvida, deve procurar o Hospital Clementino Fraga para fazer a Prevenção Pós-Exposição (PEP). “Essa pessoa iniciará com o tratamento por 29 dias e depois fará o teste rápido para HIV/Aids, e por algum tempo (até seis meses) deverá fazer o monitoramento da sorologia para o HIV”, explicou.

Os locais que oferecem o tratamento da Aids no estado são os Serviços de Atendimento Especializado em HIV/Aids (SAEs) de Patos, Santa Rita e Cabedelo, além do Hospital Clementino Fraga e Hospital Universitário Lauro Wanderley, em João Pessoa , e Hospital Universitário Alcides Carneiro, em Campina Grande.

O tratamento para Aids e Hepatites Virais é único em todo o Brasil, de acordo com o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Manejo da Infecção pelo HIV em Crianças e Adolescentes – Guia de Consulta Rápida. A disponibilização dos medicamentos antirretrovirais ocorre nas Unidades Dispensadoras de Medicamentos ARVs, localizadas em João Pessoa, Cabedelo, Santa Rita, Campina Grande, Patos, Sousa e Cajazeiras. “Existem 25 tipos de antirretrovirais e eles são dispensados de acordo com a receita do médico infectologista, que segue os protocolos estabelecidos pelo Ministério da Saúde”, disse Ivoneide. No mês de outubro 3.426 adultos e 39 crianças retiraram medicamentos nestes serviços.

Ações de combate ao HIV/AIDS – O Governo do Estado vem realizando várias ações de prevenção às DSTs/Aids e Hepatites Virais, como a distribuição de insumos (preservativos masculinos/femininos e gel lubrificantes), campanhas informativas e qualificações dos trabalhadores, com ênfase na Educação Permanente. Além disso, mantém assistência à pacientes com Aids em maternidades (Projeto Nascer – Cegonha),  com diagnóstico (testagem rápida, hospitais, Unidades Básicas de Saúde e Estratégias de Saúde da Família), no tratamento (Serviço de Assistência Especializada e Unidade Dispensadora de Medicamentos), na distribuição da fórmula infantil e na construção da Rede de Cuidados Integral e regionalizado.

O Governo também possui Planos Estaduais para DST/Aids, como o Plano Estadual de Enfrentamento à Feminização da Aids, Plano Estadual de Enfrentamento à Aids na População HSH (Homens que fazem sexo com outros homens) e a Implantação do Comitê Estadual de Saúde Integral da População LGBT.