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Saúde orienta sobre cuidados para ter uma boa audição

quinta-feira, 16 de abril de 2015 - 10:47 - Fotos: 

Zumbidos, pressão, diminuição da audição, secreção nos ouvidos. São várias as queixas da população quando se trata dos cuidados com a saúde dos ouvidos e da audição – sobretudo no que tange à prevenção de doenças com danos irreversíveis. Pensando nisso, o Governo da Paraíba, por meio da Secretaria de Estado da Saúde, orienta como a população deve agir para evitar lesões e ouvir bem.

De acordo com a fonoaudióloga do Hospital da Polícia Militar General Edson Ramalho, que integra a rede hospitalar do Estado em João Pessoa, Ana Paula de Almeida, diante de um mundo cada vez mais barulhento e com uma infinidade de estímulos sonoros, até os maus hábitos podem ser danosos. “Os sons em alta intensidade prejudicam muito a audição. Os jovens, por exemplo, usam fones de ouvido com música cada vez mais elevada. Pesquisas demonstram que o número de adolescentes com perda de audição aumenta com o passar dos anos”, disse ela.

Com relação a quem trabalha em ambientes ruidosos, o uso permanente do protetor auricular é a melhor saída. “As empresas já possuem o programa de conservação auditiva, mas, muitos funcionários esquecem ou têm preguiça de usar. Proteger a audição, especialmente nesses casos, é fundamental. Caso contrário, as más consequências podem aparecer em curto prazo”, explicou a fonoaudióloga.

As grandes festas também são um perigo para a audição. “É importante ficar distante das caixas de som para que se possa ouvir o som, mas de uma forma mais saudável. São pequenos detalhes que poupam o indivíduo de uma doença ou alteração auditiva – perda parcial, total, zumbidos – futura”, comentou Ana Paula.

Mas não são apenas os ruídos que podem prejudicar a audição. “Frequentemente chegam pacientes ao setor de fonoaudiologia no Hospital Edson Ramalho com queixas depois de ter usado tampas de caneta para coçar o ouvido ou, até mesmo, chave do carro e penas de galinha”, exemplificou a fonoaudióloga. “O mau uso da haste flexível para limpar os ouvidos também é frequente. Ela deve ser usada para limpar somente a parte externa da orelha. Não se deve jamais limpar o canal auditivo! Práticas como estas podem perfurar a membrana do tímpano que só pode ser reconstruída através de cirurgia”, alertou.

Alberi Pontes é repórter fotográfico, tem 43 anos e há 10 rompeu o tímpano ao usar uma tampa de caneta para coçar o ouvido. “Senti muitas dores e perdi bastante a audição. Procurei um profissional da área e constatei que teria que me submeter a uma cirurgia. Foi realizada a reconstituição da membrana do tímpano esquerdo e comecei o tratamento com fonoaudiólogo”, disse ele. Por falta de tempo, Alberi parou o tratamento e sentiu grande perda da audição novamente. “Sinto que preciso voltar ao médico para retornar o tratamento porque a perda da audição me traz vários transtornos”, comentou.

A chegada do período chuvoso e as constantes alterações climáticas que causam resfriados, gripes e as chamadas viroses, também podem causar problemas na audição. “O paciente pode sentir a perda da audição, a sensação de ouvido tapado e até dores fortes. São as chamadas otites que costumar surgir após gripes e feriados. Caso um episódio agudo em que houve rompimento da membrana do tímpano não seja totalmente curado, a infecção pode evoluir para um quadro crônico, com duração de alguns meses e perda da audição. É preciso ir a um otorrinolaringologista imediatamente”, aconselha Ana Paula, lembrando que as crianças, principalmente as de menos de seis anos, são mais suscetíveis.

Tratamento – Observando qualquer eventualidade na audição, seja zumbido, perda da qualidade do som, sensação de ouvido tapado ou secreções, a melhor indicação é procurar o médico imediatamente. “Dependendo do grau da lesão, ao longo do tempo ela pode avançar para a orelha interna e, se não tiver um tratamento adequado, o dano pode se tornar irreversível”, explicou a fonoaudióloga.

O Hospital Edson Ramalho recebe pacientes de todas as idades e as mais variadas queixas. “As crianças geralmente vêm por fatores hereditários ou problemas pós e durante o parto que prejudicam a audição. Já os adolescentes e adultos chegam por várias questões – objetos que perfuram o tímpano, uso contínuo do fone de ouvido com músicas em alta intensidade, acidentes envolvendo traumatismo crânio-encefálico. Os idosos aparecem em virtude do próprio envelhecimento natural deste órgão sensorial (cóclea) que desembocam na perda de audição”, comentou Ana Paula.

Por ser uma unidade de alta complexidade, o Edson Ramalho tem condições de fazer o diagnóstico fechado. “Temos o exame de potencial evocado auditivo de tronco encefálico, o teste da orelhinha, a audiometria e a impedânciometria”, disse Ana Paula.

O Hospital disponibiliza também aparelhos auditivos para restabelecer a perda da audição. Esses aparelhos são recomendados para pessoas com perdas auditivas neuro-sensoriais e para pessoas com perdas de transmissão que não podem ser operadas ou apresentam problemas complexos que não podem ser resolvidos por procedimentos cirúrgicos.

Essa indicação inclui as situações de risco dos pacientes com um único ouvido socialmente utilizável, nos quais se prefere não indicar cirurgia. De forma geral, recomendam-se próteses auditivas para as pessoas que apresentam perda auditiva de mais de 40 decibéis no melhor ouvido. Para saber mais informações sobre o Serviço de Reabilitação Auditiva a pessoa interessada pode ligar para o número (83) 3218-7801.