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Saúde lança plano com metas e estratégias de combate à dengue

terça-feira, 26 de janeiro de 2010 - 18:51 - Fotos: 
A Secretaria de Estado da Saúde (SES) lançou nesta terça-feira (26), o Plano de Contingência para Situações de Epidemia da Dengue, que traça metas e estratégias de enfrentamento à doença. O secretário José Maria de França convidou os gestores dos 223 municípios paraibanos e a população para se integrarem no combate ao mosquito e lembrou que a situação na Paraíba está sob controle, mas sempre existe o risco de um aumento do número de casos no primeiro semestre do ano.

O plano organiza a assistência aos pacientes com a doença, que terão como porta de entrada as unidades básicas de saúde. Na solenidade – que aconteceu no Hotel Ouro Branco, em João Pessoa – foram assinadas duas portarias criando o Grupo Executivo Estadual de Monitoramento e Resposta Coordenada à Dengue e o Comitê Intersetorial de Prevenção e Controle da Dengue.  

O secretário José Maria de França lembrou que a responsabilidade no combate à dengue deve ser compartilhada entre o Governo Federal, Estado e municípios e sociedade. “Ano passado, conseguimos diminuir os casos da doença. Esperamos que este ano, com o trabalho que vem sendo feito, possamos continuar reduzindo o número de doentes e a letalidade da dengue. Nós, médicos sanitaristas, sabemos que a dengue não deveria mais existir se os cuidados tivessem sido tomados no passado. Mas de fato temos a doença, o inverno está chegando e, por isso, estamos chamando os municípios e a sociedade para um trabalho mais intenso. Precisamos da participação efetiva da comunidade na destruição dos criadouros do mosquito”, disse.

População exposta – A gerente-executiva de Vigilância em Saúde da SES, Cleane Toscano, disse que o risco do aumento de casos existe e que o Estado está se antecipando para enfrentar o problema. “Estamos conscientes da situação que podemos enfrentar este ano. O comportamento epidemiológico da doença tem mostrado que a população está exposta a três sorotipos da dengue e ao surgimento de formas mais graves da doença. A nossa participação, enquanto saúde pública, se fortalece com a parceria. Com assistência adequada e oportuna, podemos evitar as mortes, que é o grande objetivo desse plano”, disse.

Entre as metas previstas no plano, estão a redução do índice de infestação predial para níveis abaixo de 1% e a redução da taxa de letalidade de febre hemorrágica da dengue (FHD) para menos de 3,4%. O plano prioriza 16 municípios paraibanos, que concentram 47% da população do Estado: Bayeux, Cabedelo, Cajazeiras, Campina Grande, Catolé do Rocha, Conde, Cuité, Guarabira, Itabaiana, João Pessoa, Lucena, Monteiro, Patos, Piancó, Santa Rita e Sousa.

Além destes, existem os municípios estratégicos, onde o risco de adoecer é maior, considerando a proporção entre o número de casos e o de habitantes. Os 10 com taxas de incidência mais altas são: São José do Sabugi, Pirpirituba, Riacho dos Cavalos, Catolé do Rocha, Coremas, Bom Sucesso, Logradouro, Teixeira, Zabelê e Nova Olinda.

Entre os objetivos do plano, estão a intensificação das ações de prevenção e controle da dengue; garantia de assistência aos casos, com a finalidade de reduzir a letalidade; reforço do processo de capacitação da atenção básica e hospitalar e intensificação das ações de comunicação e mobilização social.

Classificação de risco – O documento prevê, também, o atendimento com classificação de risco para os pacientes com sintomas da doença, que foram divididos em quatro grupos, identificados por cores. Aqueles com sintomas clássicos da doença (febre com menos de sete dias, dor de cabeça, prova do laço negativa, ausência de sinais de choque) farão parte do ‘risco azul’ e deverão ser atendidos nas unidades básicas de saúde (antigos PSFs). Em todo o Estado, existem 1.290 unidades credenciadas.

Serão considerados pacientes do ‘risco verde’ aqueles que apresentarem manifestações hemorrágicas espontâneas ou prova do laço positiva. Nesses casos, o atendimento será feito nos hospitais gerais municipais, do Estado e conveniados com o SUS, que possuam serviço de Pronto Atendimento. Além dos sintomas já citados, se encaixam neste grupo, pessoas que apresentem febre com menos de sete dias e pelo menos dois dos seguintes sinais: dor de cabeça, mialgia e artralgia, prostração, dor nos olhos, gengivorragia, hemorragia uterina fora do período menstrual, petéquias, equimoses, sangramento de mucosa e gastrointestinal.

As pessoas com sinais de alarme serão classificadas no ‘grupo C – risco amarelo’ e vão necessitar de atendimento de urgência, devendo ser encaminhados para um hospital de referência com maior suporte técnico (hospitais gerais municipais, do Estado e conveniados com o SUS, que possuam leitos de internação). São considerados sinais de alarme, dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, sonolência, irritabilidade, desconforto respiratório e queda abrupta das plaquetas, entre outros.

De acordo com a classificação de risco, a pessoa com sinais de choque será do ‘grupo D – risco vermelho’ e necessitará de atendimento imediato, que incluirá hidratação venosa vigorosa em qualquer unidade de saúde e transferência, em ambulância com suporte avançado, para um hospital de referência com leitos de UTI. São considerados sinais de choque: pressão arterial convergente, hipotensão arterial, extremidades frias e cianose, entre outros.

Casos da doença – A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 2,5 bilhões de pessoas (2/5 da população mundial) estão sob risco de contrair dengue e que ocorram anualmente cerca de 50 milhões de casos, sendo que 550 mil deles necessitam de hospitalização e pelo menos 20 mil morrem em consequência da doença. Na Paraíba, em 2008, a transmissão da doença ocorreu em 203 municípios paraibanos totalizando 8.323 casos confirmados. Deste total, 66 foram confirmados como FHD, 52 casos de dengue com complicação e cinco mortes.

O ano de 2009 terminou com uma redução de 88,53% no número de casos, em relação a 2008. Foram 954 casos confirmados no ano passado, sendo oito de febre hemorrágica, com um óbito. Nesse mesmo período, foram notificados cinco casos de FHD, residentes no município de Pirpirituba. Não foram registrados óbitos por FHD, ressaltando-se o registro de um óbito por dengue com complicações, no município de Itabaiana. A transmissão ocorreu em 108 municípios.

Entrega de carros – Durante a solenidade, a secretária-executiva da Saúde do Estado, Lourdinha Aragão, entregou as chaves de sete veículos, sendo quatro para utilização no combate à dengue das quatro macrorregionais de saúde, com sedes em João Pessoa, Campina Grande Patos e Sousa, e três para o Programa de Vigilância da Peste, que serão utilizados pelos municípios que compõem as 3ª e a 4ª gerências regionais de saúde, que ficam, respectivamente, nos municípios de Campina Grande e Cuité.

O encontro também foi marcado pela assinatura das portarias 39 e 40/2010 que instituem o Grupo Executivo Estadual de Monitoramento e Resposta Coordenada à Dengue e o Comitê Intersetorial de Prevenção e Controle da Dengue, respectivamente.  O grupo executivo é formado por representantes de várias áreas da Secretaria de Estado da Saúde e o comitê tem a participação da SES e de outros órgãos, a exemplo do Ministério Público, Cagepa, Funasa, hospitais universitários, Conselho Regional de Medicina, Corpo de Bombeiros, Unimed e secretarias estaduais de Educação e de Infra-Estrutura, Meio Ambiente e Recursos Hídricos. Os membros dos dois órgãos serão escolhidos e trabalharão juntos no planejamento e execução de ações de combate à dengue no Estado.

Além de José Maria de França e Cleane Toscano, participaram da mesa de abertura do evento, Nélio Moraes (assessor técnico do Programa Nacional de Controle da Dengue, da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde); Cláudio Orestes (representando o Conselho Regional de Medicina da Paraíba); capitã Denise Lopes (representando o Hospital de Guarnição de João Pessoa), Helena Barbosa (representando a Agevisa) e Júlia Vaz (diretora de Vigilância à Saúde da Prefeitura de João Pessoa).

Assessoria de Imprensa da SES/PB