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Saúde lança 2ª fase do Teste do Pezinho no Hemocentro, nesta 6ª

quinta-feira, 19 de novembro de 2009 - 18:34 - Fotos: 

A Secretaria de Estado da Saúde (SES) lança, às 8h desta sexta-feira (20) no auditório do Hemocentro, em João Pessoa, a segunda fase do Teste do Pezinho, que diagnostica hemoglobinopatias (doenças do sangue), entre elas a doença falciforme e outras anemias hereditárias. Através da triagem, o Estado poderá identificar todas as crianças que nascerem com a doença ou com o com o traço falcêmico (alteração genética). O ideal é que o bebê faça o teste entre o 3º e o 7º dia de vida. O diagnóstico precoce é importante porque evita que a doença falciforme seja confundida com a deficiência de ferro, que requer outro tipo de tratamento. Além de precisar de medicação específica, o falcêmico não pode ingerir ferro, porque a substância causa o agravamento da doença.

Durante o evento, que está sendo organizado pela Gerência Executiva de Ações Programáticas e Estratégicas (Geape/SES), será apresentando o fluxograma do atendimento às pessoas com anemia falciforme. Devem participar representantes dos setores de neonatologia das maternidades Frei Damião e Cândida Vargas, do Hospital Geral Edson Ramalho (João Pessoa), Maternidade Peregrino Filho (Patos), Hospital da FAP (Campina Grande), Instituto de Saúde Elpídio de Almeida – Isea (CG), Hospital Universitário Lauro Wanderley (JP) e Hospital Universitário Alcides Carneiro (CG).

Também devem participar do lançamento da 2ª fase do Teste do Pezinho, representantes da Associação Paraibana dos Portadores de Anemias Hereditárias e profissionais que vão atuar em todo o fluxograma de atendimento aos pacientes no Complexo de Pediatria Arlinda Marques, Hemocentro, Lacen e Secretaria de Estado da Saúde.

Segundo a gerente da Geape, Juliana Sousa, a SES escolheu o dia 20 de novembro para lançar o evento, por ser comemorado o Dia Nacional da Consciência Negra. “Sabemos que a doença acomete principalmente pessoas da raça negra, embora a miscigenação faça com que ela esteja presente também entre brancos. A implantação da segunda fase do teste era muito esperada pelos movimentos sociais de negros e, por isso, resolvemos fazer o lançamento neste dia”, disse.

Investimento – Conforme o bioquímico e diretor-administrativo do Laboratório Central de Saúde Pública do Estado (Lacen), José Francimar Veloso, o Ministério da Saúde determinou desde 2006, a realização do exame pelos Estados brasileiros. Na Paraíba, isto só está sendo possível agora. “Com a determinação do secretário José Maria de França, investimentos foram feitos, com a compra dos kits, capacitação profissional e a escolha de uma equipe multidisciplinar (com geneticista, endocrinologista, hematologista, enfermeiros e outros) e readequação da infra-estrutura física do Lacen para realizar os exames”, lembrou.

O Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN), o Teste do Pezinho, tem três fases. Na primeira, são diagnosticadas hipotireoidismo congênito e fenilcetonúria. Os Estados que implantaram a fase 2 diagnosticam além do hipotireoidismo congênito e fenilcetonúria, as hemoglobinopatias (doenças ocasionadas por defeitos nas hemoglobinas das hemácias, a exemplo da doença falciforme e outras anemias congênitas). A terceira fase do teste diagnostica essas doenças e mais a fibrose cística.

Serviços de referência – O Complexo de Pediatria Arlinda Marques e o Hemocentro de João Pessoa são as unidades de referência para o tratamento dos pacientes com doença falciforme e outras anemias. A medicação será disponibilizada pelo Centro Especializado de Dispensação de Medicamentos Excepcionais (Cedmex).

Conforme a hematologista do Hemocentro de João Pessoa, Joacilda da Conceição Nunes, os remédios dispensados pelo Cedmex é o hidroxiuréia, que diminui a crise da dor e melhora outras complicações da doença, e o kuelante de ferro, que tem a função de eliminar o ferro do organismo dos pacientes.

A hematologista lembrou que, além de ir regularmente ao médico, os pacientes devem ter outros cuidados na rotina, como tomar as doses de vacinas especiais disponibilizadas pelo Governo do Estado, através do Centro de Referência de Imunobiológicos Especiais (Crie), no Complexo de Pediatria Arlinda Marques. “No cotidiano, os portadores da anemia falciforme ainda devem ter atenção com a higiene oral, que começa com as visitas periódicas ao dentista. “As mulheres grávidas com a doença devem ter um pré-natal diferenciado e os adolescentes precisam ter um acompanhamento, observando a curva do crescimento”, disse.

Quando e onde fazer o exame – O teste do pezinho é realizado uma única vez, após 48 horas do nascimento do bebê e até o sétimo dia de vida. Na rede pública, o teste é feito em 163 postos de coleta instalados nas maternidades ou nas unidades básica de Saúde da Família. “Foram adquiridos 60 mil testes. A meta da SES é atender por mês, 4.500 crianças, que nascem nas maternidades ou hospitais públicos do Estado”, acrescentou Francimar Veloso.

A anemia falciforme é uma doença que passa de pais para filhos, provocando alterações nos glóbulos vermelhos do sangue ou hemácias. As hemácias da maioria das pessoas são arredondadas, as dos falcêmicos têm a forma de foice ou meia-lua. As hemácias falciformes são mais rígidas e têm dificuldades para passar pelos vasos sanguíneos mais finos, causando assim a obstrução destes vasos e dificuldade na circulação do sangue (microinfantos).

Sintomas - Os principais sintomas da doença são: crises de dor, principalmente nos sculos e ossos associados ou não a infecções, frio e esforços; palidez, cansaço fácil, acidente vascular cerebral (AVC), aumento do tamanho do baço, úlceras nas pernas, maior risco de infecções, entre outros.

As principais complicações clínicas da doença são tratadas com antibióticos, suplementação de ácido fólico e hormonal, nutrientes e vitaminas, aumento da oferta de líquidos e analgésicos. Geralmente é durante a segunda metade do primeiro ano de vida de uma criança que aparecem os primeiros sintomas da doença. Até atingir a idade escolar é comum a doença se manifestar. A anemia falciforme não deve ser confundida com o traço falciforme. A presença do traço falciforme significa que a pessoa tem um gen defeituoso, mas não a doença. 
 

Da Assessoria de Imprensa da SES-PB