João Pessoa
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Saúde investe no controle e diagnóstico da esquitossomose e do calazar

terça-feira, 25 de maio de 2010 - 18:35 - Fotos: 

A Secretaria de Estado da Saúde (SES) reúne, nesta quarta-feira (26), profissionais de saúde para discutir o Programa de Controle de Esquistossomose e Leishmaniose Visceral (calazar).  O encontro será no Hotel Ouro Branco, no bairro Tambaú, em João Pessoa, e envolverá médicos, enfermeiros e coordenadores da atenção básica dos 71 municípios paraibanos que fazem parte da área endêmica para as duas doenças. Em 2008, 3.799 pessoas foram diagnosticadas com esquistossomose nessas localidades. Segundo dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), repassadas pela SES, foram 11 mortes no mesmo ano.

A gerente do Núcleo de Fatores Biológicos da SES, Suely Cavalcante Antas, explicou que o objetivo dessa reunião é sensibilizar os profissionais que atuam na atenção primária para que tenham uma atenção maior para essas doenças com relação ao diagnóstico precoce e ao tratamento, com o objetivo de diminuir a prevalência dessas enfermidades. “Essas patologias estão sendo negligenciadas e se não forem tomadas providências elas podem se tornar emergentes”, alertou Suely Cavalcante.

Ela explicou que esquistossomose é uma doença de veiculação hídrica e só existe se houver o molusco. Suely Cavalcante disse que apesar das atividades que vêm sendo realizadas nos quatro municípios do Litoral Sul (Alhandra, Conde, Caaporã e Pitimbú) com o controle vetorial, a busca ativa e o tratamento, é necessário que se faça um trabalho educativo junto à população. Somando-se a isso, a falta de saneamento básico também contribuiu para o aumento da patologia. De acordo com Suely, esses municípios são mais propensos à doença devido ao grande número de bacias hidrográficas (rios) existentes na área.

Esquistossomose – O médico sanitarista da SES, Antônio Bernardo Filho, explicou que, para que haja a doença, é necessário a existência de três fatores: reservatório de água doce, caramujo hospedeiro e doente. “Se o ser humano pegar água num balde de reservatório com o caramujo hospedeiro não há risco de ser infectado pela doença, pois é necessário que a pele esteja submergida por muito tempo na água do próprio reservatório”, explicou o médico.

Leishmaniose visceral – A coordenadora do Núcleo de Entomologia e Pesquisa da Gerência Operacional de Vigilância Ambiental da SES, Laura Ney, afirmou que, no ano passado, foram confirmados a transmissão da doença em 24 municípios paraibanos. Nessas localidades foram confirmados 20 casos da doença. Cajazeiras, Catolé do Rocha, Conde e João Pessoa são considerados municípios com transmissão intensa, enquanto que Campina Grande e Santa Rita têm transmissão moderada.  Ela disse que de 2005 a 2009 o calazar não esteve presente em 141 municípios paraibanos. 

A leishmaniose visceral ou calazar é uma doença causada pelo protozoário Tripanossomatídeo leishmania chagasi. É transmitida por vetores da espécie Lutzomia longipalpis e L. cruzi, que são mosquitos de tamanho diminuto e de cor clara, que vivem em ambientes escuros, úmidos e com acúmulo de lixo orgânico (ex: galinheiros). Suas fêmeas se alimentam de sangue, preferencialmente ao fim da tarde, para o desenvolvimento de seus ovos. 

Pessoas e outros animais infectados são considerados reservatórios da doença, uma vez que o mosquito, ao sugar o sangue destes, pode transmiti-lo a outros indivíduos ao picá-los. Em região rural e de mata, os roedores e raposas são os principais; no ambiente urbano, os cães fazem esse papel. Indivíduos humanos apresentam febre de longa duração, fraqueza, emagrecimento e palidez como sintomas. Fígado e baço podem ter seu tamanho aumentado, já que a doença acomete estes órgãos, podendo atingir também a medula óssea. O período de incubação é muito variável: entre dez dias e dois anos.

Municípios que fazem parte da área endêmica para as duas doenças: Alhandra, Caaporã, Conde, João Pessoa, Lucena, Pitimbu, Rio Tinto, Santa Rita, Sapé, Aroeiras, Cruz do Espírito Santo, Itatuba, Natuba, Salgado de São Félix, Condado, Marizópolis Sousa (São Gonçalo), Sumé, Alagoinha, Alagoa Grande, Arara, Araçagi, Alcantil, Areia, Baía da Traição, Bananeiras, Bayeux, Barra de Santana, Belém, Boqueirão, Borborema, Cabedelo, Caiçara, Capim, Caturité, Cuité de Mamanguape, Cuitegi, Caldas Brandão, Curral de Cima, Duas Estradas, Gado Bravo, Guarabira, Ingá, Itabaiana, Itapororoca, Jacaraú, Juripiranga, Lagoa de Dentro, Logradouro, Mamanguape, Marcação, Mari, Mataraca, Mogeiro, Mulungu, Pedro Régis, Pedras de Fogo, Pilar, Pilões, Pilõezinhos, Pirpirituba, Riachão do Bacamarte, Riachão do Poço, Santa Cecília, São José dos Ramos, São Miguel de Taipu, Serra da Raiz, Sertãozinho, Serraria, Sobrado e Umbuzeiro.

Assessoria de Imprensa da SES-PB