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25 de novembro de 2015

Saúde divulga protocolo para investigação e acompanhamento dos casos de microcefalia no Estado



Diante das diferentes definições e unidades de medida existentes que podem orientar o diagnóstico para classificação das microcefalias, a equipe técnica da Secretaria de Estado da Saúde (SES-PB) e um especialista na área desenvolveram um protocolo estadual para investigação e acompanhamento dos casos da doença no Estado.

Até o dia 20 de novembro, 104 casos de microcefalia foram notificados na Paraíba. Deste total, 50 em João Pessoa, cidade que apresenta o maior número de casos da doença em nível estadual. “A Secretaria de Saúde reforça que todos os casos estão sendo investigados e notificados de acordo com as orientações do Ministério da Saúde. Definimos um protocolo clínico e estamos trabalhando na investigação, triagem e seguimento das gestantes e crianças com microcefalia”, enfatizou a gerente executiva de Atenção à Saúde da SES, Patrícia Assunção.

De acordo com o protocolo, os parâmetros de avaliação da microcefalia podem tanto ser apresentados diretamente em centímetros, como calculados por meio de percentis ou desvios padrão (DP) estabelecidos por cada referência para uma determinada idade, sexo e idade gestacional no momento do parto. O Estudo Colaborativo Latino-Americano de Malformações Congênitas (ECLAMC, edição 2009) sugere que a anomalia seja estabelecida a partir de uma circunferência occipitofrontal (COF) menor que três desvios-padrão (DP) abaixo da média. Por outro lado, ações que exigem mais sensibilidade, principalmente com foco na detecção de casos, têm utilizado uma COF 2 DP abaixo da média, ou seja, menor que o percentil 3.

“Visando, nesse momento, aumentar a sensibilidade para a detecção de casos nas notificações de microcefalia as seguintes definições de caso para notificação devem ser adotadas: gestante com identificação de microcefalia durante a gestação (intraútero); recém-nascido, entre 37 e 42 semanas de gestação, com perímetro cefálico aferido ao nascimento igual ou menor que 33 cm, na curva da OMS; recém-nascido, menor que 37 semanas de gestação, com perímetro cefálico aferido ao nascimento, menor ou igual que o percentil 3 (dois desvios padrão), na curva de Fenton”, orienta o protocolo.

Manejo clínico – O manejo clínico para atendimento, diagnóstico e acompanhamento das gestantes com fetos com confirmação de microcefalia e dos recém-nascidos com microcefalia, está dividido em três etapas: triagem, investigação diagnóstica da microcefalia e acompanhamento do crescimento e desenvolvimento dos recém-nascidos diagnosticados com microcefalia nas cinco unidades de referência.

A triagem é feita a partir da anamnese e exame físico, que serão realizados no ambulatório dos 22 serviços que compõem a rede de perinatologia do Estado. “Os casos de gestantes, que no pré-natal apresentem suspeita de microcefalia por meio de exames de imagem, devem ser referenciados às maternidades de gestação de alto risco da sua região para realização de acompanhamento do pré-natal de alto risco. Além disso, as gestantes que apresentem suspeitas de doenças exantemáticas febril devem ser encaminhadas pelas unidades de saúde da família as maternidades de referência, com objetivo de cadastramento, para seguimento prospectivo com realização de exames laboratoriais e de imagem”, destaca o protocolo.

De acordo com o protocolo, a investigação diagnóstica da microcefalia será realizada nos cinco serviços de referência: Maternidade Cândida Vargas, Maternidade Frei Damião e Hospital Universitário Lauro Wanderley, em João Pessoa; Maternidade Peregrino Filho, em Patos, e o Instituto de Saúde Elpídio de Almeida, em Campina Grande. Nos casos com confirmação diagnóstica, haverá o seguimento e acompanhamento das gestantes/fetos e dos recém-nascidos.

O protocolo explica, também, aos serviços de saúde como devem ser feitas a coleta, conservação e o transporte das amostras que serão encaminhadas ao Laboratório Central de Saúde Pública da Paraíba (Lacen-PB). No caso das notificações, um instrumento de registro rápido foi elaborado para consolidação e caracterização da emergência. O registro dos casos identificados de microcefalia a partir do dia 1 de agosto de 2015, que se enquadram na definição de caso, devem ser realizados oportunamente no formulário de Registro de Eventos de Saúde Pública referente às microcefalias (RESP – Microcefalias), no endereço www.resp.saude.gov.br.

“A suspeita, notificação e registro oportuno de casos de microcefalia são fundamentais para ativar o processo de investigação, visando à identificação das prováveis causas, assim como o acompanhamento da evolução destes casos”, informa o documento. Todos os casos notificados que cumprirem a definição de caso suspeito de microcefalia devem ser investigados para identificação oportuna da ocorrência de alteração do padrão de microcefalia em nascidos vivos no estado.

Dados – Até o dia 20 de novembro foram notificados 104 casos suspeitos de microcefalia, distribuídos em 32 municípios do Estado. Em João Pessoa, foram 50 casos notificados (48,1%). No município do Conde, foram nove casos (8,7%), e em Caaporã quatro casos (3,8%). Os municípios de Alcantil, Bayeux, Monteiro e Pedras de Fogo contabilizam três casos cada um (2,9% cada município). Os municípios de Cabedelo, Juripiranga, São Miguel de Taipu e Sapé notificaram dois casos cada um (1,9% cada município).

Já os municípios de Algodão de Jandaíra, Alhandra, Aroeiras, Baía da Traição, Boqueirão, Campina Grande,Catolé do Rocha, Caturité, Damião, Guarabira, Gurinhém, Jacaraú, Juru, Lucena, Olivedos, Piancó, Salgado de São Félix, Santa Rita, São Domingos do Cariri e Campo de Santana notificaram um caso suspeito em cada um deles (1% cada município).

Confira aqui o protocolo na íntegra.