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4 de julho de 2011

Saúde cobra de hospitais informação semanal sobre suspeitas de KPC



A Secretaria de Estado da Saúde (Ses) desenvolveu novos protocolos a serem seguidos pelos estabelecimentos hospitalares sobre a notificação dos casos de KPC (Klebsiella Pneumoniae Carbapenemase), a bactéria multirresistente. Em uma coletiva à imprensa no final da manhã desta segunda-feira (4), na sede da Secretaria, o coordenador da Comissão Estadual de Controle de Infecção em Serviços de Saúde (Ceciss), Francisco de Assis Silva Paiva, explicou que os hospitais receberam as instruções sobre o novo protocolo para notificar KPC e, a partir de agora, os casos notificados da bactéria nos hospitais serão comunicados semanalmente a SES.

“Teremos um boletim que será emitido pelos hospitais para que possamos ter um controle maior sobre as notificações de KPC. Tivemos uma reunião com representantes dos hospitais de João Pessoa para que eles comecem a enviar as informações de suspeitas da bactéria para a Secretaria. Passamos a nota técnica que desenvolvemos com mais de 25 itens técnicos que devem ser seguidos para evitar a proliferação da KPC”, explicou.

Advertências e multas – A nova ficha de notificação de KPC com normas e orientações técnicas a todos os estabelecimentos de saúde de João Pessoa foi entregue na semana passada pela SES. A Secretaria também efetuou o recadastro de todas as Comissões de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) dos hospitais públicos e privados.

Segundo Francisco de Assis, será firmado ainda no Ministério Público um Termo de Responsabilidade entre a Ses e a direção dos estabelecimentos hospitalares no qual conterá a expressa obrigatoriedade e compromisso dos gestores das unidades hospitalares com o bom funcionamento das CCIH. Os hospitais que não informarem a Ses as suspeitas de KPC e não adotarem as medidas de segurança deverão ser punidos com advertências e multas.

Também foi implantado um novo fluxo de laboratório, onde amostras de exames suspeitos de KPC serão enviados ao Laboratório Central Estadual (Lacen) para que possa ser confirmado a bactéria. O Lacen também manterá plantão nos finais de semana e feriados para receber qualquer amostra que seja diagnosticada como suspeita.

Medidas preventivas – O médico infectologista fez questão de frisar que não há motivo para preocupação, porque a KPC só existe no meio hospitalar, principalmente na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Ele também lembrou que a principal arma contra a bactéria multirresistente é a higiene. “Lavar as mãos sempre em qualquer procedimento já elimina muito os riscos de contaminação com a KPC e outras bactérias”, disse.

Ele esclareceu também que o caso do Hospital Edson Ramalho foi controlado e que nenhum outro paciente chegou a ser contaminado com a KPC no local. “O Hospital Edson Ramalho agiu corretamente e conseguiu evitar que a KPC contaminasse outros pacientes. O fato é que todos os pacientes que estavam na UTI, na época que surgiu o caso lá, receberam alta e não pegaram a bactéria”, destacou.

Sintomas – Os principais sintomas de uma pessoa infectada pela KPC são pneumonia e infecção urinária. Ela atinge principalmente pessoas hospitalizadas com baixa imunidade, como pacientes de UTI. A bactéria pode ser transmitida por meio do contato direto, como o toque, ou pelo uso de objetos. A lavagem das mãos é uma das formas de impedir a disseminação da bactéria nos hospitais. Ela é controlada com o uso de antibióticos.

Casos na Paraíba – A Comissão Estadual de Controle de Infecção em Serviços de Saúde (Ceciss) informou que oficialmente a Ses registrou 22 casos no ano passado. Este ano foram duas notificações e os pacientes foram a óbito.