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5 de novembro de 2013

Saúde capacita em prevenção à raiva humana e tratamento de acidentes com animais peçonhentos



Profissionais de saúde das redes hospitalares públicas e privadas de 34 municípios do Sertão começaram nesta terça-feira (5) um treinamento sobre novas técnicas de prevenção da raiva humana e também de diagnóstico e tratamento dos acidentes por animais peçonhentos. O treinamento, que é realizado pela Secretaria de Estado da Saúde (SES), se encerra nesta quarta-feira 6) no auditório do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFPB), em Cajazeiras, e abrange os municípios que formam as 8ª, 9ª e 10ª gerências regionais de saúde.

De acordo com o chefe do Núcleo de Controle de Zoonoses da SES, Francisco de Assis Azevedo, a qualificação tem como objetivo capacitar médicos e enfermeiros na condução desses agravos, levando em consideração a importância médica dos acidentes por animais peçonhentos para a saúde pública, que pode ser expressa pelos milhares destes acidentes e dezenas de óbitos registrados por ano decorrentes dos diferentes tipos de envenenamento. “Desses, o escorpionismo vem adquirindo magnitude crescente, correspondendo em aproximadamente 35% das notificações, e superando em números absolutos os casos de ofidismo”, explicou.

Assis afirmou que esse mesmo grupo será capacitado na profilaxia da raiva humana. Durante a capacitação os profissionais receberão informações de como a doença se manifesta nas espécies animais, situação epidemiológica e, principalmente, as condutas a serem adotadas para atender as vítimas de animais transmissores da raiva.

Novas capacitações – De acordo com cronograma da SES essa capacitação será realizada nos dias 12 e 13 deste mês em Campina Grande e nos 20 e 21, em João Pessoa. Nos dias 3 e 4 de dezembro haverá em Patos.

Animais peçonhentos – São aqueles que produzem ou modificam algum veneno e possuem algum aparato para injetá-lo na sua presa ou predador. Os principais animais peçonhentos que causam acidentes no Brasil são algumas espécies de serpentes, de escorpiões, de aranhas, de lepidópteros (mariposas e suas larvas), de himenópteros (abelhas, formigas e vespas), de coleópteros (besouros), de quilópodes (lacraias), de peixes, de cnidários (águas-vivas e caravelas), entre outros.

Os animais peçonhentos de interesse em saúde pública podem ser definidos como aqueles que causam acidentes classificados pelos médicos como moderados ou graves.

De acordo com Francisco de Assis, em todo o Brasil aumentou muito o número de ataques desses animais devido a problemas ambientais e de controle urbano, além da falta de medidas preventivas, como manter limpos quintais e terrenos baldios, e as condições precárias de moradias que favorecem o aparecimento principalmente de escorpiões e roedores. Na Paraíba, nos últimos três anos, foram registrados 9.091 ataques desses tipos de animais.

Os acidentes por animais peçonhentos e, em particular, os acidentes ofídicos, foram incluídos pela Organização Mundial da Saúde na lista das doenças tropicais negligenciadas que acometem, na maioria dos casos, populações pobres que vivem em áreas rurais.

Em agosto de 2010, o agravo foi incluído na Lista de Notificação Compulsória (LNC) do Brasil. Essa importância se dá pelo alto número de notificações registras no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), sendo acidentes por animais peçonhentos um dos agravos mais notificados.

A partir das análises dos dados do Sinan, a vigilância epidemiológica é capaz de identificar o quantitativo de soros antivenenos a serem distribuídos às Unidades Federadas, além de determinar pontos estratégicos de vigilância, estruturar as unidades de atendimento aos acidentados, elaborar estratégias de controle desses animais, entre outras medidas.

Raiva – O último caso da raiva humana registrado na Paraíba foi em 1999. A doença é transmitida pelo cão e está controlada na Região Sul e em alguns Estados da Região Sudeste, havendo a perspectiva de sua eliminação nesta década. Para cumprir esse objetivo foram reforçados o monitoramento da circulação viral e a intensificação da vacinação antirrábica canina com a realização de campanhas anuais e de outras ações de caráter educativo e preventivo como acontece na Paraíba.

A raiva é uma doença infecciosa aguda, de etiologia viral, transmitida por mamíferos, que apresenta dois ciclos principais de transmissão: urbano e silvestre. É uma zoonose de grande importância na saúde pública por apresentar letalidade de 100%. É uma doença passível de ser eliminada no ciclo urbano pela existência e disponibilidade de medidas eficientes de prevenção tanto em relação ao homem quanto à fonte de infecção. As principais fontes de infecção no ciclo urbano são o cão e o gato. No Brasil, o morcego hematófago é o principal responsável pela manutenção da cadeia silvestre.

Nos últimos dez anos, o aumento na detecção de casos de raiva em outros mamíferos, como morcegos, raposas e saguis, e a identificação de novas variantes virais vêm apontando para uma mudança no perfil epidemiológico da raiva no País, com a caracterização dos ciclos aéreo e silvestre terrestre, além dos ciclos urbano e rural. Diante desse fato o Ministério da Saúde vem promovendo discussões no sentido de estabelecer novas estratégias para o controle da raiva, de acordo com as diferentes realidades epidemiológicas encontradas no País.

Neste ano a ocorrência de surtos de raiva humana transmitida por morcegos na Amazônia destaca a importância deste ciclo de transmissão, que requer estratégias diferenciadas para o controle.

Nas duas últimas décadas houve uma redução significativa no número de casos humanos registrados por ano, caindo de 173, em 1980, para 17 casos em 2003, tendo o cão como o principal transmissor da doença. Atualmente, esses casos estão concentrados principalmente na Região Norte e Nordeste. Desde 2003 todas as Unidades da Federação disponibilizam, na rede de serviços de saúde, de vacina de alta qualidade para a profilaxia da raiva humana, a vacina de cultivo celular.