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9 de junho de 2015

Saúde alerta sobre cuidados com queimaduras no período junino



A chegada do mês de junho marca o início do período de festas e comemorações de São João, mas também inspira muita atenção. Apesar da beleza e encantamento, acidentes com fogos de artifício e fogueiras são bastante recorrentes nessa época do ano e atingem, principalmente, as crianças – que podem pisar nas cinzas ainda quentes ou se machucar na hora de soltar os rojões. Pensando nisso, o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (SES-PB), orienta sobre como prevenir queimaduras, especialmente neste período do ano, onde as brincadeiras típicas envolvem uso de fogos, balões, bombinhas e fogueiras.

De acordo com o coordenador médico do Serviço de Cirurgia Plástica e Queimados do Hospital de Trauma de João Pessoa, Saulo Montenegro, o número de atendimentos de pacientes com queimaduras por fogos de artifício dobra durante os festejos juninos. “Todos os fogos de artifício são perigosos e, portanto, é preciso tomar muito cuidado. É imprescindível seguir fielmente as normas de segurança do fabricante. Além disso, nunca deixar crianças soltar fogos sozinhas, mesmo aqueles que parecem inofensivos”, alertou o coordenador.

A combinação do uso de fogos de artifício com bebida alcoólica pode trazer consequências irreversíveis. “Observamos o aumento do número de pacientes queimados entre 18 e 30 anos por soltar fogos ingerindo álcool. Além de ferimentos superficiais, ocorrências mais graves podem ocasionar queimaduras de terceiros grau, levando a perda de dedos das mãos e de músculos. Para estes jovens, muitas vezes as sequelas são permanentes, incapacitando-os, inclusive, para o mercado de trabalho”, pontuou Saulo Montenegro.

Tipos de queimadura – Queimadura é toda lesão causada por agentes térmicos, químicos, elétricos ou radioativos que agem no tecido de revestimento do corpo, destruindo parcial ou totalmente a pele, podendo atingir tecidos mais profundos, como o subcutâneo, o músculo, o tendão e o osso.

Quanto à profundidade, as queimaduras podem ser classificadas em 1°, 2º e 3º grau. As queimaduras de 1º grau são aquelas que atingem apenas as camadas superficiais da pele, apresentam vermelhidão, inchaço e dor local, não há formação de bolhas. São chamadas queimaduras de 2° grau aquelas que atingem camadas mais profundas da pele, apresentam bolhas, pele avermelhada e desprendimento de camadas da pele. Já as de 3° grau são as queimaduras que atingem todas as camadas da pele, podendo chegar aos ossos, apresentam pouca ou nenhuma dor, pele branca ou carbonizada.

Como evitar – Alguns cuidados que podem ser tomados para evitar que queimaduras causadas por fogos de artifício ocorram são: não segurar os fogos de artifício com as mãos, não tentar acender os fogos que falharem, disparar os fogos apenas ao ar livre e um de cada vez, não deixar as crianças manusearem os produtos, evitar soltar os fogos perto de hospitais ou sob a copa de árvores, conferir o certificado de garantir do produto e nunca associar bebida alcoólica ao uso de fogos.

Como tratar – Em caso de queimadura, a região afetada deve ser lavada com água corrente ou soro fisiológico e protegida com uma compressa úmida. “Nada de aplicar creme dental, borra de café, manteiga, margarina ou outras receitas caseiras, que apenas pioram o quadro (provocando infecções, por exemplo). Esses elementos podem agravar a dor ou até mesmo causar complicações como infecção e inflamação do local”, esclareceu Saulo Montenegro.

O coordenador médico do Serviço de Cirurgia Plástica e Queimados do Hospital de Trauma de João Pessoa indicou, ainda, que, caso ocorra algum acidente com queimaduras, é essencial tratá-las desde o início. “Independente do grau da queimadura, os primeiros cuidados são essenciais para o processo de cicatrização do ferimento. Após sofrer uma queimadura leve, a recomendação é resfriar o local com água corrente e fria. Além de evitar que a queimadura continue evoluindo, a água fria alivia a dor e higieniza o local”.

Durante o processo de cicatrização, é importante evitar o contato da roupa com a região afetada, tomar banho morno com sabonete suave e passar um hidratante neutro, sem perfume e álcool. Envolver a área com panos limpos também é muito importante. No caso das queimaduras pequenas, é indicado o uso de pomadas antibióticas para evitar possíveis infecções na pele em recuperação.

Caso as queimaduras sejam mais graves, de 2º ou 3º grau, é sempre indispensável procurar atendimento médico. “No Hospital de Trauma de João Pessoa temos o Disk Queimados, através do telefone 3216-5700. Antes de ser encaminhado ao hospital, o paciente pode ligar para ser orientado sobre como proceder ainda no local do acidente”, explicou Saulo Montenegro.

Dados – O Hospital Estadual de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena, em João Pessoa, observa, através de levantamento de dados, que crianças de 1 a 4 anos são as mais atingidas em casos de queimaduras. Até abril deste ano, onde foram contabilizados 407 atendimentos a queimados, 60 casos envolviam crianças de 1 a 4 anos. Em todo o ano de 2014, 1.326 queimados foram atendidos na unidade, tendo a faixa etária com maior incidência a de 1 a 4 anos. Foram 1.280 casos de atendimentos por queimadura no ano de 2013, tendo maior ocorrência a faixa etária de 1 a 4 anos, com 227 casos.

Vale lembrar que o Hospital de Trauma de João Pessoa iniciou no dia 2 deste mês a 13ª Campanha de Prevenção de Queimaduras. A campanha, que tem como slogan “Marcas que Ficam para Sempre”, visa orientar e sensibilizar todos os colaboradores da unidade, além da população, sobre a necessidade do cuidado com os fogos, fogueiras e tudo o que apresenta risco de queimaduras. As ações vão acontecer dentro e fora do hospital e representam um esforço do Governo do Estado e da Cruz Vermelha Brasileira como medida preventiva desse tipo de ocorrência que, quando não mata, pode causar danos irreversíveis à saúde das vítimas.

Já em Campina Grande, o Hospital Estadual Dom Luiz Gonzaga é o único que possui uma unidade de queimados com atendimento ambulatorial e hospitalar funcionando 24 horas, atendendo a população do compartimento da Borborema. A equipe é formada por seis cirurgiões plásticos, dez enfermeiros, 17 técnicos de enfermagem, nutricionistas, psicólogos, assistentes sociais e fisioterapeutas.

De acordo com levantamento feito pelo Trauma de Campina Grande, as crianças até seis anos de idade são as maiores vítimas de queimaduras causadas por líquidos quentes, choque elétrico e por fogos de artifícios ou fogueiras juninas. Nos meses de junho e julho há um aumento em torno de 30% nos atendimentos em virtude do São João e período de férias escolares. A maior quantidade de queimaduras acontece nos dias 12, 23 e 28 de junho, respectivamente, vésperas dos dias de Santo Antônio, São João e São Pedro.

Durante todo este ano, cerca de 100 pacientes já foram atendidos com queimaduras, sendo 58 deles adultos e 38 crianças. No ano de 2014, foram 847 pacientes atendidos na Unidade de Queimados. Já em 2013, foram 792 casos envolvendo queimaduras.

O Trauma de Campina Grande iniciou nessa segunda-feira (8) a campanha de prevenção de queimaduras, que se estende até o dia 30 deste mês. Com o slogan “Quem brinca com fogo pode se queimar”, a ação é feita com a distribuição de um material educativo, com o objetivo de alertar as pessoas para o perigo de manusear fogos de artifício de forma inadequada. Além disso, serão realizadas palestras educativas em escolas públicas e privadas e panfletagem em pontos estratégicos de Campina Grande.