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4 de maio de 2016

Sarau Poético do Cearte homenageia poetisa Francisca Vânia



O Centro Estadual de Artes (Cearte) homenageou a poetisa paraibana Francisca Vânia no Sarau Poético realizado na quarta-feira (27), na sede da instituição. A homenagem foi acompanhada de forma entusiasmada pelos alunos do Liceu Paraibano, onde a professora dá aula. Com base na obra da autora, que tem dois livros de poesia e um de prosa publicados, alunos e professores apresentaram performances e intervenções artísticas em áreas diversas como arte visual, audiovisual, dança, literatura, música e teatro.

“A poesia é um caminho que nos leva ao encontro e ao desencontro das coisas e das pessoas. É um meio de sobrevivência, de viver com liberdade”, assim define a poetisa. Com quase trinta anos lecionando nas escolas, Francisca conta que foi justamente a experiência nas salas de aula que a levou a se aventurar no universo da escrita. “Foi uma influência grande. Talvez se eu nem fosse professora não tivesse me enveredado pelo mundo da escrita. Minha profissão influenciou muito”, pontuou.

“Eu sempre fui estudante, sempre li, eu tenho quatro especializações e hoje eu estou no mestrado. Nunca fiquei satisfeita, sempre mantive a sede do saber. Chega um momento que você lê tanto o que é dos outros que nasce uma necessidade de você também se colocar através da palavra escrita. O seu dizer através da palavra escrita”.

Além da experiência em sala de aula, também inspirou Francisca a obra de renomados poetas e romancistas, como Drummond de Andrade, Vinicius de Moraes, Cecília Meirelles, Machado de Assis e Graciliano Ramos.

Com dois livros de poesia, a autora revela que tem uma preferência. “Eu tenho uma queda pela poesia. Porque a poesia você pode dizer o que não tem coragem de assumir humanamente. A poesia retrata, transfigura”. Sobre o primeiro livro, Tecendo poemas nos ecos do eu, Francisca conta que é mais intimista. “É ver o mundo através do filtro, dos olhos da autora, só sentimentos, das vivências, das experiências de vida. As pessoas passam e a gente absorve”.

O segundo livro de poesias segue um víeis mais abstrato e natural. “É uma leitura subjetiva de mundo, mas é uma leitura mais abstrata, não centrada no eu humano, nos sentimentos, no posicionamento de vida. Traz elementos da natureza. Diz o título: Eu e as borboletas nas asas do vento, como se esses elementos integrassem a condição humano do ser e estar no mundo. É nessa perspectiva”, explica.

Já o livro de prosas faz um casamento entre a escrita de Machado de Assis e a psicanálise do francês Jaques Lacan. ‘Das Palavras à Imagem Fílmica: A Cartomante pelo viés da Psicanálise’ é uma leitura do conto A Cartomante, de Machado de Assis. A leitura vai mostrando que as personagens do conto vão se revelando através da fala, porque “eu sou o que minha fala diz”, quer dizer “eu me revelo na fala, nos atos falhos, nos escorregos e nos tropeços de fala”.

A autora – Francisca Vânia Rocha Nóbrega, natural da cidade de Santa Cruz no interior do estado, mora há 30 anos em João Pessoa. É formada em Letras pela Universidade Federal da Paraíba e tem quatro especializações. É professora de língua portuguesa, literatura e redação no Liceu Paraibano.

O Sarau – O Sarau faz parte das atividades do Núcleo da Palavra, responsável pela área de literatura do Cearte. O objetivo é estimular o uso da palavra através da leitura e ajudar a exercitar a interpretação dentro das linguagens artísticas da escola. As apresentações serão realizadas na sede do Cearte, no Mosteiro de São Bento, no Centro de João Pessoa. A entrada é franqueada ao público.