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Sala de Situação Estadual recebe visita do Ministério da Saúde para definir novas estratégias de combate ao Aedes

sexta-feira, 20 de maio de 2016 - 17:31 - Fotos:  Ricardo Puppe

Uma equipe do Ministério da Saúde visitou, na manhã desta sexta-feira (20), a Sala de Situação Estadual, localizada no Espaço Cultural, em João Pessoa, como parte do processo de intensificação das atividades de combate ao Aedes aegypti. Na oportunidade, foram analisadas as atividades desenvolvidas em todo o Estado, além da elaboração de novas estratégias de enfrentamento ao mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya.

Participaram da reunião técnicos da Sala de Situação Estadual, representantes da Secretaria Estadual de Saúde (SES – Gerência Operacional de Vigilância Ambiental, Gerência de Vigilância em Saúde, Núcleo de Atenção à Saúde, Núcleo de Controle Vetorial), da 1ª Gerência Regional de Saúde, juntamente com representantes da Defesa Civil, Secretaria Estadual de Desenvolvimento Humano, Conselho das Secretarias Municipais de Saúde (Cosems), Fundação Nacional de Saúde (Funasa), além de membros do Ministério da Saúde em âmbito nacional estadual.

Durante o encontro, foi apresentado o Plano Estadual de Combate ao Aedes, instituído em dezembro de 2015, desde que foi decretada situação de emergência nacional e estadual. “O Plano está dividido em cinco eixos: Controle Vetorial; Atenção ao Paciente; Vigilância Epidemiológica; Gestão, Comunicação e Mobilização; Pesquisa. Através dele, várias atividades são programadas em todo o Estado envolvendo o enfrentamento ao Aedes”, informou a gerente executiva de Vigilância em Saúde, Renata Nóbrega.

Também foi apresentado o balanço das ações de combate ao mosquito na Paraíba – sensibilização da população por meio das visitas casa a casa em parceria com o Exército Brasileiro e o Corpo de Bombeiros, faxinaços, oficinas e qualificação de profissionais da rede de assistência, atividades educativas nas escolas, eliminação dos criadouros – a situação epidemiológica das doenças causadas pelo Aedes.

“Mesmo com o reforço das atividades em todo o Estado, surgem novos casos diariamente. Este ano, por exemplo, foram notificados até o dia 7 de maio 28.203 casos prováveis de dengue na Paraíba e três óbitos confirmados. Para a chikungunya, 4111 casos suspeitos já foram notificados. Com relação à zika, até 25 de abril foram registrados 2.479 casos notificados como suspeitos. Tudo isso requer muita atenção e o envolvimento eficaz de toda a população para que possamos deter o quanto antes a ação do mosquito”, declarou Renata.

O Programa Alô Mãe também entrou em discussão. “O Programa acompanha, por meio de ligações telefônicas, o processo de cuidado no pré-natal das gestantes em todo o Estado. Os profissionais do Alô Mãe ligam para as gestantes e fazem perguntas contidas num questionário, como dados pessoais; datas de consultas; exames e vacinas, além de fornecer orientações sobre o acompanhamento que deve ser realizado pelos profissionais das equipes de saúde da família. Além disso, alertam da necessidade de enfrentamento e combate ao mosquito Aedes aegypti”, informou a gerente do Núcleo de Atenção à Saúde da SES, Patrícia Assunção.

A partir das informações disponibilizadas pelas gestantes, será considerado alerta o fato de terem apresentado sintomas e/ou sinais das doenças ocasionadas pelo mosquito (dengue, zika e chikungunya), durante a gestação. “Nestes casos, de imediato, as gestantes serão orientadas a buscarem os serviços de referência, considerando o Protocolo de Atenção à Microcefalia do Estado da Paraíba”, acrescentou Patrícia.

Entre os pontos de pauta apareceu, também, a “situação de emergência” no que diz respeito à estiagem em municípios paraibanos. “Até o momento, 22 municípios estão totalmente desabastecidos de água e utilizando carros-pipa periodicamente. 93 estão em racionamento de água e 14 já estão em alerta para a necessidade de racionar. O desabastecimento de água também influencia no reforço das ações de combate ao mosquito, porque a população começa a armazenar em reservatórios e é aí onde mora o perigo”, comentou o gerente operacional da Defesa Civil, Antônio Cavalcanti.

Avaliação – Em análise do que foi discutido, a equipe do Ministério da Saúde (MS) parabenizou o trabalho intersetorial da Sala de Situação Estadual. “As referências que nós recebemos do trabalho da Paraíba são extremamente positivas, especialmente por se tratar de um Estado que, contextualizando com o cenário nacional, teve um impacto maior com relação às doenças causadas pelo Aedes aegypti”, declarou o representante da Sala de Situação Nacional do MS, André Bonifácio.

André sugeriu que, não só no Estado, mas em todo o Brasil, sejam fortalecidas ainda mais as ações de combate. “Sugiro que a Sala Estadual firme parceria com a Universidade Federal da Paraíba (UFPB), instigando a elaboração de novas pesquisas com relação aos vários temas que permeiam o assunto Aedes aegypti. Além disso, os alunos da área de saúde da Universidade têm acesso aos serviços e isso pode melhorar ainda mais nas atividades desempenhadas pelo Estado”, comentou.

Ele instigou, ainda, que seja retomada a elaboração de um Comitê no Estado. “A Sala é um dispositivo operacional e o Comitê figura como um dispositivo político. Um encontro periódico do Comitê de, no mínimo, uma vez por mês, dispara ações essenciais nas tomadas de decisão. Estamos nos aproximando de um período complicado, os casos tendem a diminuir por uma questão de sazonalidade e é normal que as pessoas comecem a relaxar e isso não é bom. Mais do que nunca, o Governo do Estado e os municípios precisam dar um reforço na discussão do processo”, analisou André.

O representante da Sala de Situação Nacional comentou, ainda, sobre a aproximação das Olimpíadas e das Eleições. “São dois ópios para as pessoas se envolverem até o final do ano. O perigo é o pós-eleição, pois a tendência é que haja um desmonte das prefeituras. Com as mudanças de gestão, é possível que haja mudanças também nas equipes de agentes comunitários e de saúde, nas equipes de saúde da família, nas equipes que distribuem os dados. Tudo isso requer um reforço político tremendo nas ações do segundo semestre”, explicou.