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Ricardo reúne população para discutir situação habitacional de Rio Tinto

quinta-feira, 6 de junho de 2013 - 12:05 - Fotos:  José Marques/Secom-PB

Durante plenária realizada nessa quarta-feira (5), o Governo do Estado, a Prefeitura de Rio Tinto e a população discutiram soluções para as 1.200 famílias que moram há décadas nas casas alugadas pelo grupo proprietário da antiga fábrica de tecidos da cidade. O primeiro passo será a realização, pela Cehap e pela associação dos moradores, de um levantamento, casa por casa, para saber o perfil de renda, número de pessoas nas casas e documentação, que será repassado para a diretoria nacional da Caixa estudar uma forma de financiamento que se enquadre na situação.

Ricardo Coutinho é o primeiro governador que articula diretamente uma saída para as famílias que, desde que a fábrica fechou em 1990, vivem em casas que haviam sido construídas para os antigos funcionários e foram alugadas pelo grupo. A situação tem impedido o desenvolvimento do comércio e de empresas no município, que também é cercado por áreas indígenas e de preservação ambiental.

A plenária contou com a participação de mais de 500 pessoas que discutiram a situação e as possíveis soluções com o governador, a prefeita de Rio Tinto, Dudu de Brizola, a presidente da Cehap, Emília Correia Lima, a secretária de Desenvolvimento Humano, Cida Ramos, e o presidente da Associação de Moradores, José Antônio Pereira.

Moradores como o ex-funcionário da tecelagem, José João Filho, contaram sobre o drama de passar quase 70 anos pagando aluguel de um imóvel que não lhe pertence e nem ficará para seus filhos e netos. “Viemos trabalhar aqui na fábrica e depois que ela fechou ficamos abandonados, sem emprego, e tendo que pagar o aluguel. A nossa esperança é ver um governador tentando resolver a situação das famílias que sonham em poder ter a sua casa própria”, completou.

O governador afirmou que está buscando junto à Caixa, o grupo proprietário das casas e os moradores uma solução para que essas famílias saiam do aluguel e tenham as suas escrituras. Ricardo afirmou que o próprio grupo já admite vender as casas de uma forma coletiva e agora a meta é buscar na Caixa uma linha financeira que se adeque à situação.

Essa plenária demonstrou como a população está unida e com esperança para resolver as situação que não é fácil, pois se assim fosse, seu José João não estaria há quase 70 anos pagando aluguel. Esse não é um problema que o Governo do Estado possa resolver sozinho, mas estamos articulando e construindo uma solução com base legal, pois é uma situação inédita em que a cidade desde a sua fundação tem praticamente todos os imóveis pertencentes a um grupo cuja fábrica fechou, mas continuou ao longo do tempo cobrando o aluguel sem demonstrar interesse em vendê-los”, explicou Ricardo.

A presidente da Cehap, Emília Correia Lima, informou que o órgão iniciou nesta quinta-feira (5) o levantamento junto aos moradores das casas para ser entregue à Caixa nacional, que enviará técnicos a Rio Tinto para avaliar a situação. “A Cehap e a Caixa estão estudando uma solução para a situação que é inédita no Brasil. Sabemos que a situação não é simples, mas estamos certos que só vamos parar de lutar quando os cidadãos possam ter o direito de comprar e ser dono do imóvel que vivem durante toda a vida”.

A prefeita de Rio Tinto, Severina Alves, conhecida como Dudu de Brizola, destacou que a ação do Governo do Estado significa uma luz no fim do túnel para essa situação que representa muito sofrimento para a população e atrapalha o seu crescimento e desenvolvimento. “Agradeço a coragem do governador Ricardo de entrar nessa luta que é muito difícil, mas que de forma conjunta pode sim ter solução”.

O presidente da Associação dos Moradores de Rio Tinto, José Antônio, disse que desde que participou da reunião com o presidente da Caixa, Jorge Hereda, e o governador Ricardo Coutinho, em Brasília, teve a certeza que se chegará a uma solução para que as casas sejam financiadas. “O governador tem demonstrado muito empenho para resolver o maior problema do município e a sua vinda aqui para debater e ouvir a população é uma demonstração disso”, frisou.

José Antônio destacou que os moradores estão ansiosos pela realização desse levantamento, porque sabem que só depois disso será possível a definição de uma linha de crédito pela Caixa para que, enfim, Rio Tinto saia do inquilinato e conquiste a sua independência.

Everaldo Davi disse que mora em uma casa do grupo em que a sua esposa nasceu e vive há 53 anos. Todo esse tempo a família sempre pagou aluguel, dinheiro que poderia ter sido investido em uma casa própria. “Não queremos mais continuar pagando aluguel e investindo na reforma de uma casa que não será nossa e nem poderemos deixar como herança para nosso filhos. Uma empresa não pode monopolizar praticamente todas as residências e até imóveis para fins públicos em nome do lucro, impedindo o crescimento de toda uma cidade”, desabafou.