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Reeducandas expõem bonecas artesanais no Fórum Criminal da Capital

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012 - 18:36 - Fotos:  Walter Rafael / Secom-PB

O Governo do Estado, por meio da Secretaria da Administração Penitenciária (Seap), levou ao Fórum Criminal Osvaldo Trigueiro Melo, nesta quarta-feira (12), a exposição “Castelo de Bonecas”, que reúne trabalhos das reeducandas da Penitenciária de Reeducação Feminina Maria Júlia Maranhão, localizada no bairro de Mangabeira, em João Pessoa.

A exposição, que reuniu cerca de 130 bonecas confeccionadas por 10 reeducandas nos últimos meses dentro da penitenciária, atraiu a curiosidade dos visitantes que não passavam pelo stand de vendas sem adquirir uma peça, a exemplo da defensora pública criminal Cardineuza de Oliveira Xavier, que levou para casa quatro bonecas. “Meu trabalho é em defesa dos apenados e quando me deparo com tanta beleza é impossível não comprar. Já conheço o trabalho delas e posso dizer que evoluíram bastante, tanto que estou levando para minhas netas”, destacou.

Segundo a diretora da unidade prisional, Cinthya Almeida, a exposição das bonecas começou ainda de forma tímida há seis meses, no pátio da penitenciária, mas alcançou proporções maiores devido os talentos revelados. “Hoje percebemos a evolução dos trabalhos e o empenho delas durante a confecção. Além disso, outra forma de incentivo é que as vendas são revertidas para a família de cada uma delas”, afirmou a diretora, acrescentando que em janeiro serão organizados grupos de trabalho para que outras detentas aprendam o ofício.

A reeducanda idealizadora da ideia, Sandra Maria de Souza, 38 anos, que trabalha com artesanato desde a adolescência, disse que o cumprimento da pena em regime fechado estimulou a produção das bonecas. “Comecei costurando a mão os retalhos que eu encontrava, mas passamos a ter apoio da direção e acabei ensinando as outras detentas que se interessaram”, explicou.

Após dois anos e cinco meses de reclusão por tráfico de drogas, Sandra Maria, que já está ao final da sua pena, sonha em voltar para casa, encontrar os cinco filhos e trabalhar vivendo do artesanato. “Nos sentimos muito felizes porque as pessoas valorizam nosso trabalho. Ensinei com  paciência as minhas colegas e quando eu sair elas darão continuidade da mesma forma que eu vou ensinar as minhas filhas”, disse.

A funcionária da Secretaria de Desenvolvimento Humano, Geane Rodrigues, soube da exposição pela rede social facebook e, como não podia reservar, compareceu pessoalmente. “Achei fantástica a ideia, a delicadeza das bonecas nas quais reportam a infância e, também, a casa delas, da qual estão longe. Elas conseguem externar este sentimento através desses trabalhos fabricados num ambiente de presídio”, ressaltou a funcionária, dizendo que não estaria levando para casa apenas presentes de natal, mas uma forma de incentivo para que elas deixem a prisão com uma profissão.

Confecção das bonecas – A produção das bonecas artesanais é feita durante os intervalos que as detentas possuem, seja em horários de almoço, à noite ou nos finais de semana. Elas são fabricadas com enchimento siliconado, acrílico, algodão cru e colorido, lã de tricô, fitas, malhas, tecidos, linhas, cola e tintas. Tudo vai depender da criatividade de cada uma delas. Parte do dinheiro arrecadado com a venda das bonecas é destinada à compra de materiais para a produção de novas peças e o restante para familiares das detentas. A exposição, que deverá percorrer outros locais, já foi exibida na Fundação Cidade Viva e PBTur.