Fale Conosco

14 de maio de 2014

Rede de saúde se mobiliza para marcar Dia de Controle da Infecção Hospitalar



Nesta quinta-feira (15), quando transcorre o Dia Nacional de Controle de Infecção Hospitalar, unidades hospitalares da rede estadual realizarão atividades para marcar a data e disseminar tecnologias, procedimentos técnicos e atitudes que visam a prevenção da infecção nos serviços públicos de saúde.

Cada hospital e demais unidades de atendimento farão suas próprias programações, mas em todas haverá campanha de higienização das mãos, palestras sobre a adesão ao tratamento de qualidade de vida em pacientes de HIV/Aids, debates com as comissões de controle da infecção hospitalar e simpósios sobre a importância do diagnóstico e controle da infecção.

A médica infectologista Ana Campanile, coordenadora da Comissão Estadual de Controle de Infecção em Serviços de Saúde (Ceciss-PB), explica que a atuação diária de uma Comissão de Controle e Infecção Hospitalar (CCIH) é organizada e orientada pelo Programa Anual de Controle de Infecção Hospitalar de cada instituição.

Os integrantes realizam ações de vigilância epidemiológica, higienização das mãos, protocolos técnicos de procedimentos invasivos, de higienização do ambiente hospitalar, medidas de precaução e isolamento, educação continuada para os profissionais de saúde, acompanhantes e visitantes, entre outras atividades.

Os maiores beneficiados com esse trabalho são os usuários dos serviços de saúde e todos aqueles que interagem com a unidade prestadora por conseguir enxergar e vivenciar segurança e qualidade na prestação do serviço”, lembra Ana.

A Ceciss-PB monitora 112 serviços hospitalares no Estado, dos quais 43 se enquadram como prioritários para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), por apresentarem leitos de Unidades de Tratamento Intensivo (UTI) e realizarem procedimentos cirúrgicos.

Quanto às bactérias multirresistentes, em 2013 foram notificados 73 casos de portadores. Em 2014, de janeiro até agora, foram notificados 32 casos. “Percebemos um aumento nos números, o que não quer dizer que o problema esteja maior. O que ocorre é que as comissões de controle hospitalar estão mais atuantes nas ações de vigilância epidemiológica”, concluiu Campanile.

Saiba mais – O Dia Nacional de Controle de Infecção Hospitalar mobiliza os estabelecimentos assistenciais de saúde a debaterem e aplicarem os procedimentos que levem a esse controle, capaz de prevenir diversas doenças.

Entre os procedimentos para o controle de infecção hospitalar, destacam-se a higienização das mãos e do ambiente hospitalar; o uso racional de antimicrobianos; medidas de precaução e isolamento; medidas de segurança do paciente e aquisição de produtos com registro em órgãos competentes.

Surtos de infecção hospitalar – De acordo com Ana Campanile, as orientações para investigação de prováveis surtos partem da Anvisa e do Centers for Disease Control and Prevention (CDC).

Quando há um possível caso de surto, a Ceciss-PB entra em contato com a comissão da unidade sob suspeita e faz visita técnica, com caráter investigativo, onde se busca identificar os fatores de risco para uma definição dos casos”, explicou. Após a confirmação do surto, é feita uma avaliação para perceber se as medidas de controle e prevenção já estão sendo tomadas.

Controle e prevenção – O Serviço de Controle de Infecção Hospitalar tem, entre outras responsabilidades, a de implantar ações de biossegurança, que correspondem à adoção de normas e procedimentos seguros para manter a saúde dos pacientes, dos profissionais e dos visitantes, a fim de evitar a transmissão desses germes.

As ações mais importantes são a correta higienização das mãos dos profissionais de saúde; o uso do equipamento de proteção individual (EPI); o controle do uso de antimicrobianos; a fiscalização da limpeza e a desinfecção de artigos e superfícies.

As mãos são a principal via de transmissão de microorganismos durante a assistência à saúde. Por isso a higienização tornou-se a medida mais simples e menos dispendiosa para prevenir a propagação dos germes multirresistentes e das infecções hospitalares. A forma preferencial de higienizar as mãos é com água e sabão ou com o uso de álcool em gel.

As luvas servem para promover uma barreira de proteção e prevenir a contaminação das mãos quando em contato com material contaminado, matéria orgânica e pele não íntegra e reduzem a possibilidade de transmissão de microorganismos que possam estar presentes nas mãos dos profissionais durante o cuidado prestado ao paciente.

É importante lembrar que as luvas devem ser trocadas entre a realização de procedimentos de um paciente e outro e retiradas imediatamente após o uso. A falha na troca das luvas entre um atendimento e outro é responsável pela transmissão cruzada de infecções e microorganismos.

O avental é usado para prevenir a contaminação das roupas e proteger a pele do profissional durante o atendimento ao paciente, principalmente, quando há risco de contágio pela exposição a sangue e fluidos corporais. Para o cuidado com o paciente portador de germe multirresistente, o avental usado deve ser retirado antes da saída do quarto em que o paciente se encontra.

A máscara e o protetor ocular são equipamentos usados durante procedimentos a pacientes que possam gerar respingos de matéria orgânica e fluidos corporais e servem para proteger a mucosa dos olhos, nariz e boca.

Os profissionais de saúde devem ter uma postura consciente da utilização destas precauções a fim de não se infectar ou servir de fonte de transmissão cruzada. O uso de barreiras de proteção deve ser conduta priorizada, entendendo a importância da adesão às normas de biossegurança como uma forma de evitar ser um veículo de disseminação dos germes, multirresistentes ou não, durante a assistência aos pacientes.