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Projeto SB Brasil 2010 vai avaliar os moradores de João Pessoa, Sousa e Alagoinha

sexta-feira, 18 de setembro de 2009 - 13:12 - Fotos: 
A partir de novembro, 16 equipes de cirurgiões dentistas da atenção básica em saúde, entram em campo para avaliar a saúde bucal dos moradores de João Pessoa, Sousa e Alagoinha. Esses três municípios foram sorteados pelo Ministério da Saúde (MS) para fazer parte da Pesquisa Nacional de Saúde Bucal – Projeto SB Brasil 2010, que vai permitir um diagnóstico atual da saúde bucal dos brasileiros.

Pelos resultados das avaliações feitas nos três municípios paraibanos, o MS vai poder traçar o perfil epidemiológico da saúde bucal no Estado. A primeira oficina para traçar o plano de trabalho do estudo, na Paraíba, aconteceu nesta sexta-feira (18), no Centro Formador de Recursos Humanos (Cefor), em João Pessoa, e contou com a participação de técnicos da Secretaria de Estado da Saúde (SES).

A última pesquisa, divulgada em 2003, revelou que 70% das crianças com 12 anos de idade, de João Pessoa, tinham uma média de três dentes afetados por cáries, que precisaram ser obturados ou extraídos. Entre os 15 e 19 anos, essa média sobe para oito. As pessoas entre 35 e 44 anos, possuíam uma média de 22 dentes afetados, e na faixa etária de 65 a 74 anos, praticamente todos os dentes – 28 – tinham sofrido alguma intervenção em decorrência de cáries.

“Quando chega nessa fase, a maioria dos dentes precisou ser extraída, porque o problema chegou a um ponto que não tinha mais jeito com a obturação ou outro tipo de tratamento. Em outros municípios do Estado, como Sertãozinho, por exemplo, o índice na faixa etária dos 12 anos, foi ainda maior, chegando a 3.8”, disse o professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Fábio Sampaio, que vai capacitar as equipes da Paraíba.

Nordeste tem situação pior – O estudo também mostrou que a saúde bucal da população da região Nordeste, aos 12 anos de idade, era a pior, com uma média de quase quatro dentes afetados por cáries, em 70% das crianças examinadas. No Brasil, o índice de CPOD , que significa o somatório de dentes cariados, perdidos e obturados, foi de 2.7, ficando um pouco abaixo do índice recomendando pelo Organização Mundial de Saúde (OMS), que é de 3.0.

A próxima pesquisa, que será divulgada em junho do próximo ano, vai mostrar os números por região e por estado. O estudo será feito por meio de exames clínicos e entrevistas, que serão realizados nos domicílios dos pacientes. Em todo o país, serão examinadas 50 mil pessoas nas 27 capitais e em mais 150 municípios. Na Paraíba, a quantidade de pessoas que serão avaliadas, será definida na próxima oficina de trabalho, em outubro, quando acontecerá também o treinamento das 16 equipes (dez de João Pessoa, quatro de Sousa, e duas de Alagoinha).

“Essa pesquisa faz parte da política nacional de saúde bucal e será financiada pelo Ministério da Saúde, Através dela, serão verificadas as mudanças no perfil epidemiológico da população, ao longo dos últimos nove anos, quando foi realizado último estudo, além de servir para o planejamento de ações para melhorar a saúde bucal da população”, disse a professora, Cláudia Freitas, da UFPB, que faz parte do Centro Colaborador em Vigilância em Saúde Bucal da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. O centro será responsável pela operacionalização da pesquisa nos estados da Paraíba, Rio Grande do Norte, Amapá e Pará. Na Paraíba, a pesquisa será coordenada pela Gerência Executiva de Atenção Básica em Saúde da SES.   

Perfil epidemiológico – A gerente-executiva da Atenção Básica em Saúde da SES, Niedja Rodrigues, que representou o secretário de Saúde José Maria de França, durante o encontro, disse que todas as instituições e entidades que lidam com o assunto, têm um papel fundamental na transformação da realidade da saúde bucal dos paraibanos. “O primeiro passo para essa mudança deve partir dos municípios, que devem fazer o seu perfil epidemiológico, para que possamos identificar a situação de cada um e, a partir disso, promover ações de promoção à saúde e, principalmente, prevenção”, disse.

A pesquisa do MS vai investigar a prevalência e gravidade de vários problemas bucais – como a cárie dentária em coroa e raiz e o traumatismo dentário – bem como descobrir a condição periodontal (gengiva, ligamento, cemento e osso) e de fluorose (excesso de flúor) dentária nas pessoas.

Independente da pesquisa do MS, Fábio Sampaio explicou que qualquer município paraibano que se interessar em fazer um estudo a sobre saúde bucal de sua população, pode entrar em contato com a UFPB, que dará a orientação de como coletar os dados. “Nós ensinamos a fazer a pesquisa, mas os municípios se encarregarão da execução e apoio logístico”, explicou Fábio.  

Participaram da mesa de abertura dos trabalhos, Niedja Rodrigues; Cláudia Freitas, representando o Ministério da Saúde; o professor Fábio Sampaio, representando a UFPB, a secretária de Saúde de Cruz do Espírito Santo, Roseane Videris, representando o Conselho de Secretários Municipais de Saúde (Cosems), o professor Sérgio D’ávila, representando a UEPB; a presidente da Associação Brasileira de Odontologia, Patrícia Meira e a presidente do Sindicato de Odontologia da Paraíba, Leda Maria.

Assessoria de Imprensa da SES-PB