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Projeto ‘De Repente no Espaço’ apresenta os poetas Miro Pereira e Antônio Silva

quinta-feira, 29 de outubro de 2015 - 12:25 - Fotos: 

A arte do improviso é uma das características mais marcantes dos cantadores nordestinos. Para exaltar o potencial dos poetas da região, na quarta-feira (4) acontece mais uma edição do “De Repente no Espaço”, projeto da Fundação Espaço Cultural da Paraíba (Funesc). O objetivo da ação é dar visibilidade a essa linguagem artística e literária, valorizando os poetas populares do Nordeste. As atrações são os repentistas Miro Moreira (RN) e Antônio Silva (PB). A noite dos poetas populares tem ainda como declamador oficial o poeta Iponax Vila Nova. As apresentações começam às 19h e ocorrem no mezanino do Teatro Paulo Pontes, no Espaço Cultural. A entrada é gratuita.

“De Repente no Espaço” é um evento mensal da Funesc que teve início no mês de junho e faz parte do projeto de ocupação do Espaço Cultural. Os encontros acontecem na primeira quarta-feira do mês. A cada nova edição, o público conta com diferentes atrações da Paraíba e de outros Estados da região.

Repente – No Brasil, a tradição medieval ibérica dos trovadores deu origem aos cantadores – poetas populares que vão de região em região, com a viola nas costas, para cantar os seus versos. Eles apareceram nas formas da trova gaúcha, do calango (Minas Gerais), do cururu (São Paulo), do samba de roda (Rio de Janeiro) e do repente nordestino. Ao contrário dos outros, o repente se caracteriza pelo improviso – os cantadores fazem os versos “de repente”, em um desafio com outro cantador. Não importa a beleza da voz ou a afinação – o que vale é o ritmo e a agilidade mental que permita encurralar o oponente apenas com a força do discurso.

A métrica do repente varia, bem como a organização dos versos: há a sextilha (estrofes de seis versos, em que o primeiro rima com o terceiro e o quinto, o segundo rima com o quarto e o sexto), a septilha (sete versos, em que o primeiro e o terceiro são livres, o segundo rima com o quarto e o sétimo e o quinto rimam com o sexto) e variações mais complexas como o martelo, o martelo alagoano, o galope beira-mar e tantas outras. Todos se baseiam em métrica, rima e oração poética. O extremo rigor quanto à métrica e a rima perfeita é característico na cantoria dos repentistas violeiros. O instrumental desses improvisos cantados também varia: daí que o gênero pode ser subdividido em embolada (na qual o cantador toca pandeiro ou ganzá), o aboio (apenas com a voz) e a cantoria de viola.

Cordéis musicados – O repente se insere na tradição literária nordestina do cordel, de histórias contadas em caudalosos versos e publicadas em pequenos folhetos, que são vendidos nas feiras por seus próprios autores. Uma tradição que, por sinal, inspirou clássicos da literatura brasileira, como o “Auto da Compadecida”, de Ariano Suassuna, e “Morte e Vida Severina”, de João Cabral de Melo Neto. O repente foi para o Sudeste em meados do século XX, junto com a migração de nordestinos para os grandes capitais. Chegou a São Paulo em 1946, com o alagoano Guriatã de Coqueiro (Augusto Pereira da Silva) e, no Rio, instalou-se na Feira de São Cristóvão.

 

Serviço

De Repente no Espaço

Com Miro Moreira (RN) e Antônio Silva (PB) / Apresentação: Iponax Vila Nova

Data: 4 de novembro (quarta-feira)

Hora: 19h

Local: Mezanino do Teatro Paulo Pontes

Entrada: gratuita