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Projeto Cultura no Presídio movimenta Festival de Inverno de Campina Grande

terça-feira, 30 de julho de 2013 - 11:35 - Fotos: 

Aplausos, lágrimas e muita emoção marcaram a programação do 38º Festival de Inverno de Campina Grande, na tarde da segunda-feira (29), no Teatro Municipal Severino Cabral, durante a apresentação dos 28 reeducandos e uma reeducanda da Penitenciária Regional Raymundo Asfora, o ‘Serrotão’, e do Presídio Feminino de Campina Grande dentro do projeto Cultura no Presídio. O evento, que atraiu um grande público, foi realizado numa parceria entre a organização do festival e a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap).

O secretário de administração penitenciária Wallber Virgolino agradeceu o esforço da diretora geral do evento, a professora Eneida Maracajá, e salientou a importância da união entre os poderes constituídos e instituições públicas no processo da ressocialização. “Ressocializar é acima de tudo educar, disciplinar e proporcionar uma segunda chance”, disse.

A mostra reuniu artes cênicas, música, dança, artes plásticas e literatura. No projeto de ressocialização, os reeducandos recebem aulas de dança de salão com os professores Roberta Soares e Daniel Araújo; dança contemporânea, com Myrna Maracajá; cultura popular, com Mauro Araújo, e teatro com Chico Oliveira.

Os números artísticos apresentados foram a peça “Cartas embaralhadas”, desenvolvida a partir de cartas escritas pelos próprios apenados como um grito de socorro por liberdade, respeito, amor incondicional e dignidade do ser humano, o balé “Refugos Humanos” e a dança de salão com o número de tango de um braço só e dança popular, com o Maracatu. Nas artes plásticas, o destaque fica com a exposição em cartaz no hall de entrada do teatro, com 13 telas pintadas por usuários do sistema prisional e livretos de cordel, também produzidos por eles. Há mais de 10 anos que a Seap não participava efetivamente do Festival de Inverno de Campina Grande.

Sobre o projeto Cultura no Presídio, professora Eneida Maracajá disse que se trata da reafirmação do compromisso que o Festival tem com a arte, com a cultura e com a cidadania. “É um projeto ímpar e significa também dizer que é um símbolo de resistência, uma vez que o festival, que ganhou porte internacional, nasceu na década de 70, durante o período da ditadura militar e por este fato, tem compromisso com a liberdade de expressão e permanece dando voz aos oprimidos e marginalizados até os dias de hoje, através da arte”.

O diretor do Serrotão, Manoel Ozório, disse que ações como essa são gratificantes por promoverem a ressocialização. Ele lembrou que o Governo também desenvolve dentro da unidade prisional do Serrotão o projeto Muda Vida, no qual alguns reeducandos estão produzindo mudas de árvores nativas da região, que serão plantadas em áreas urbanas que necessitam da arborização, e também em áreas de caatinga que sofrem com o desmatamento.

Ivone dos Santos, parente de um dos reeducandos, disse que o projeto é mais um incentivo para a reflexão dos internos: “Acho muito importante porque é uma chance deles reaprenderem e poderem voltar ao convívio em sociedade. Acredito que a dança, assim como as outras artes, têm o poder de recuperar as pessoas, tudo isso, com muita fé no criador”.

O reeducando Paulinho do Rap, participante da mostra, ressaltou. “É uma oportunidade de divulgar o meu trabalho, que é o rap, para a comunidade. Sabemos que aqui no nosso estado o rap não é valorizado, mas agradeço a Deus pelo talento que ele me deu e a todos que me deram a oportunidade de mostrar a minha arte, que é o que gosto de fazer”.