João Pessoa
Feed de Notícias

Programa vai combater distorção idade-série de 44 mil alunos na Paraíba

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014 - 18:43 - Fotos:  Vanivaldo Ferreira / Secom-PB

Teleaulas com o uso de TV de 52 polegadas, dvd, mesas redondas e microbiblioteca, com atividades em grupo e avaliações semanais. Assim serão as aulas para crianças e adolescentes de idade entre 13 e 17 anos que participarão do Programa Caminhando, uma ação que pretende corrigir a distorção idade/série que afeta 44 mil jovens na Paraíba.

Por passarem muito tempo entre o 6º e o 7º anos, esses jovens deixaram de avançar no currículo escolar, um problema que se repete país afora, principalmente na população de renda mais baixa.

Boa parte das atividades serão realizadas em grupo e o sistema de avaliação será semanal, em forma de seminários. Os alunos terão aulas-campo, trabalharão com vídeo e áudio, ou seja, é uma aula movimentada, mais prazerosa, de convivência e de socialização, explica a gerente de Educação Infantil e Ensino Fundamental da Secretaria de Estado da Educação (SEE), Aparecida Uchôa. Os alunos serão acompanhados por um professor orientador, e vivenciarão situações do seu dia-a-dia aplicada aos conteúdos didáticos.

Parceria

As atividades do programa só terminam em dezembro de 2015 em 438 escolas da rede estadual. “Esse projeto é uma das novidades que temos para este ano. Trata-se de uma correção de fluxo que acontece nos moldes do Telecurso, realizado em parceria com a Fundação Roberto Marinho, onde estaremos ofertando 44 mil vagas”, explicou a secretária de Estado da Educação, Márcia Lucena.

O Caminhando surgiu no Ministério da Educação (MEC) devido ao grande índice de distorção idade/série no país nos anos finais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio. O programa foi lançado nacionalmente em parceria com a Fundação Roberto Marinho, numa ação partilhada pelo Plano de Ação Articulada (PAR) com financiamento do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para os Estados que apontavam uma distorção idade/série muito grande.

Realidade do aluno

O modelo hoje empregado em escolas do Rio de Janeiro foi conhecido por gestores de educação de vários Estados. “Trata-se de um Telecurso, porém, totalmente diferente do que é visto na TV. São teleaulas com um material voltado especificamente para a juventude, assim como o material de pesquisa, produzido de acordo com cada Estado”, contou a gerente.

O programa será dividido em módulos, sendo três para o Ensino Fundamental. “No último módulo os alunos terão iniciação para o mundo do trabalho, com disciplinas como Empreendedorismo Jovem e Protagonismo Juvenil, coisa que as escolas normais não têm. Além disso, terão sala de aula não com carteiras, mas com mesas redondas, onde farão os trabalhos em grupo e farão seminários como avaliação. Então será uma metodologia específica para esta moçada, que nem é mais criança para aprender o be-a-bá, mas também ainda não é adulto o suficiente para estudar à noite”, explica Aparecida Uchôa.

Na avaliação da gestora, o benefício do Programa Caminhando é a recuperação do tempo perdido. “Com aulas dinâmicas e em ambiente favorável e estimulante esses jovens sairão preparados para o Ensino Médio”, ressaltou. Em dois anos esse grande número de alunos, antes destinado à educação de jovens e adultos, será encaminhado para o Ensino Médio ou Técnico, desafogando a rede estadual de ensino.

Preparação dos professores

O Governo do Estado selecionará professores, que podem se inscrever pelo link http://www.sec.pb.gov.br/consulta/geeif.php. São 1.479 vagas para professores orientadores e podem participar professores efetivos e prestadores de serviço da rede estadual de ensino.

Esses professores terão uma formação inicial e, a cada bimestre, participarão de encontro de formação. Além disso, serão acompanhados semanalmente pelos professores das disciplinas. No dia-a-dia responderão a um supervisor.

Outro projeto

Os alunos também vão participar do projeto Mais Educação, que acontece no contra-turno, onde serão aplicados temas como o protagonismo e empreendedorismo juvenil. O projeto, que acontece com sucesso nos Estados do Rio de Janeiro, Acre, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Bahia e Espírito Santo, recupera o Ensino Médio.

O que acontece é que esses meninos vão ficando no Ensino Fundamental e não atingem o Ensino Médio, que registra uma queda de matrículas no Ensino Médio. Este vai ser um momento em que prepararemos os alunos para entrar no Ensino Médio regular, com o diferencial da bagagem que vão adquirir para o mercado de trabalho”, disse Aparecida Uchôa.