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Profissionais de equipes de saúde prisional e indígena participam de manejo clínico da tuberculose

quarta-feira, 18 de outubro de 2017 - 16:33 - Fotos:  Divulgação

A Secretaria de Estado da Saúde (SES), por meio do Laboratório Central de Saúde Pública da Paraíba (Lacen-PB), reuniu nesta quarta-feira (18) cerca de 50 profissionais de equipes de saúde prisional e indígena para o Manejo Clínico da Tuberculose. Como são grupos prioritários de população vulnerável, as equipes foram qualificadas para um diagnóstico oportuno da doença. O evento aconteceu no auditório do Centro Formador de Recursos Humanos (Cefor-PB).

Durante a abertura da oficina, o enfermeiro do Núcleo de Doenças Endêmicas da SES, Rui Lima, comentou que o tipo de adoecimento nas populações vulneráveis é pior. “Na Paraíba, temos cerca de mil novos casos de tuberculose por ano. A intenção da qualificação é minimizar o número de casos e a intensidade da doença. Os profissionais devem estar sempre por dentro das novidades e incentivar os pacientes a procurarem os serviços especializados”, disse ele.

A fisioterapeuta Jaiza Karla de Almeida alertou que a tuberculose está relacionada a questões sociais – modos precários de vida, casas pequenas e muito cheias, falta de higiene, aglomerado de pessoas.

“A tuberculose é uma doença tão antiga quanto a humanidade e, ainda assim, continua sendo uma preocupação de saúde pública. Os bacilos ficam suspensos no ar, então, basta respirar para se infectar. Adoecer ou não depende do sistema imunológico de cada indivíduo”, explicou.

A cada 20 segundos, uma pessoa morre de tuberculose no mundo. É a doença infecciosa que mais mata, superando as mortes causadas pelo HIV e malária juntos. “Vale ressaltar que, às vezes, a pessoa não apresenta nenhum sintoma. Porém, normalmente mostra um comprometimento do estado geral, febre baixa vespertina com sudorese, inapetência, emagrecimento e tosse”, apontou Jaiza.

No Manejo Clínico da Tuberculose foi feita a abordagem para o diagnóstico preciso da doença, tratamento e acompanhamento de casos; foram apresentadas as metodologias disponíveis no Estado, além da situação epidemiológica desses grupos de risco.

A enfermeira Luana Silva, que atua na Penitenciária Desembargador Silvio Porto, em João Pessoa, reconheceu a importância da capacitação. “É ótimo estarmos todos juntos, trocando experiências e nos qualificando cada vez mais sobre a tuberculose. Existe uma incidência maior no sistema prisional e a superlotação é o fator determinante para o número alto de casos de tuberculose nos presídios brasileiros”, comentou.

Populações vulneráveis – De acordo com a chefe do Núcleo de Doenças Endêmicas da SES, Lívia Borralho, “os privados de liberdade e os indígenas têm um risco aumentado para adoecer de tuberculose. Para os indígenas, o risco aumenta em três vezes – por questões imunológicas e pela vida em comunidade. Já para aqueles que estão no sistema prisional, o risco de adoecer é 28 vezes maior, em virtude do aglomerado de pessoas”.

Dados – Em 2017, foram notificados na Paraíba 871 casos de tuberculose. Entre eles, 82,1% (714 pessoas) são casos novos e 17,9% (157 pessoas) casos de retratamento, ou seja, indivíduos que abandonaram o tratamento antes e decidiram voltar.

Dos 871 casos notificados este ano, 620 são de tuberculose pulmonar (confirmados em laboratório), onde o paciente tem potencial capacidade de transmitir a doença – com 15 dias de tratamento adequado, não há mais chance de transmissão. Destes 620 casos, 9,5% fazem parte da população privada de liberdade, 6,1% são de coinfecção TB-HIV e 1,2% estão na população em situação de rua.

Tuberculose – A tuberculose é uma doença infecto-contagiosa causada por uma bactéria que afeta principalmente os pulmões, mas também pode ocorrer em outros órgãos do corpo, como ossos, rins e meninges (membranas que envolvem o cérebro).

A transmissão da tuberculose é direta, de pessoa a pessoa, portanto, a aglomeração de pessoas é o principal fator de transmissão. A pessoa com tuberculose expele, ao falar, espirrar ou tossir, pequenas gotas de saliva que contêm o agente infeccioso e podem ser aspiradas por outro indivíduo contaminando-o. Má alimentação, falta de higiene, tabagismo, alcoolismo ou qualquer outro fator que gere baixa resistência orgânica também favorece o estabelecimento da tuberculose.

Entre os sintomas, estão: tosse seca contínua no início, depois com presença de secreção por mais de quatro semanas, transformando-se, na maioria das vezes, em uma tosse com pus ou sangue; cansaço excessivo; febre baixa geralmente à tarde; emagrecimento acentuado.