João Pessoa
Feed de Notícias

Professores da UEPB iniciam ‘Projeto Genética no Sertão’

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010 - 16:40 - Fotos: 

A pesquisa da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) entra em campo. A partir da próxima semana, professores da instituição retomam no interior do Estado um projeto que fora iniciado pela professora Silvana Santos, do Departamento de Biologia, no Rio Grande do Norte. É uma parceria entre e a UEPB e a Universidade de São Paulo (USP), com o objetivo de descrever doenças genéticas que acometem as populações do Nordeste.

O projeto paraibano seguiu-se após o sucesso de resultados conseguidos pela professora Silvana Santos em seu projeto de pós-doutorado sobre genética no sertão do Rio Grande do Norte. A pesquisa ganhou o ‘Prêmio Abril Saúde 2008’. É que depois de 18 meses de visitas às pessoas portadoras de deficiências para selecionar pacientes afetados por doenças genéticas, em janeiro de 2008 ocorreu um mutirão de avaliação para definir o diagnóstico clínico-genético envolvendo 400 pacientes de cinco municípios do interior potiguar.

O projeto era uma parceria da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) com a USP e incluía 10 especialistas, numa equipe multidisciplinar dessas instituições, com médicos, terapeutas ocupacionais, geneticistas, fisioterapeutas e biólogos. Do trabalho, foram descritas duas doenças novas na região. Em 2009, foi publicada a descrição da nomeada ‘Síndrome Santos’, uma doença genética caracterizada pela má-formação de alguns ossos dos membros do portador. E a outra síndrome neurodegenerativa foi melhor analisada, a ‘Síndrome Spoan’, que afeta 78 indivíduos de uma mesma família.

Cadeiras adaptadas – A partir daí, foi feita uma solicitação à Secretaria de Saúde do Rio Grande do Norte de 72 cadeiras adaptadas para os pacientes com maior necessidade e dificuldade de locomoção. Essas cadeiras são adaptadas para melhorar a qualidade de vida dos pacientes e evitar desenvolvimento de deformações, tendo um custo médio de R$ 3 mil reais cada. Neste mês de janeiro, foi feita a entrega e adaptação in loco dessas cadeiras a cada paciente em sua própria cidade. Um trabalho de sensibilidade, haja vista que seria de extrema dificuldade a locomoção dessas pessoas para receber tais cadeiras longe de suas casas.

A professora realça o fato de que o trabalho científico e de pesquisa não acabou na publicação nem se restringiu à Academia. Numa parceria entre a Universidade, promotoria e governo, as cadeiras foram conseguidas e novas ações estão sendo planejadas para ajudar os familiares a cuidar melhor dos pacientes. 

Projeto na Paraíba – Durante todo o semestre, esta nova parceria UEPB–USP permitirá a investigação de doenças genéticas em dez municípios com menos de 10 mil habitantes da segunda macrorregião do Estado. De acordo com os dados divulgados pelo Sistema de Informação da Atenção Básica (SIAB-DATASUS), tais cidades apresentaram o maior número de pessoas portadoras de deficiências ou incapacidades. Os municípios selecionados para iniciar as pesquisas foram Coxixola, Caraúbas, Ouro Verde, Prata, Amparo, Sossego, Frei Martinho, Pedra Lavrada, Matinhas e Montadas. Segundo Silvana, as pessoas que vivem em cidades menores têm maior possibilidade de casamentos consanguíneos, o que aumenta a chance de ocorrência de doenças genéticas.

Colaboram com a pesquisa, o Centro de Estudos do Genoma Humano do Instituto de Biociências (CEGH–IB) da USP e Instituto Nacional de Pesquisa com Células-Tronco – Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT). Os professores da UEPB participantes são: Silvana Santos e Mathias Weller, ambos do Departamento de Biologia; e como colaborador, o neurologista e professor do Departamento de Fisioterapia, Jovany Medeiros. Os alunos de graduação participantes são todos do curso de Biologia da UEPB e alguns de pós-graduação.

Da Assessoria de Imprensa da UEPB