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Professores avaliam importância de José Mindlin para a cultura

quarta-feira, 3 de março de 2010 - 09:01 - Fotos: 

José Mindlin, advogado por formação, empresário de profissão e bibliófilo por vocação, fez da existência uma verdadeira ode aos livros. Falecido no último domingo, Mindlin foi acima de tudo um intelectual e importante figura da sociedade brasileira, aclamado também pelos docentes da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), por seu relevante papel no cenário da cultura.

A diretora da Biblioteca Central da UEPB, professora Manuela Maia, reconheceu a importância do empresário e revelou que, numa visita à viúva de Átila Almeida – professor paraibano, igualmente célebre por sua paixão pelos livros e que hoje denomina outra biblioteca da UEPB – descobriu que os dois haviam se correspondido. Para ela, Mindlin imortaliza a efígie de um verdadeiro amante dos livros. É o que significa a palavra bibliófilo, que vem do grego “biblion” (livro) e “philia” (amor). “O bibliófilo é aquele que coleciona livros pelo simples prazer. Acrescente-se a isso, a preservação e disseminação do conhecimento, efetuada por Mindlin, no que se refere à cultura, história brasileira e mundial”, opinou Manuela.

Apesar de advogado e empresário, Mindlin começou profissionalmente na carreira jornalística, trabalhando na Fundação Padre Anchieta. Neste ínterim, ele empregou o jornalista Vladimir Herzog como diretor de jornalismo da TV Cultura. Acerca desta circunstância, o professor do Departamento de Comunicação e diretor do Centro de Ciências Sociais e Aplicadas (CCSA) da UEPB, Rômulo Azevedo, comentou: “Mindlin contratou Vladimir Herzog por sua competência. Herzog era um excelente jornalista, que no fundo gostaria de ter sido cineasta. Ele adquiriu experiência na BBC de Londres e retornou ao Brasil produzindo documentários sobre a realidade brasileira”.

Porém, apesar deste envolvimento com o jornalismo e uma breve passagem pela política como Secretário de Cultura do Estado de São Paulo, Rômulo Azevedo disse que a maior importância de José Mindlin foi como intelectual e apaixonado pelo universo da literatura. Saiba mais sobre esses importantes personagens.
 
José Ephim Mindlin (São Paulo, 08/09/1914 – São Paulo, 28/02/2010)

Filho de judeus nascidos em Odessa, na Ucrânia, formou-se na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). Advogou por alguns anos, atividade que deixou para fundar a empresa Metal Leve, que mais tarde se tornou uma potência nacional no setor de peças para automóveis.

Após sua aposentadoria do mundo empresarial, Mindlin pôde dedicar-se integralmente a uma paixão que alimentava desde os treze anos de idade: colecionar livros raros. Ao completar 95 anos de idade, acumulava um acervo de aproximadamente 40 mil volumes, incluindo obras de literatura brasileira e portuguesa. É considerada como a mais importante biblioteca privada do gênero, no Brasil.
 
Em 20 de junho de 2006, Mindlin foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras, passando a ocupar a cadeira número 29, sucedendo a de Josué Montello. No mesmo ano, decidiu doar todas as obras brasileiras de sua vasta coleção à USP.

Átila Almeida (Areia, 07/11/1923 – Campina Grande, 23/08/ 1991)
 
Personalidade que nomeia uma biblioteca da UEPB, foi professor de Física da Universidade Federal da Paraíba, além de jornalista, pesquisador e folclorista. Por muitos anos, armazenou volumes raros de livros e periódicos em sua biblioteca particular, iniciada anos antes por seu pai, o historiador paraibano Horácio de Almeida.

Em 2003, o Governo do Estado comprou todo o acervo da senhora Ruth Almeida, viúva de Átila, e doou, posteriormente, à UEPB, que, em 2004, passou a ter total responsabilidade pelo material, com sua guarda, conservação e manutenção.
 
Vladimir Herzog (Osijek, 27/06/1937 – São Paulo, 25/10/1975)

Vladimir Herzog, jornalista, professor e dramaturgo nascido na Croácia e naturalizado brasileiro, tinha também paixão pela fotografia, atividade que exercia por conta de seus projetos com o cinema.

Herzog tornou-se famoso pelas conseqüências que advieram de suas conexões com a luta comunista contra a ditadura militar, autodenominada movimento de resistência contra o regime do Brasil, e também pela sua ligação com o Partido Comunista Brasileiro.

Acusado de envolvimento com o comunismo, foi preso e encontrado morto em sua cela. Embora a causa oficial do óbito tenha sido suicídio por enforcamento, há consenso na sociedade brasileira de que ela resultou de tortura. Sua morte causou impacto na ditadura militar brasileira e na sociedade da época, marcando o início de um processo pela democratização do País.

Em 2009, mais de 30 anos após sua morte, surgiu o Instituto Vladimir Herzog. O Instituto destina-se a três objetivos: organizar todo o material jornalístico sobre a história de Herzog, como meio de auxílio a estudantes, pesquisadores e outros interessados em sua vida e obra; promover debates sobre o papel do jornalista e discutir sobre as novas mídias; e, por fim, ser responsável pelo Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, que premia pessoas envolvidas no jornalismo e na promoção dos direitos humanos.

Da Assessoria de Imprensa da UEPB