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Primeira-dama participa de Semana Cultural no Presídio Sílvio Porto

quarta-feira, 9 de outubro de 2013 - 13:11 - Fotos:  Vanivaldo Ferreira/Secom-pb

A primeira-dama da Paraíba, jornalista Pâmela Bório, participou na tarde desta terça-feira (8), da “Semana Cultural Paulo Freire” realizada pela Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) e Secretaria de Estado da Educação (SEE), na Penitenciária Desembargador Sílvio Porto, no bairro de Mangabeira, em João Pessoa.

A programação começou com apresentação do “Coral Luz” formado por reeducandas da Penitenciária de Recuperação Feminina Maria Júlia Maranhão, coordenado pela diretora Cinthia Almeida, seguida da apresentação de trabalhos escolares desenvolvidos em salas de aula dentro do sistema prisional, como maquetes de temas históricos, geográficos e científicos, entre elas uma réplica do Sistema Solar.

O evento marcou ao Ano Cultural Paulo Freire, recém comemorado nas escolas estaduais e, agora dentro da educação prisional. Durante a solenidade, a primeira-dama destacou o esforço do sistema prisional no constante trabalho pela ressocialização do detento.

“É difícil transformar uma cela em sala de aula, mas investir em ressocialização é pensar na sociedade, pois queremos que eles voltem às ruas recuperados. Por isso, é importante que aqui eles encontrem a oportunidade da educação e da profissionalização. É um trabalho que vem dando certo e que faz a diferença na vida deles e nas nossas, pois futuramente teremos uma sociedade mais pacífica. Se fala tanto em cultura de paz e geralmente as pessoas não sabem absorver o que é isso. Desejo que essa ideia seja abraçada por todos”, ressaltou a primeira-dama.

O secretário da Administração Penitenciária, Walber Virgolino, acompanhou a visita da primeira-dama às instalações da unidade e parabenizou o trabalho em equipe das secretarias e agentes. “É nítido o esforço do sistema prisional rumo à humanização e dignidade dessas pessoas. Temos problemas como as demais unidades prisionais do Brasil, mas um dia como hoje comprova que o esforço dos educadores e dos agentes penitenciários, que trabalham com eficiência, está levando o apenado a querer se ressocializar. O Estado acredita nos internos, mas é preciso que ele acredite também no Estado”, disse o secretário.

De acordo com o diretor Josinaldo Cunha Lima, a Penitenciária Desembargador Sílvio Porto mantém atualmente cerca de 900 detentos que cumprem pena em regime fechado. Ele avalia que a educação dentro das unidades prisionais tem contribuído para desenvolver a disciplina e o nível educacional dos apenados. “Aqui temos reeducandos que cometeram erros, mas que estão passíveis de continuar a vida lá fora como cidadãos integrados. Por isso, estamos também estamos buscando novas parcerias para a realização de cursos profissionalizantes como na área de cozinha e construção”, frisou o diretor.

Ainda no evento, um grupo de reeducandos encenou a peça teatral “Um passo para a liberdade”. Entre os atores está o reeducando Almir Rocha, de 41 anos, que se disse satisfeito em poder participar das atividades. “Me senti reintegrado à sociedade quando, durante a solenidade, vi pessoas nos olhando como verdadeiros seres humanos e, não com sentimento de pena ou maldade. Com isso, ao cumprir pena espero ingressar numa faculdade de Direito, reerguer minha vida profissional e, principalmente, trazer minha família e meu filhos de volta para perto de mim”, frisou.

O tem o empenho da Coordenação de Educação do Sistema Prisional, que tem como madrinha, a professora Eliane Aquino. “Fui escolhida por eles hoje como a madrinha da turma e não esperava por tamanha homenagem. Fico emocionada por ter o trabalho reconhecido por eles e tudo o que desejo é que eles saiam daqui e voltem a ter uma vida normal como todo o ser humano possui. Esse tipo de atitude nos impulsiona para nosso trabalho educacional semanal que reforça o ensino de todos os eixos educacionais como sociologia, filosofia, matemática, português, história e geografia”, pontuou a educadora.

A gerente de Ressocialização da Seap, Ziza Maia, acrescentou que o trabalho de ressocialização é possível devido à parceria da Secretaria de Estado de Educação que conseguem enxergar nas pessoas privadas de liberdade, também alunos. “Com o tempo começou a se trazer para dentro dos presídios o que tínhamos de bom lá fora. Isso só vem comprovar para nós que, de forma efetiva, somente por meio da educação é possível garantir a reintegração dessas pessoas à sociedade”, finalizou a gestora.