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30 de novembro de 2011

Preconceito é principal desafio para reabilitação de pessoas que tiveram hanseníase



“O principal desafio para a reabilitação sócio-econômica das pessoas que tiveram hanseníase é o preconceito”, afirma o técnico em sapataria José Augusto da Silva, que há dez anos se curou da doença. É justamente para buscar alternativas de trabalho e melhoria financeira de pessoas como o sapateiro que a Secretaria de Estado da Saúde (SES) começou, nesta quarta-feira (30), no auditório do Hotel Caiçara, em João Pessoa, uma oficina em parceria com a ONG NHR-Brasil. O evento continua até a próxima sexta-feira (2).

A intenção da SES em promover a oficina é incentivar essas pessoas a se tornarem independentes financeiramente e a superar o preconceito. José Augusto, por exemplo, disse que as oportunidades ficam limitadas quando as pessoas sabem da doença. “Muitos ainda não sabem como a doença é transmitida e que tem 100% de cura. Aí, ficam com receio de chegar perto ou de manter algum contato”, comentou.

José Augusto tem hoje um box no Hospital Clementino Fraga e um estabelecimento comercial em sua residência, que funciona há mais de seis anos. “É desse trabalho que tiro minha renda”, afirmou.

A oficina realizada pela SES está sendo ministrada pela técnica da Organização Mundial de Saúde (OMS), Zoica Bakirtzief. O público-alvo são enfermeiros, fisioterapeutas, assistentes sociais e pessoas atingidas pela hanseníase dos municípios de João Pessoa, Campina Grande, Cabedelo, Patos, Cajazeiras e Sousa, além de profissionais do Hospital Clementino Fraga, que é a unidade referência para o tratamento da doença.

 

Nesses municípios, existem grupos de autocuidado para acompanhamento das pessoas atingidas pela hanseníase – e é nessas localidades onde se registra um grande número de casos da doença.

 

Pioneirismo – A Paraíba é pioneira em ações e políticas públicas de saúde voltadas para a reinserção social de pessoas atingidas pela doença. O Estado conta hoje com grupos de autoajuda em vários municípios, onde, além de receber informações sobre a doença, são estimuladas a desenvolver e participar de atividades econômicas que possam gerar renda. “Não é necessário apenas tratar a doença, temos que recolocar essas pessoas no mercado de trabalho”, disse a chefe do Núcleo de Doenças Endêmicas da Secretaria de Estado da Saúde, Mauricélia Holmes.