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Polícia consegue prisão preventiva contra acusado de matar Fernanda Ellen

terça-feira, 9 de abril de 2013 - 18:42 - Fotos:  Kleide Teixeira / Secom-PB

O juiz da 3ª vara criminal de João Pessoa, Wolfram da Cunha Ramos, concedeu nesta terça-feira (09), o mandado de prisão preventiva pelo crime de latrocínio (roubo seguido de morte) contra o vigilante Jefferson Luís Oliveira Soares, 25 anos, acusado de assassinar a estudante Fernanda Ellen Cabral de Oliveira, de 11 anos. Nesta segunda-feira, a Polícia Civil conseguiu elucidar o desaparecimento da menina, ocorrido no dia 7 de janeiro deste ano. O corpo, que a Polícia acredita ser da estudante, estava enterrado na casa do acusado, que é vizinho da família, no bairro Alto do Mateus, em João Pessoa. Jefferson Luis foi preso em flagrante por ocultação de cadáver. O acusado já foi indiciado por tentativa de estupro contra uma adolescente há mais de dois anos.

De acordo com o delegado Aldrovilli Grisi, o vigilante foi preso no fim da tarde, depois de ter sido apontado por uma mulher, testemunha chave, que já acompanhava a Polícia há mais de um mês. “Ele estava em frente à própria casa no momento em que foi visto e quando percebeu a presença da Polícia ainda tentou fugir, mas foi preso”, contou o delegado. Em depoimento, Jefferson confessou o crime e indicou o local onde a menina estava enterrada, no quintal da residência. “O corpo estava envolvido em plástico de uma piscina infantil, pertencente ao enteado do acusado, de 8 anos, cuja mãe  mantém união estável e tem uma filha de 3 anos com ele”, acrescentou a autoridade policial, que também é delegado adjunto do Grupo de Operações Especiais (GOE) da Polícia Civil.

Segundo as investigações, Fernanda Ellen foi abordada por Jefferson quando voltava da escola, onde havia ido pegar o boletim. “Ele a chamou para dentro de casa e lá exigiu dinheiro. A menina disse queiria ligar para o avô e pedir, mas o vigilante pegou o aparelho que estava no bolso dela, afirmando que a menina estava sequestrada. Com medo, ela gritou. Foi quando ele deu uma ‘gravata’ em Fernanda Ellen e a matou”, contou o delegado.

Aldrovilli afirmou que o aparelho celular foi apreendido durante diligências realizadas pela Polícia. Entre os muitos encontrados, que seriam destinados para fins ilegais em presídios da Capital, estava o dela. “A partir de então, começamos a investigar uma cadeia regressiva de pessoas pelas quais o equipamento havia estado em mãos, até chegar a uma mulher, aquela que trocou o aparelho pelas pedras de crack e auxiliou o Instituto de Polícia Científica da Paraíba, com apoio da Polícia Federal, a fazer o retrato falado de Jefferson”, explicou o delegado. Com a imagem do acusado, mas sem identificação ou localização, a Polícia Civil continuou trabalhando com base em informações sigilosas que levaram ao vigilante.Para a Polícia, Jefferson também contou que escondeu o corpo da estudante embaixo da cama durante dois dias antes de enterrá-la no quintal. Logo depois de praticar o crime, ele pegou o celular da menina e se dirigiu ao Centro da Capital, a fim de trocar o aparelho por pedras de crack.

“Nosso papel de polícia judiciária foi feito e por isso agradeço a todos os policiais envolvidos, agentes de investigação, escrivães, delegados, pelo empenho ao longo desses três meses, longe do simples ‘achismo’, mas em busca de provas, confissão do crime e desfecho do caso”, destacou o delegado André Rabelo.

De acordo com o secretário Cláudio Lima mais de 30 policiais civis, todos com cursos de especialização em Inteligência, trabalharam no caso, que contou com o apoio da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros. “A informação foi compartimentada e essa foi uma decisão acertada, já que no início houve muitas informações desencontradas, inclusive trotes. Se não houvesse sigilo o criminoso não teria sido preso e o crime elucidado. Em todos os momentos estivemos presentes junto à família, dando o apoio necessário, não só em relação à segurança como também no aspecto social e de saúde. O sucesso das investigações é mérito de todos”, frisou o chefe da pasta.

Exames periciais – O corpo de Fernanda Ellen foi encaminhado para o Instituto de Polícia Científica (IPC) para realização de exames de necropsia, arcada dentária e DNA. De acordo com o gerente de Identificação Criminal e Civil do instituto, Israel Aureliano, o primeiro exame revela a causa da morte e se houve crime sexual. “Também foram coletadas amostras do solo, buscando estimar a data em que o corpo foi enterrado. Além disso, dentro da casa foi realizado exame com luz forense, que mostra vestígios biológicos, como sangue e esperma, coletados em pedaços de colchões e lençóis”, revelou o perito.

O resultado dos exames e do DNA devem ser entregues ao delegado Aldrovilli Grisi em 15 dias. A Polícia Civil já detém amostras da mãe da menina e do indiciado.

 

Confira as investigações:

 

7 de janeiro de 2013:

 15h30 – A estudante Fernanda Ellen Miranda Cabral, 11 anos, sai de sua casa, no bairro do Alto do Mateus, em João Pessoa, para ir à escola buscar o boletim. O trajeto levaria em torno de 30 minutos, mas a menina não retorna para casa.

16h – A família percebe o desaparecimento da criança e entra em contato com pessoas que possam localizá-la e Polícia.

 

11 de janeiro de 2013:

A Polícia, com autorização da família, consegue junto à operadora de telefonia os dados sobre as ligações realizadas e recebidas por Fernanda Ellen. Os documentos cedidos revelam que do dia 6 para o dia 7 de janeiro não houve qualquer ligação efetuada, mas a partir das 16h do dia do desaparecimento houve diversas ligações encaminhadas para a caixa postal.

O fato levou a Polícia Civil a trabalhar focada em uma linha de investigação que envolvia violência.

 

29 de janeiro de 2013:

A Polícia Civil, por meio de seu setor de inteligência, localizou diversos celulares que estavam sob posse de traficantes e seriam destinados à utilização ilegal dentro de presídios da Capital. Entre os aparelhos estava o de Fernanda Ellen.

Após a colheita de oitivas de diversas pessoas, a Polícia Civil conseguiu construir uma cadeia regressiva de receptação do equipamento. A última pessoa a ser ouvida revelou que recebeu o aparelho de JEFFERSON LUÍS OLIVEIRA SOARES, 25 ANOS, em troca de pedras de crack.

Um retrato falado do acusado foi feito com auxílio da Polícia Federal, mas o nome e a localização do homem que pela última vez esteve com o celular de Fernanda Ellen não eram conhecidos. Com outras informações sigilosas em mãos, o Grupo de Operações Especiais (GOE) da Polícia Civil continuou as diligências.

 

8 de abril de 2013

De posse do retrato falado e na companhia da testemunha policiais do GOE receberam informações sobre um indivíduo semelhante às descrições, que residia duas casas após a da estudante.

Ao abordá-lo, a testemunha de pronto o indicou JEFFERSON LUÍS como sendo a pessoa que repassou o telefone. Ele tentou fugir, mas foi contido e conduzido para interrogatório, tendo confessado chamar Fernanda Ellen para dentro da sua residência no momento em que ela voltava da escola no dia 7 de janeiro de 2013, tendo-a matado logo em seguida.

O corpo de Fernanda Ellen foi encontrado no quintal da residência do acusado, envolvido por plástico. Uma equipe do Instituto de Polícia Científica foi solicitada para remoção e realizar exames no local.