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22 de fevereiro de 2012

Polícia conclui inquérito sobre crime em Queimadas e indicia acusados



Em apenas dez dias, a Delegacia de Crimes contra Pessoa (homicídios) de Campina Grande concluiu o inquérito sobre o estupro de cinco mulheres e assassinato de duas delas ocorrido no município de Queimadas, a 10km de Campina Grande, na madrugada de domingo (12). A delegada titular, Cassandra Maria Duarte, encaminhou o inquérito concluso para a Comarca de Queimadas nesta quarta-feira (22) no qual sete acusados foram indiciados e três adolescentes responsabilizados por formação de quadrilha, estupro, homicídio e porte ilegal de arma.

“No inquérito, além das provas testemunhais temos as provas técnicas que deixam claro a responsabilidade dos acusados. Todos, inclusive os adolescentes, confessaram participação no crime, com exceção de Eduardo dos Santos Pereira que continua afirmando a primeira versão de que não sabia de nada”, comentou Cassandra Duarte. Os adolescentes responsabilizados estão detidos em um abrigo provisório no município de Lagoa Seca e os demais acusados no presídio de segurança máxima PB-I, em Jacarapé.

Na madrugada de domingo (12), um grupo de amigos estava reunido na casa dos irmãos Eduardo e Luciano dos Santos, no município de Queimadas, em uma festa de aniversário quando quatro homens armados e encapuzados invadiram o local e anunciaram um assalto. Cinco mulheres foram trancadas em um quarto e estupradas, entre elas a professora Isabela Pajuçara, 28 anos, e a secretária Michelle Domingos, 29, que foram assassinadas a tiros. As duas vítimas, de acordo com a polícia, morreram depois que descobriram que entre os estuprados estavam Eduardo e Luciano, que teriam forjado o assalto com o intuito de estuprar as mulheres.

Com o grupo, preso em uma operação realizada em parceria entre a Polícia Civil de Queimadas e de Campina Grande em apenas 24 horas após o crime, foram apreendidas armas, munição e presilhas compradas em um mercadinho nas proximidades do local do crime com o intuito de amarrar as vítimas. “Essas presilhas foram compradas 15 dias antes do crime pelo Eduardo a um dos adolescentes responsabilizados”, comentou a delegada.

Irmãos são investigados – A Polícia Civil em Queimadas abriu um novo inquérito para investigar a participação dos irmãos Eduardo e Luciano dos Santos em outros crimes praticados na região do Brejo paraibano, assim como a origem do patrimônio dos dois. “Também temos indícios de ligações entre eles e o traficante ‘Nem’ do Rio de Janeiro”, destacou o delegado de Queimadas, Fernando Zoccola, responsável pela investigação.

O patrimônio de Eduardo e Luciano começou a levantar suspeitas porque os irmãos não souberam explicar como conseguiram adquirir tantos objetos caros, a exemplo de carros de luxo. “A única coisa que eles dizem é que recebem uma mesada de R$ 1.500 dos pais, que moram na Rocinha, no Rio de Janeiro, o que é incompatível com a vida e os bens que os dois possuem”, explicou Zoccola. Com o inquérito aberto, o delegado agora está na fase de levantamento de testemunhas. “Também estamos em contato direto com a polícia do Rio de Janeiro e com outros delegados do Brejo paraibano”, finalizou.