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19 de dezembro de 2011

Polícia Civil conclui investigações sobre morte de finlandeses e acusados estão presos



A Polícia Civil da Paraíba concluiu as investigações sobre a morte dos finlandeses Pasi Kalervo Kaartinen, Riitta Marjatta Kaartinen e Sirpa Helena Tiihonen. Os dois acusados já estão presos na Central de Polícia de João Pessoa.

O mecânico Constantino Alexandre da Silva, 58 anos, apontado como o mentor do assassinato, foi preso em São Paulo e transferido para João Pessoa na noite dessa quinta-feira (15). O outro investigado, Francisco das Chagas Vasconcelos Lima, foi preso poucos dias após o crime, na Capital.

Os dois acusados prestaram novos depoimentos à polícia e negaram serem os executores das vítimas, porém apresentaram uma nova versão sobre o envolvimento deles no crime. Constantino afirmou que tinha planejado um assalto aos finlandeses, juntamente com um comparsa identificado apenas pelo nome de José Pereira, a quem atribuiu o assassinato.

Já Francisco Vasconcelos afirmou que, ao chegar, já encontrou as vítimas assassinadas por Constantino, e que teria sido coagido a ajudá-lo na ocultação de cadáveres. A polícia descartou a inclusão de um terceiro envolvido no crime e acredita que os acusados, temendo a condenação por homicídio, apresentaram a versão buscando uma pena menor, uma vez que o crime de ocultação de cadáver prevê reclusão de um a três anos.

Os acusados serão autuados pelo crime de homicídio duplamente qualificado, por motivo torpe e impossibilidade de defesa, com ocultação de cadáver. Se condenados, podem pegar mais de 30 anos de reclusão. O inquérito policial será concluído logo após a conclusão dos laudos periciais.

Em 12 dias, a Polícia Civil identificou as vítimas, desvendou o local dos assassinatos, o carro em que os corpos foram transportados, a existência de um moto fazendo a escolta, identificou a autoria do crime e prendeu os dois acusados.

 

Segundo o delegado titular do Grupo de Operações Especiais (GOE) e responsável pelas investigações, Rodolfo Santa Cruz, o bom resultado é fruto do trabalho ágil e dedicado dos agentes, escrivães e delegados do GOE. “Todos trabalharam de forma incansável, desde o dia em que os corpos foram encontrados”, destacou.

 

Prisão em São Paulo – Uma equipe formada por um delegado, dois agentes do GOE e um agente do Grupo Especial de Capturas estavam em São Paulo, trabalhando para localizar o investigado.

 

Na capital paulista, a polícia recebeu apoio logístico da Polícia Civil da cidade e, por volta das 15h, o mecânico foi preso na casa de familiares, localizada no bairro Mandaqui, Zona Norte de São Paulo. Constantino Alexandre tinha cortado e pintado o cabelo. Segundo a polícia, a transformação feita na aparência reforça a tese de que pretendia fugir do país.

 

O crime – Os corpos de três finlandeses foram encontrados num canavial em Pitimbú, no Litoral Sul do Estado, sem identificação, no dia 2 de dezembro. No local, a polícia encontrou apenas um cartão de crédito em nome de uma das vítimas.

 

Ao longo do inquérito, 12 pessoas foram ouvidas, vários exames periciais foram solicitados e uma nova perícia foi realizada na residência do casal, localizada no município do Conde, onde foram encontrados vestígios de sangue. A polícia afirma que as vítimas foram executadas com vários tiros dentro da casa e, em seguida, tiveram os corpos desovados no canavial, sendo transportados em uma Land Rover, que foi apreendida.

 

Durante a perícia, foi utilizada uma técnica avançada, a mesma usada nas investigações da morte da menina Isabela, em São Paulo, que resultou na condenação de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá: a substância luminol, que, em contato com o ambiente, consegue identificar a presença de sangue, mesmo que o local tenha sido lavado.

 

De acordo com as investigações, a motivação do crime teria conotação patrimonial, uma vez que os investigados se diziam proprietários da casa, afirmando tê-la adquirido da vítima por um valor de R$ 290 mil – o imóvel, no entanto, continua registrado no nome de Pasi Kalervo e está avaliado em mais de R$ 600 mil.

 

A polícia também encontrou uma procuração da vítima dando plenos poderes a Constantino para a venda de propriedades. Segundo relatos de testemunhas, outros três terrenos de propriedade da vítima teriam sido vendidos pelo suspeito, mas o dinheiro não teria sido repassado.

 

O casal, juntamente com a amiga, entrou no país no dia 20 de novembro. Eles costumavam passar temporadas na Paraíba, fugindo do inverno europeu. As investigações foram iniciadas pela Delegacia de Pitimbu, e em seguida, o caso foi repassado para o GOE, por determinação do delegado geral, Severiano Pedro do Nascimento Filho.