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Plano Estratégico indica possibilidades para alavancar o desenvolvimento da Paraíba

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014 - 17:35 - Fotos:  Francisco França/ Secom - PB

A Paraíba agora conta com um estudo estratégico que aponta quais suas principais potencialidades e como é possível alavancar o seu desenvolvimento pelo menos nos próximos dez anos. A publicação “Eixos Integrados de Desenvolvimento”, lançada na última terça-feira (18), indica quais as principais melhorias necessárias na micrologística de transporte de cargas para o escoamento da produção, quais os principais produtos com potencial de verticalização, as melhorias necessárias em energia elétrica para sustentar o desenvolvimento do Estado, iniciativas para melhorar o desenvolvimento digital e, ainda, a caracterização da demanda por mão de obra nos próximos anos.

O governador Ricardo Coutinho destacou que a Paraíba é um Estado em franca ascensão. “Com esse estudo, a gente sabe o que precisa, sabe o que falta, e sabe o que tem. Se você não souber disso, você não tem como caminhar adiante, não tem como projetar. Esse é um grande documento através do qual nós vamos ter a capacidade de abrir portas e construir um futuro cada vez melhor”, afirmou. Já de acordo com o secretário do Planejamento e Gestão do Estado, Gustavo Nogueira, o estudo traça perfis de projetos que dão respostas consistentes no médio e longo prazo às demandas de interesse público vinculadas à melhoria e ampliação da infraestrutura do Estado e, também, que possibilitem a abertura de espaços e de oportunidades de investimentos e de participação da iniciativa privada em empreendimentos e atividades que favoreçam o desenvolvimento social e econômico da Paraíba.

Para a presidente da PBTur, Ruth Avelino, o estudo é importante, também, para que se possa fazer o desenvolvimento do Estado de forma planejada e com profissionalismo, o que, consequentemente, irá contribuir para o crescimento do turismo, já que cada vez mais os empresários se sentirão atraídos a investir. Ela aponta, ainda, que em 2013, o setor do turismo no Estado cresceu 7% em relação ao ano anterior, perspectiva esperada também para este ano. O secretário executivo de Indústria e Comércio da Paraíba, Marcos Procópio, destacou o setor de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) que abrange uma quantidade enorme de serviços. “O desenvolvimento de softwares entra no topo da pirâmide e a parte de call center entra na base da pirâmide, que são igualmente importantes para a geração de empregos”, elucidou.

Segundo o consultor geral da Macrologística (empresa responsável pela execução do estudo junto à Secretaria do Estado de Planejamento e Gestão), Olivier Girard, foi possível perceber que existem diversas áreas que têm potencial para se desenvolver, mas algumas merecem destaque, como é o caso da cadeia produtiva cimenteira. “É possível apontarmos, por exemplo, para a instalação de uma indústria de pré-moldados, já que a cadeia cimenteira está bastante estruturada. Agora, você já pode ir para o passo seguinte, que seria fazer estruturas pré-moldadas prontas para a utilização”, afirmou. Ele destacou, ainda, a possibilidade de se desenvolver a área de confecção de tecidos para autopeças, levando em consideração o desenvolvimento da indústria têxtil na Paraíba.

Estudo – O projeto teve como principal objetivo determinar o que é preciso ser realizado em termos de investimentos estruturantes no Estado, de tal forma que a economia seja impulsionada e seja possível, então, que a Paraíba se insira de forma competitiva no cenário regional, nacional e mundial. O estudo teve como foco cinco áreas específicas: micrologística de transporte; desenvolvimento industrial; matriz energética; telecomunicação e tecnologia de informação; e capacitação do capital humano. Com mais de 1,2 mil páginas, a publicação “Eixos Integrados de Desenvolvimento da Paraíba” reúne as principais potencialidades do Estado, servindo de norteador para investimentos tanto do poder público como do setor privado até, pelo menos, o ano de 2023.

Confira as principais contribuições do projeto:

Micrologística de transporte de cargas – No módulo “Micrologística de transporte de cargas”, foi realizado um estudo detalhado das 23 microrregiões que formam a Paraíba, observando seus principais produtos, elencando quais possuem demanda e produção relevável no Estado, onde são produzidos e qual a oferta de infraestrutura existente para o seu transporte. Destacaram-se como principais produtos: abacaxi, açúcar, banana, bentonita ativada, calçados, cerveja, cimento, coco verde, concentrado de titânio, etanol, farinha de trigo, fios e tecidos, papel, refrigerantes, aço, combustíveis, coque de petróleo e trigo em grãos (sendo os quatro últimos de grande consumo na Paraíba).

Assim, foi possível apontar os principais gargalos existentes na infraestrutura de transportes na Paraíba, a exemplo do trecho em João Pessoa da PB-034 e do trecho da BR-101 em Caaporã, o que, por sua vez, deu origem a um estudo sobre a situação de todos os projetos rodoviários, ferroviários, dutoviários, portuários e aeroportuários existentes. Ao todo, foram mapeados 73 projetos pertinentes para o desenvolvimento da infraestrutura de transportes no Estado. Além deles, também foram idealizados 13 novos projetos de infraestrutura logística. Se todos forem realizados, ainda serão necessários mais de R$ 4,0 bilhões em investimentos – sendo que a maior parte são projetos rodoviários.

Desenvolvimento industrial – Com a avaliação do potencial econômico do Estado e a análise de outras regiões no mundo com características similares, na busca de melhores práticas que conduzam a um desempenho superior, foi possível realizar o planejamento do desenvolvimento industrial da Paraíba. Foram analisados, também, municípios de estados fronteiriços que podem ser fonte ou destino de produtos a serem industrializados na Paraíba, assim como produtos com investimentos previstos até 2015.

A seleção deu origem a uma lista de 26 produtos de destaque na Paraíba com maior potencial de verticalização que, após serem analisados a partir de oito fatores de atratividade (como estudo da produção, exportação e importação e a identificação do consumo aparente no Brasil até 2023), resultou em uma lista com cinco produtos-chave para o desenvolvimento: louças branca, pisos e azulejos, software, tecidos para autopeças e pré-moldados. Para esses cinco produtos, portanto, foi proposto um pacote de incentivos para atração de investidores no setor bem como um cronograma de implementação da indústria na região, aí reunidos incentivos fiscais e investimentos em ferrovias.

Energia – Através do tópico “Energia”, foi possível perceber que a carga média de energia elétrica demandada na rede pelo estado é de cerca de 780MW, sendo que as fontes térmicas representam cerca de 90% da geração e as eólicas, 10%. Esta energia é provida principalmente pelo complexo de usinas hidrelétricas Paulo Afonso, Xingó e Luiz Gonzaga. Com esses dados, foi possível realizar projeções da capacidade de geração do Sistema Integrado Nacional (SIN) e consumo de energia elétrica para cada uma das microrregiões da Paraíba, considerando-se inclusive a demanda energética do segmento industrial.

De acordo com o estudo, é necessário um investimento de R$ 574 milhões, divididos em subestações novas ou com projetos de melhorias, implantação de novas subestações, linhas de transmissão, número de circuitos e linhas paralelas. A publicação aponta, ainda, que se os investimentos forem realizados, não haverá falta de energia elétrica para sustentar o desenvolvimento do estado.

Telecomunicações e TIC – O tópico “Telecomunicações e Tecnologia de Informação” (TIC), por sua vez, aponta primeiramente para a sua relevância para o desenvolvimento econômico e social do estado: em regiões menos desenvolvidas, como a América Latina e regiões rurais dos EUA, a relação entre desenvolvimento de TIC e crescimento econômico é forte. O índice de digitalização da Paraíba atualmente é de 35,20%, enquanto que em 2006 era de apenas 14,22%, o que mostra que a Paraíba tem crescimento mais rapidamente que o Brasil.

Considerando apenas o efeito do crescimento do PIB per capita, a demanda de telefonia fixa deve cair a 1% nos próximos 10 anos, enquanto a banda larga chegará a 23 usuários a cada 100 habitantes. Por sua vez, haverá, também, o aumento do uso de celulares no Estado da Paraíba devido ao aumento da renda média da população e o efeito da alteração de preços e evolução e difusão da tecnologia. Propõe-se, portanto, algumas iniciativas para que o avanço dos serviços permitam, também, sua melhoria e, ainda, que sejam promovidos o empreendedorismo e a inovação: a instituição de um órgão central; a alocação de recursos suficientes; e a promoção de demanda por TIC. Isso requer o desenvolvimento de vários programas ao longo dos próximos 5 anos.

Capacitação do capital humano – Por último, através do módulo “Planejamento estratégico de capacitação do capital humano”, o estudo demonstrou que a Paraíba se beneficiará de bônus demográfico na próxima década, com o dobro de habitantes em idade de trabalho versus estudantes e aposentados em 2023. Fora isso, o crescimento projetado do PIB, bastante superior ao da população, indica um aumento significativo de renda nos próximos 10 anos, impactando a demanda por mão de obra qualificada. Este crescimento econômico pode gerar cerca de 550 mil novos empregos formais, alterando o perfil setorial da força de trabalho, com maior participação da construção civil e comércio e serviços, o que, por sua vez, faz com que a demanda por formação profissionalizante deva dobrar nos próximos 10 anos.

Analisando o panorama atual da oferta de ensino na Paraíba, percebe-se, no entanto, que a atual oferta de ensino superior indica suficiência para atender à demanda nos próximos 10 anos. Já a oferta de educação técnico de nível médio e formação inicial e continuada, contudo, precisará aumentar cerca de 80% no período. Além disso, observa-se também que a partir de 2018 haverá um gargalo de entrantes no mercado de trabalho devido à demografia e índices de abandono da Educação Básica (um déficit de 92 mil em 7 anos), principalmente nas regiões do Litoral Sul, João Pessoa e Campina Grande. O Estado da Paraíba poderá eliminar o gap projetado de mão de obra qualificada, porém, através de quatro medidas prioritárias: ampliar em cerca de 80% a capacidade de formação técnica de nível médio; ampliar em cerca de 80% a formação profissionalizante; reduzir o índice de abandono da educação básica; e ampliar o público atendido pela Educação de Jovens e Adultos.