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8 de julho de 2012

Planejamento e operações policiais põem fim a ‘guerra de famílias’



A rixa entcatoledorocha2-270x180re as famílias Suassuna, Oliveira e Veras não mancha mais de sangue as cidades do Sertão da Paraíba. Há um ano não são registrados homicídios cometidos por representantes dos três grupos, que juntos foram responsáveis por pelo menos 96 assassinatos ao longo de duas décadas.

A tranquilidade vivenciada pelos moradores da região nos últimos meses, desde 7 de julho de 2011, é resultado das operações Laços de Sangue I e II e Resgate, realizadas entre os meses de setembro de 2011 e janeiro deste ano pelas polícias Civil e Militar. As três ações conseguiram prender 23 integrantes das famílias, por força de mandados de prisão cumpridos na Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Brasília e Paraná.

As operações, além de cessarem as mortes ligadas à disputa entre os Suassuna, Mesquita Batista (conhecidos como Oliveira) e Veras, ainda colaboraram para a diminuição nos índices de homicídios registrados na área abrangida pela Delegacia Regional de Catolé do Rocha, entre o ano passado e o primeiro semestre de 2012. Enquanto em 2011 ocorreram 52 assassinatos, sendo 26 até o mês de junho, nos primeiros seis meses deste ano ocorreram 13 homicídios, o que representa uma redução de 15% dos Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI) – homicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte.

O secretário da Segurança e da Defesa Social, Cláudio Lima, destaca que esse conjunto de ações demonstra um trabalho focado em resultado, com emprego de inteligência policial na realização de repressão qualificada. Segundo ele, “a integração dos órgãos do sistema de segurança, bem como a articulação como Ministério Público e o Poder Judiciário permitiu o enfrentamento aos crimes na região e pôs fim à guerra que se arrastava por mais de 20 anos”.

Trabalho contínuo – Para o delegado regional de Catolé do Rocha, Marcos Vinícius Damaceno, as ações que puseram fim às mortes entre as famílias causaram uma mudança no dia-a-dia da população local. “O povo sentiu a continuidade do trabalho e isso reduziu bastante a violência, pois os que financiavam e executavam esses crimes foram presos”, destaca a autoridade policial. Segundo o delegado, ainda existem mandados de prisão em aberto e os alvos continuam a ser investigados.

Depois das três operações de grande porte, a delegacia regional, que abrange dez cidades sertanejas, se concentrou em ações pontuais, com menos pessoas presas, porém mais frequentes. “Assim, o nosso Grupo Tático Especial atinge uma média de quatro mandados de prisão cumpridos por mês, pelos mais diversos crimes, como homicídios, tráfico de drogas, fora os flagrantes diários realizados pela Polícia Militar”, detalha Marcos Damaceno.

A Polícia Militar também intensificou a prevenção e repressão ao crime, aumentando as fiscalizações de trânsito e abordagens.

Planejamento operacional – De acordo com o delegado André Rabelo, que na época das operações era delegado regional de Catolé do Rocha, a decisão de encampar uma grande ação de combate aos crimes contra a vida na localidade aconteceu no início da atual gestão da Secretaria da Segurança e da Defesa Social (Seds). “Verificamos que historicamente as famílias vinham se envolvendo nesse tipo de crime e a decisão foi tomada quando duas mortes aconteceram: uma na frente do batalhão da PM e outra próxima à delegacia”, explica o atual delegado regional de Campina Grande.

De acordo com Rabelo, as ações foram divididas em três fases: duas intituladas ‘Laços de Sangue’, realizadas nos dias 27 de setembro e 25 de novembro de 2011 e que tiveram como foco o cumprimento de mandados de prisão. Outra fase foi a ‘Resgate’, que aconteceu em 10 de janeiro deste ano, cujo objetivo foi o de apreender armas e reestabelecer a paz social. Ao todo, foram apreendidas 35 armas de fogo, entre revólveres, pistolas e espingardas, e ainda apreendidos R$ 100 mil em espécie.

De acordo com o delegado regional de Patos, Cristiano Jacques, que também participou da operação, “uma característica marcante dos três grupos era o planejamento de suas execuções. As tarefas eram bem definidas dentro da organização: pessoas que planejavam, financiavam, recrutavam mercenários, levantavam os alvos e executavam”, explicou o delegado.

As investigações apontaram, ainda, que os criminosos chegavam a realizar seguros de vida para os integrantes das famílias que poderiam ser alvos, assegurando, assim, capital para sustentar as práticas criminosas.

Nas três ações, foram empregados cerca de 300 policiais entre civis e militares, além de viaturas, cães farejadores e um helicóptero da Polícia Rodoviária Federal que efetuou o monitoramento aéreo da localidade. Equipes do Instituto de Polícia Científica também participaram do trabalho, para dar agilidade às perícias e facilitar a conclusão dos flagrantes.

A Polícia Militar montou pontos de bloqueio na entrada e saída da cidade para reforçar a segurança do início ao fim da operação.