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12 de setembro de 2011

Peti e Creas de Bananeiras são referência em atendimento a crianças e adolescentes



Erradicar o trabalho e humanizar a convivência em sociedade para os futuros cidadãos é um desafio em todo o Brasil. Em Bananeiras, na Paraíba, o resultado tem sido positivo por meio de dois programas públicos, desenvolvidos pelo Governo do Estado e a Prefeitura Municipal: o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti) e o Centro de Referência Especializada da Assistência Social (Creas). Ambos fizeram com que o índice de crianças em situação de rua chegasse a zero naquela cidade.

O Peti de Bananeiras atende a 789 crianças com atividades esportivas, música, dança e xadrez. De acordo com a coordenadora do programa municipal, Ana Márcia Luna, são 17 oficinas, ao todo. “As crianças frequentam as aulas em um turno e, no outro, ficam no Peti, fazendo as atividades e tendo a alimentação garantida”, contou.

A função da coordenação do Peti Estadual, além de monitorar, é auxiliar e capacitar, de acordo com a necessidade de cada município. Atualmente, na Paraíba, o Peti existe em 210 municípios, contemplando 52.166 crianças e adolescentes. A bolsa do Peti, nos municípios acima de 250 mil habitantes, é de R$ 40; abaixo de 250 mil habitantes, o valor é de R$ 25 por crianças de 6 a 15 anos de idade.

A Secretária de Assistência Social de Bananeiras, Márcia Guimarães, lembrou que a dedicação dos profissionais faz toda a diferença. “A gente faz sempre o esforço de conscientizar as famílias para que não deixem seus filhos trabalhando. Há mães que mandam as crianças irem à feira ganhar dinheiro. É uma luta contínua, árdua, mas com resultado gratificante”.

“Acho muito importante este trabalho que desenvolvemos. Além de ensinar uma atividade que pode servir de profissão para eles no futuro, também orientamos sobre os problemas que podem acontecer com crianças que não estudam”, comentou o Maxwell da Silva Barbosa, que dá aulas de flauta para sete crianças todos os dias no Peti.

A prefeita de Bananeiras, Marta Ramalho, disse que, antes de assumir o mandato, procurou saber das crianças o que eles gostariam de ter como atividade infantil que pudesse ser implantada no Programa. “Elas escolheram capoeira e música, que conseguimos colocar em prática. Graças a Deus, em Bananeiras, não temos mais crianças vivendo em situação de rua, porque elas têm ocupação garantida”, constatou a prefeita.

A secretária Aparecida Ramos ressalta a necessidade de programas como o Peti nos municípios. “O nosso objetivo é tentar diminuir os índices, principalmente, na zona rural, onde a situação é pior. As equipes realizam visitas técnicas aos municípios em que há o Programa, e temos a preocupação de ter um técnico da SEDH junto aos fóruns e comissões que combatem o trabalho infantil, para erradicar esta prática em todo o Estado. Um exemplo foi a Comissão Estadual de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (Cepeti) recentemente implantada que conta com representantes da Secretaria”, justifica a secretária.

Creas – Todo tipo de direito violado, relativo à infância ou não, é atendido nos Creas. Na Paraíba, existem 20 Creas regionais que atendem a 104 municípios e 72 municipais, com serviços na área da assistência social, jurídica e psicológica.

Em Bananeiras, há o estadual e o municipal. O polo estadual atende as regiões circunvizinhas como Casserengue e Borborema. De acordo com a diretora do local, Marileide Henrique Andrade Oliveira, atualmente estão em atendimento 54 famílias. Nos últimos dois anos, foram atendidos 355 casos envolvendo crianças e adolescentes.

“Semanalmente, temos encontros psicossocial com as famílias e também fazemos oficinas com as crianças e as mães também. Sempre convidamos um professor ou técnico que possa fazer uma palestra sobre a importância da família e temáticas como drogas e violência”, explicou Marileide Andrade.

Envolvendo as famílias - Segundo o psicólogo Jivago da Costa Pinheiro, de nada adianta apenas focar no atendido. Ouvir as famílias e orientá-las é fundamental para a eficácia do método. “A gente realiza um plano metodológico para cada situação. Oferecemos o atendimento individualizado, mas também proporcionamos oficinas e palestras voltadas para a família e para convivência familiar”, destacou.

Mães que já estavam sem esperança de recuperação para os filhos descobriram uma nova oportunidade por meio do Creas. É o caso da dona de casa Maria Zélia Pereira, que hoje participa com o filho das atividades e vibra com os bons resultados na qualidade de vida dela e de toda a família.

“Ele tem 11 e era muito violento, me dava muito trabalho. No Creas, meu filho participa das atividades, é atendido pelo psicólogo e melhorou bastante dentro de casa. Ele aprendeu muita coisa. E eu também aprendi a educar melhor”, comemorou.