João Pessoa
Feed de Notícias

Pessoas com hanseníase recebem orientações no encontro de grupos de autocuidado

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012 - 12:11 - Fotos: 

O IV Encontro dos Grupos de Autocuidado para Hanseníase no Estado da Paraíba começou nesta segunda-feira (3), no Hotel Caiçara, em João Pessoa. O evento, que acontece até quarta-feira (5), está sendo realizado em parceria com a ONG Holandesa NHR (Netherlands Hanseniasis Relief no Brasil) e reúne representantes dos grupos de autocuidado dos municípios de João Pessoa, Cabedelo, Campina Grande, Patos, Sousa e Cajazeiras.

No último dia do encontro, será realizada a II Oficina de Reabilitação Socieconômica, ministrada pela psicóloga Zoica Bakirtzief, da Universidade de Santa Maria (RS), única brasileira a estar entre os coautores do “Guia técnico sobre reabilitação baseada na comunidade e hanseníase: Atendendo as necessidades de reabilitação de pessoas afetadas pela hanseníase e promovendo qualidade de vida”. O evento está sendo realizado pela Secretaria de Estado da Saúde (SES), por meio do Núcleo de Doenças Endêmicas.

Segundo a coordenadora do Núcleo de Doenças Endêmicas, Mauricélia Holmes, a Paraíba é pioneira na criação dos grupos de autocuidado, onde os pacientes convivem com outras experiências e aprendem a perceber as características de suas lesões, identificando precocemente o que está ocorrendo e o que possibilita uma tomada de decisão de tratamento mais acertada.

Givanildo Monteiro de Barros, coordenador do grupo da Capital, tem 36 anos e descobriu a doença aos 19, quando trabalhava na construção civil. “Sentia muita dor de cabeça, vivia com febre, tinha as juntas todas inchadas, muitas feridas nos pés e manchas pelo corpo”. Hoje ele está curado, mas, por conta da doença, os dedos das mãos são atrofiados e os pés são dormentes. “Quando entrei no grupo, passei a me cuidar mais, a lutar contra o preconceito e consegui meu auxílio-doença”, falou.

Cícero Alves de Oliveira, de 48 anos, é o coordenador do Grupo de Cajazeiras. Em 2009, ele descobriu que tinha hanseníase e hoje está curado, mas convive com as sequelas da doença. Cícero contou que, graças a uma oficina realizada no ano passado, incrementou um pequeno negócio que tem na própria casa. “Eu vendia bombons, mas não tinha ideia de ganho, planejamento, essas coisas. Depois da oficina, tudo mudou pra melhor: faço os planos; organizo os lucros; coloquei mais produtos à venda e agora, conto com o apoio de minha mulher e das filhas”.

Casos – Em 2011, foram registrados 687 novos casos de hanseníase na Paraíba. A técnica do Núcleo de Doenças Endêmicas, Geisa Campos, explicou que os dados de 2012 ainda não estão fechados, mas que a média anual no Estado é de 700 a 800 novos casos. “O diagnóstico e tratamento da hanseníase é realizado pela atenção básica, nos próprios PSFs. Contudo, o Estado oferece tratamento especializado e de referência, por intermédio do Complexo Hospitalar Clementino Fraga”, explicou.

A doença – A hanseníase é uma doença dermato neurológica que tem cura, especialmente se diagnosticada precocemente. Os especialistas orientam para os sinais: manchas brancas ou vermelhas, que não coçam e nem doem; diminuição da perda de sensibilidade e fisgadas nos nervos dos braços, pernas e pés.