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Pesquisas terão investimentos superiores a R$ 2,6 milhões

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010 - 21:13 - Fotos: 

Em atendimento a um projeto do Governo da Paraíba, apresentado há oito meses à Eletrobrás pelo governador José Maranhão, o Estado terá seu levantamento do potencial eólico ou Atlas Eólico. As pesquisas terão investimentos no valor de R$ 2 milhões e 622 mil, numa parceria entre o Governo do Estado, Centrais Elétricas Brasileiras SA – Eletrobrás, a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e a Associação Técnico-Científica Ernesto Luiz de Oliveira Junior (ATECEL). Mais de 90% dos recursos serão da Eletrobrás. Dirigentes de 25 empresas especialistas em energias renováveis prestigiaram a solenidade de assinatura do convênio às 18h desta sexta-feira (26), no Salão Azul do Palácio da Redenção.

O governador José Maranhão afirmou: “nós estamos tratando de um projeto para o presente e sobretudo para o futuro, porque se trata de fonte alternativa de energia e absolutamente limpa, como é a energia eólica”, e acrescentou: “aqui hoje vocês vão encontrar 25 representantes das maiores empresas da área de energia renovável e que têm esse compromisso com a produção de energia limpa”.

Maranhão ressaltou que o convênio assinado vai colocar a Paraíba no centro do Nordeste na área das energias alternativas. O governador também destacou o empenho de seu governo em projetos na área de energia solar. Tratou deste tema também com o ministro das Minas e Energia, Edson Lobão. Maranhão lamentou que o Estado não tenha, em um passado recente, tomado as providências que estão sendo firmadas hoje. Ao invés do estado ter apenas a Usina Millenium, em Mataraca, já poderiam ser umas quatro ou cinco na Paraíba produzindo energia eólica.

O diretor de Tecnologia da Eletrobrás (Centrais Elétricas Brasileiras S.A) Ubirajara Rocha Meira, que é paraibano de Campina Grande, destacou que o projeto vai colocar a Paraíba definitivamente no rol dos estados de energias renováveis e ser um grande consumidor e exportador de energia alternativa. Declarou ainda que, com o convênio, o ministro das Minas e Energia, Edson Lobão, atende a solicitação expressa do governador José Maranhão.

Ubirajara destacou que a Eletrobrás tem sido parceira de governos estaduais e municipais comprometidos com o desenvolvimento sustentável e o Governo da Paraíba oficializa uma parceria que colocará o estado no contexto das energias renováveis. Afirmou que o mapeamento eólico da Paraíba vai permitir a atração de investimentos privados. “A presença do empresariado da área de energia renovável nesta solenidade, demonstra de forma inequívoca o interesse gerado pela iniciativa do governador José Maranhão”, declarou.

O presidente da Chesf, Dilton da Conti, revelou que a empresa hoje é nacional e está integrada com o Estado da Paraíba, que tomou a iniciativa de fazer o mapeamento eólico. A energia oriunda dos ventos é de futuro e é complementar à energia hidroelétrica que predomina no país. “A Paraíba hoje está dando um grande passo para seu desenvolvimento sustentável e aqui na Paraíba o potencial eólico também é muito significativo”, declarou o presidente da Chesf.

O presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica – ABEEólica, com sede em São Paulo, Lauro Fiúza Júnior, afirmou que a iniciativa do governador Maranhão é o passo inicial e a partir daí se identificarão as regiões com melhores ventos, o potencial e o Governo então poderá planejar não só as redes de interligação, como sub-estações, como também preparar todo seu pacote de incentivos para atrair investimentos nessa área”, disse.

Diversos parlamentares e auxiliares do Governo do Estado prestigiaram a solenidade, a exemplo do senador Roberto Cavalcanti, o deputado federal Wilson Santiago, os deputados estaduais Raniery Paulino, Trócoli Júnior, Jeová Campos e Carlos Batinga, prefeito de Mataraca, João Madruga, prefeita de Uiraúna, Glória Jeane, além dos secretários Marcelo Weick (Casa Civil), Lena Guimarães (Comunicação), Osman Cartaxo (Planejamento) e Francisco Sarmento (Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Ciência e Tecnologia).

O Atlas Eólico é um importante instrumento para determinar em que regiões do Estado existem viabilidades para instalar uma usina de geração de energia eólica. De acordo com Antonio Marcus Nogueira Lima, Coordenador Administrativo do Departamento de Engenharia Elétrica da UFCG, o levantamento do potencial eólico consiste na instalação de torres de medição, dotadas de equipamentos capazes de monitorar diuturnamente amplitude de vento, direção de vento, temperatura e outras variáveis meteorológicas.

Feito isso, estes dados serão armazenados e utilizados para atualizar modelos de previsão de ventos que permitirão estimar as condições de vento nas áreas não monitoradas do Estado da Paraíba. A execução do projeto de elaboração do Atlas será coordenada pelo Professor Dr. Maurício Beltrão de Rossiter Corrêa, do Departamento de Engenharia Elétrica da UFCG, e composta por três grupos de pesquisa, sendo dois do Departamento de Engenharia Elétrica e um do Departamento de Ciências Atmosféricas.

Anteriormente as usinas eólicas eram implantadas nos Estados através do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa). O Proinfa definia a implantação dessas empresas nos estados através de estudos feitos através do Atlas Eólico Brasileiro, que já está ultrapassado. “Como o Atlas Eólico Brasileiro já estava ultrapassado, surgiu a necessidade de que cada estado tenha o seu levantamento potencial eólico”, disse.

Objetivos do convênio

Nos objetivos do convênio constam o desenvolvimento de ferramentas de monitoração destinadas a empreendimentos eólicos, através de dispositivos móveis; desenvolvimento de ferramentas que permitam prever a capacidade de geração de um parque eólico; análise do impacto da inserção de aerogeradores no sistema elétrico da Paraíba; desenvolvimento de tecnologias dedicadas ao controle e conexão de aerogeradores ao sistema elétrico, além da elaboração do Atlas Eólico da Paraíba.

Usinas Eólicas da Paraíba

A Fazenda Eólica Millennium é o primeiro parque de geração de energia eólica da Paraíba. O empreendimento é o primeiro do gênero no Brasil instalado pela empresa australiana Pacific Hydro. A energia produzida complementa a demanda na região de Mataraca e tem capacidade para atender 40 mil residências e evitar a emissão de 30 mil toneladas de gases poluentes. A usina de energia eólica Vale dos Ventos, com 60 aerogeradores, está em fase final de implantação, mas já produz energia. Sua capacidade é de 45 megawatts.

Os dois empreendimentos estão implantados na praia Barra de Camaratuba (PB), divisa com Baía Formosa (RN). A energia produzida é adquirida pela Eletrobrás, que redistribui com municípios através de convênios com a Energisa. Os aerogerados têm vida útil de 50 anos e com 25 anos de uso serão submetidos a uma reavaliação e manutenção geral. As torres de concreto, instaladas a 200 metros de distância uma da outra, têm 80 metros de altura e hélice de fibra e metal com 48 metros de diâmetro e base com 20×30 metros.

Vantagens da energia eólica

É uma energia limpa que não gera resíduos e cujo impacto ambiental é relativamente baixo; é inesgotável; não emite gases poluentes nem gera resíduos e diminui a emissão de gases de efeito de estufa (GEE).

Vantagens para a comunidade

Os parque eólicos são compatíveis com outros usos e utilizações do terreno como a agricultura e a criação de gado; criação de emprego; geração de investimento em zonas desfavorecidas e benefícios financeiros (proprietários).

Vantagens para o estado

Reduz a elevada dependência energética do exterior; poupança devido à menor aquisição de direitos de emissão de CO2 por cumprir o protocolo de Quioto e diretivas comunitárias e menores penalizações por não cumprir; possível contribuição de cota de GEE para outros setores da atividade econômica; é uma das fontes mais baratas de energia podendo competir em termos de rentabilidade com as fontes de energia tradicionais.

Vantagens para os promotores

Requer escassa manutenção (semestral) e uma rentabilidade do investimento.

Josélio Carneiro, com informações de Teresa Duarte, da Secom