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Pesquisadores da Embrapa destacam esforço da Paraíba em recuperar cultura do abacaxi

quinta-feira, 11 de outubro de 2012 - 11:51 - Fotos: 

A Paraíba está produzindo abacaxi orgânico resistente à fusariose, em fase experimental, visando atender a demanda do mercado cada vez mais crescente. A Emater, em parceria com a Embrapa Mandioca Fruticultura, implantou campos de mudas da variedade BRS Vitória, que agora passam por novo processo de pesquisas para agilizar a multiplicação das espécies com a finalidade de atender esse mercado.

Os pesquisadores da Embrapa Tullio Raphael Pádua e Aristóteles Matos percorreram os municípios de Araçagi, Santa Rita e Itapororoca, que têm as maiores plantações de abacaxi. Eles consideram que a Paraíba, com o apoio do Governo do Estado, está dando um passo significativo para a retomada do cultivo em grande escala do abacaxi, servindo de exemplo para outros estados.

Tullio Raphael e Aristóteles Matos voltaram para a Embrapa Mandioca e Fruticultura, em Cruz das Almas (BA), com talos do abacaxi ‘Vitória’ para aprofundar as pesquisas em laboratório. Depois de multiplicadas, as mudas serão levadas aos produtores.

Originada de três híbridos elaborados pela Embrapa Mandioca e Fruticultura, o ‘Vitória’ foi introduzido nas Fazendas Experimentais do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) e chegou à Paraíba no ano de 2010.

Mesmo em pequena escala, a produção de abacaxi ‘Vitória’ entra agora em uma nova fase de expansão. As mudas em fase de plantio serão repassadas aos produtores rurais que, por sua vez, farão a multiplicação. A expectativa é de que, em dois anos, já estejam com as plantações em processo de acompanhamento.

Segundo o assessor de abacaxi da Emater Paraíba, engenheiro agrônomo Leôncio Vilar, a cultivar ‘Vitória’ apresenta características agronômicas semelhantes ou superiores às cultivares Pérola e Smnooth Cayenne, mais comuns no mercado brasileiro.

Fusariose – Segundo os dois pesquisadores da Embrapa, Tullio Raphael Pádua e Aristóteles Matos, a principal característica do ‘Vitória’ é a resistência à fusariose, doença causada pelo fungo Fusarium subglutinans f.sp. ananás, que é o principal problema fitossanitário da cultura no país, causando em média 30% a 40% de perdas na produção de frutos.

Os pesquisadores explicaram que esta espécie de abacaxi dispensa o uso de fungicidas para o controle da doença, possibilitando a redução do impacto ambiental e dos custos de produção por hectare. Além disso, há um aumento de, no mínimo, 30% de produtividade.

A Emater, empresa de extensão rural vinculada à Secretaria do Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap), é responsável pela introdução das mudas do ‘Vitória’ na Paraíba, cultivadas na fazenda do produtor Cleanto Castro, em Itapororoca, desde 2010. No mês passado, as primeiras mudas foram repassadas para agricultores de um assentamento em São Miguel de Taipu, de onde sairão espécies para atender aos demais produtores.

Outra vantagem deste tipo de abacaxi é que não tem espinhos em suas folhas, facilitando os tratos culturais e a colheita. Os frutos podem ser destinados ao mercado de consumo in natura e para a agroindústria, devido às suas adequadas características sensoriais e físico-químicas. Tem polpa branca, boa suculência, reduzido tamanho do eixo central, elevado teor de açúcares e excelente sabor nas análises químicas e sensoriais.

Essa nova variedade é resultado de dez anos de pesquisa. Por ser resistente à fusariose e não necessitar de aplicação de agrotóxicos, traz vantagens para a saúde de produtores e consumidores. Os custos de produção das lavouras serão bem inferiores, o que possibilitará maior competitividade dos fruticultores, principalmente os de base familiar.